quinta-feira, 19 de abril de 2012

Dia do índio

http://pib.socioambiental.org/pt


- E aí, qual o legado dos índios para a nossa cultura atual?

- Fácil, os seres fantásticos do folclore, a mandioca, o açaí... ah!, e a rede.


Vivemos numa sociedade em que a cultura indígena, para uma boa parte, se resume a isso. Não posso dizer 'maioria' porque não tenho dados, mas com certeza é uma parte grande. E o problema, é que não posso culpar diretamente quem dá essa afirmação, pois não está na nossa tradição aprender sobre a cultura dos índios. Nunca esteve.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Como cuidar da própria vida

Como disse Mario Quintana, "uma página em branco é a virgindade mais desesperada que existe." Olhei meu caderno às 5 da manhã e senti tesão para escrever. Segue aí o passo-a-passo!

O que não nos ocorre na cabeça que já não tenha sido pensado e muito melhor elaborado por um escritor ou filósofo? Tudo que precisamos entender sobre nós mesmos, na maioria das vezes, já vem mastigado, escrito no passo-a-passo. E a nossa conformidade em acreditar nos pensamentos dos outros sem tentar formar nossas próprias ideologias e opiniões, criou um comodismo bem dinâmico entre o 'eu' e o 'pensador'; um comodismo intelectual, pode-se assim chamar.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Rapidinha da semana #22



Como de costume, tá rolando no Centro Cultural do Banco do Brasil (famoso CCBB) diversas exposições, cada uma melhor do que a outra. Eu estava nas minhas andanças pelo Centro da cidade e dei uma passada lá pra conferir e agora não posso deixar de recomendar.

Tive tempo de sobra e além de ver as exposições permanentes da Coleção de Moedas e da História do Banco do Brasil, ainda vi as exposições Divortium Aquarium, do José Rufino, Anticorpos, dos irmãos Fernando e Humberto Campana e o Percurso Afetivo, da Tarsila do Amaral. Se liga só:

Divortium Aquarium - Norteado pela apropriação e transmutação de memórias locais, socioculturais e políticas, a exposição do paraibano José Rufino recupera memórias relacionadas ao universo dos rios e dos mares. O tipo de exposição que cabe em uma única sala, mas que precisa de horas para ser decifrada. A expressão dos materiais dispostos em aglomerado ou nas estantes refletiam dor, agonia e histórias de pescador. Gostei muito! NOTA 8

Anticorpos - A exposição dos irmãos Campana aponta a variedade formal e de materiais usados por eles. Contempla, ainda, a biografia de Fernando e Humberto, filmes, fotos e os objetos-chave decisivos para o crescimento das formulações acerca dos princípios criativos. Não é muito a minha praia esse tipo de arte, mas algumas eculturas eram verdadeiramente impressionantes e chamaram atenção. Muitas cores e muita criatividade. NOTA 7

Percurso Afetivo - Primeira exposição individual nos últimos 40 anos no Rio de Janeiro de uma das mais importantes e emblemáticas artistas do modernismo brasileiro. O conceito curatorial teve inspiração no diário da artista e reuniu 82 obras, entre pinturas, desenhos, objetos e gravuras para um percurso emocional, afetivo e único. Fantástico! Mostra toda a trajetória da artista nos tempos de Academia, da Equipe Modernista e suas influências na arte cubista. NOTA 9

CONFIRAM, VALE A PENA!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

PORTO NÃO!

Tenho quase certeza de que todos vocês já ouviram falar nas descobertas de poços de petróleo e gás na camada chamada de pré-sal. A produção de petróleo brasileira, com a descoberta dos tais poços cresceu mais de 30%, o que, para os nacionalistas, é motivo de orgulho e a sensação de que o Brasil está se desenvolvendo industrial e economicamente forte no cenário mundial.
Para atender a essa nova demanda de produção, está sendo construída a Refinaria de Itaboraí, conhecida como Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ). Em pararelo à essa construção, as autoridades públicas entenderam que a melhor solução para o escoamento da produção, com o intuito de atender as necessidades do mercado externo, é a construção do Terminal de Ponta Negra, o TPN. Esse pólo será composto por um porto e um estaleiro e será construído no canto direito da praia de Jaconé. Espera-se que a sua construção se torne uma âncora para o COMPERJ.
A DTA Engenharia, responsável pelo projeto - avaliado em mais de cinco bilhões de reais - afirma que o porto terá capacidade para receber 40% de toda a atual produção do país, o que equivale a 850 mil barris de petróleo por dia.

