quinta-feira, 4 de abril de 2013

O chuchu

Outro dia desses, meu avô chegou pra mim e disse assim:

- Durante toda a minha infância e adolescência, meus pais tentaram me fazer acreditar que chuchu era gostoso. Todos os dias eles ficavam fazendo uma lavagem cerebral para que eu gostasse de chuchu. Algumas vezes, inclusive, amassavam o chuchu todo e misturavam no feijão, só pra eu não ver. Mas nunca adiantava, pois eu descobria.

Eu odeio chuchu.

Odeio chuchu com todas as minhas forças e francamente não sei explicar bem porquê. Só sei que odeio. Nunca quis comer, torço a cara para todas as receitas que levam chuchu e faço cara feia e disfarço toda vez que vejo no mercado.

No entanto... se eu não tivesse te contado, você saberia que eu odeio chuchu?

Eu nunca fiz movimentos nas ruas pra criticar o chuchu. Quando me modernizei, nunca criei comunidades no bom e velho Orkut pra dizer "eu odeio chuchu". Nunca fiz passeatas do meu orgulho de não comer chuchu. E mesmo com a modernidade tecnológica, nunca nem sequer pensei na possibilidade de criar uma página no Facebook para reunir todas as pessoas desse globo que odeiam o chuchu. Sabe por que?

Porque o fato de eu odiar chuchu não me dá o direito e ser um extremista imbecil.

Existem pessoas que amam chuchu. Que comem chuchu até na sobremesa. Tem a galera do tanto-faz, que come se estiver no prato, mas se não estiver, nem liga. Deixa o chuchu quieto, né?

Por que o mundo precisa saber que eu odeio chuchu? Imagina a cabeça do pobre chuchu, quietinho lá na horta dele pensando "cacetada, o mundo precisa saber que eu não sou diferente de nenhum outro legume".

Aí o chuchu sai de casa, tem que ir pro Congresso, chamar mais uma horta inteira de chuchus... e não estão fazendo isso porque querem aparecer, mas sim porque estavam no seu espaço e alguém chegou dando um bico na horta, falando que chuchu era uma merda.

Então criaram a lei pra defender o chuchu. Não chute o chuchu. Não menospreze o chuchu. Coitado do chuchu!

Deixa o chuchu em paz... ele faz alguma coisa? Ele incomoda tanto assim? Se por um acaso virem um chuchu no mercado, é simples: não o olhem, não o comprem. Até porque o chuchu não vai pular na sua sacola de compras, desejando ser um tomate ou uma cenoura.

Chuchu merece respeito, quer queiram ou não. Se por um acaso o seu filho quiser comer chuchu, o que você vai fazer? Bater nele? Tentar convencê-lo de que bom mesmo é o tomate? Ora, se ele gostar de chuchu, ele não vai deixar de gostar por sua causa, vai?

O chuchu está aí, é plantado e colhido o tempo todo e não podem fazer absolutamente nada.

Aliás, tenho orgulho de você, meu neto. Você não come chuchu, mas não fala mal do prato alheio.

Um comentário:

Arthur Morisson disse...

Ótima analogia cara!

Me amarro nas tuas crônicas, ainda mais pq se espelha no nosso grande Veríssimo!

Sucesso pro blog, visito sempre!

Abç! =)