quinta-feira, 14 de março de 2013

Rapidinha da semana #24

Me ensinaram aqui no meu novo trabalho - estou na assessoria do TJ-RJ - que o importante de uma boa matéria é a sobriedade dos fatos. Nada de piadas, curiosidades sobre os casos... só fatos. Decisões segundo os autos processuais, coisas assim. Mas uma coisa não se pode negar: uma piadinha sempre cai bem. Elas acontecem, não tem jeito. Numa bela hora, acontece alguma coisa completamente inusitada, que faz a sua mente viajar em inúmeras possibilidades: "isso vai dar uma nota foda!", eu pensei. Pensei umas três, quatro vezes. Mas o jeitão sóbrio do Tribunal me impede de falar sobre isso. Então, tomei a liberdade de usar o meu blog pessoal que é bem, digamos, alcoolizado, para compartilhar com vocês algumas coisas que eu vi durante o julgamento do Beira-Mar e ninguém contou no jornal. Sério.

1- O mais inusitado dos fatos foi protagonizado pelo advogado Welington Corrêa, que defendia Beira-Mar no caso. Só que a defesa não era apenas composta pelo Sr. Corrêa, mas por um corpo de mais três advogados. Assim sendo, o defensor solicitou a um de seus companheiros que o substituísse na defesa - durante a tréplica - por alguns minutos. O senhor Welington se ausentou da sala e para sua infelicidade esqueceu o microfone, preso à sua toga, ligado. O barulho do seu xixi e da descarga foi ouvido por todos da assessoria e da família de Fernandinho, que também acompanhavam o caso, causando uma onda de gargalhadas. Pelo menos ele deu descarga né?

2- Toda a família de Beira-Mar estava presente. Filhos - muitos filhos - acompanhados de suas respectivas esposas e de seus próprios filhos, netos de Fernandinho. Um desses netos era pentelho.
Já diz aquela frase "sabonete é igual festa infantil, sempre tem um pentelho que você não sabe de quem é". Este, no caso, todos sabiam quem era. E de quem era. Só posso dizer que um dos assessores levou quatro tapas da criança e apenas respirou fundo, dizendo baixinho: "não posso reclamar, ele é neto do Beira-Mar... preciso ficar quieto...". Coitado do meu companheiro de trabalho. Eu também levei tapa e nem liguei.

3- Pra fechar, tenho que contar pra vocês do Adaílton. Coitado do Adaílton. Seu nome foi identificado na denúncia feita contra Beira-Mar como "o homem que conseguiu escapar da morte". Contudo, tanto a promotoria do Ministério Público, quanto a defesa de Fernandinho teimaram em fazer de tudo com o pobre Adaílton. Em três horas de debate, ele já havia se tornado mandante do assassinato, um zé-ninguém desconhecido e até um cadáver. A defesa matou o Adaílton. E o promotor Marcelo logo fez questão de gritar no microfone: "Excelência, pelo amor de Deus, não mata o Adaílton assim não, Excelência! O cara tá vivo, ele não morreu, não! Tá querendo matar mais um?"

Ai como eu adoro meu trabalho...

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