MAS ENTENDAM QUE:

A DTA, em parceria com a prefeitura de Maricá, está elaborando um pedido de licenciamento ambiental que pode ser expedido no segundo semestre desse ano. Em dezembro do ano passado, a Câmara dos Vereadores de Maricá modificou o Plano Urbanístico, alterando o zoneamento urbano do município, transformando àquela área em pólo industrial naval. PORÉM, a legalidade dessa alteração é questionável, por ter pulado etapas legalmente necessárias para efetuar essa alteração no Plano. A população de Jaconé, Ponta Negra e da vizinha Saquarema são contrárias a construção desse porto. Boa parte das pessoas, inclusive, está 'curiosa' para saber por que não foi consultada ou informada, dada a importância da mudança. O fato da população não saber do que está acontecendo mostra que as afirmativas do atual prefeito, Washington Quaquá, a respeito do apoio a obra por conta dos habitantes, são falsas:

- Sempre vai ter gente contrária, mas o projeto é bom. Vai gerar empregos e continuaremos com o turismo - disse ele. - O empreendimento compensará o impacto, transformando Ponta Negra em complexo turístico.

O empreendimento compensará o impacto? Deixo essa pra vocês refletirem.

Para muitos, a escolha do local foi totalmente equivocada, pois um empreendimento desta magnitude põe em xeque uma das mais bonitas praias do Rio de Janeiro, afetando diretamente a natureza, a paisagem e a população. Ecossistemas seriam os primeiros a sucumbir. O projeto precisa (e muito) ser repensado; a região, para quem não sabe, é importante para quatro espécies diferentes de baleias: Jubarte, Orca, Franca e Bryde. Quem frequenta a praia da região, sabe que as baleias estão sempre próximas da costa.
E o presidente da DTA, Oliveira Neto, não passa de um brincalhão:

- A não ser que descubram que lá é o local de procriação da baleia branca de papo amarelo, não vemos maiores impactos ambientais.

Deixo essa piadinha pra vocês refletirem também...

Outra piadinha interessante é a do Secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Insdústria e Serviços do Estado do Rio de Janeiro (ufa!), Júlio Bueno, que confirma que a iniciativa tem o apoio do Governo Estadual e que um estudo preliminar não detectou maiores problemas ambientais:
- O porto pode ser o início da redução de uso do Tebig (o terminal mais usado pela Petrobras no estado, em Angra dos Reis), ou seja, é a chance de retirar a atividade de petróleo de um paraíso.

Bacana né? Retirar a atividade do paraíso, para que ele não seja destruído... e o NOSSO PARAÍSO? Continuem reflitindo...

Tudo isso preocupa, não só aos ambientalistas, mas também a nós, frequentadores da região desde a infância, moradores que vivem lá há mais de 50 anos e querem que tudo continue do mesmo jeito: o lugar perfeito para descansar, praticar a pesca e o surfe. De uma forma geral, todos tememos os impactos na região. O desenvolvimento não irá trazer 'somente' a poluição e a destruição do ecossistema local. O crescimento urbano traz problemas de super-lotação, violência, sujeira, engarrafamentos, acidentes e assaltos. De alguns meses para cá, moradores de meio século na região ouviram tiros, coisa que nunca pensaram ouvir:

- Nunca pensei ficar com medo de sair do meu condomínio. Antes eu podia deixar minha vara de pesca e todo o meu material na praia e voltar pra almoçar, que ninguém mexia. Não tinha assaltante, não tinha barulho de tiro. Daqui a pouco começa a favelização e o lugar vai virar comunidade de Jaconé... - disse um morador e vizinho.

A manutenção das embarcações e plataformas envolvem despejo de óleo no mar, além da possibilidade real de acidentes provocarem vazamentos de grandes proporções, o que afetaria diretamente a vida de muitas famílias que dependem da atividade da pesca artesanal.
Para evitar críticas, os empreendedores prometem revolucionar com uma nova tecnologia contra vazamento de óleo. O presidente Oliveira (Brincalhão) Neto afirma que:

- Criamos uma tecnologia, que vamos patentear, que reduz o impacto de um eventual vazamento de óleo. Será uma cortina que liga os moles (estruturas de pedra que cercam o porto, reduzindo as ondas no terminal). No caso de derramamento, ela subirá e deixará o óleo restrito à área do porto.

Eventual? E se...?

MINHA HUMILDE OPINIÃO:

Brasileiro tem essa mania de construir. Nunca reaproveitar. Só construir. Os números é que são importantes. Não basta haver 80 escolas destruídas, o governo não as conserta e ainda constroi mais 30. Não bastam existir 150 hospitais em condições precárias para atendimento, o governo não os conserta e ainda constroi mais 50. Tudo pra quê? Para que, na campanha, possa dizer que construiu. Constroi algo que não pode manter. E assim, temos 110 escolas destruídas e 200 hospitais precários, quando o que realmente poderiam fazer, era consertar o que já está construído. O gasto é menor e a sustentabilidade é maior.
Com o porto funciona do mesmo jeito. Não é melhor fazer um planejamento e aproveitar melhor as instalações e estruturas já existentes? Para que ter uma pilha de portos em mau funcionamento ou com pouco aproveitamento? Aí construírão o porto de Maricá e depois de anos construírão outro e este se tornará obsoleto. E o paraíso será destruído por mero capricho? O estado do Rio possui estruturas portuárias que podem servir de apoio para essa futura produção. O Porto de Angra dos Reis já dá suporte à produção nacional de petróleo, e poderia ser ampliado para atender a nova demanda.
Faz ideia do impacto que isso pode causar? Da destruição de um ecossistema gigantesco, com frequente visita de animais como baleias, golfinhos e até pinguins? De como a vida das pessoas que moram lá pode piorar? Pode ser muito fácil dizer que o crescimento é muito bom, quando não se faz ideia dos problemas que ele pode causar. Garanto que nem metade das pessoas que apoia a obra sabe realmente de tudo que ela acarretará, pois o impacto social e cultural seria desastroso. A região NÃO TEM infraestrutura urbana para receber um empreendimento dessa envergadura, como moradias, saneamento básico, escolas, hospitais, transporte público, além de surgir uma criminalidade decorrente das possíveis mudanças. Portos para serem instalados precisam de pesquisas em diversos seguimentos, diversos estudos preliminares. Um projeto como este não pode ser feito da noite para o dia, precisariam anos para sua elaboração, devido a complexidade do sistema.
Tem um ponto chamado de "Beachrock Jaconé", um sítio arqueológico e biológico de imenso valor científico. Atualmente fonte de pesquisas das Federais UFRJ e UFF e da Estadual UERJ. Sua principal importância se deve ao fato de ali ter sido catalogado por Charles Darwin, no século XIX, como de relevada importância científica.
A praia de Jaconé é considerada uma das melhores para a prática do surf, além de ser um ótimo local para a pesca artesanal e profissional. Diversas espécies de animais e vegetais teriam seus habitats naturais destruídos, causando danos ambientais irreversíveis. Os vazamentos e efluentes químicos fatalmente transformariam este cenário natural, como os exemplos de outros portos situados próximo as populações.
Concluindo, várias ONG's, associações de surf, ambientalistas e moradores, se uniram, lançando a campanha "S.O.S. JACONÉ. PORTO NÃO!"

REFLITAM MUITO SOBRE TUDO QUE ESTÁ AQUI! NOSSO PARAÍSO NÃO PODE MORRER! PORTO NÃO!

COMPARTILHEM E NOS AJUDEM!