segunda-feira, 20 de junho de 2011

Eu.

Fisicamente eu moro no movimentado Rio de Janeiro, mas tenho quase certeza que vivo no mundo da Lua. Sou completamente distraído e ingênuo, quero sempre acreditar nas pessoas. Talvez por essa razão eu continue acreditando no progresso da raça humana e na duvidosa amizade entre homens e mulheres. Até porque, se sua melhor amiga é uma gata cobiçada por todos os outros homens do círculo social, você é um tremendo idiota.
Também acredito em ETs. Pode parecer um trocadilho infame, dizer que acredito nessa tal de amizade tanto quanto em ETs, mas é verdade; eu acredito mesmo neles. Já cismei em ter visto vários por aí e acredito até hoje que algumas das pessoas próximas à mim são realmente de outro planeta. Pessoas próximas, os célebres amigos, aqueles que me odeiam e me criticam e que por alguma razão a qual desconheço, não consigo deixar de gostar. Ora me acham um fantástico especialista em porra nenhuma, ora me acham um esquisitão que gosta de escrever tudo que vem à mente.
Mas escrever é bom. E pronto. Poucos tem uma sensação agradável de sorrir quando acabam de escrever alguma coisa. Escrever é um dos meus maiores prazeres, talvez a terceira coisa pela qual eu tenha me apaixonado na vida. Primeiro as meninas, depois os desenhos animados... é, foi a quarta, na verdade, ainda tem o futebol. E mesmo que tenha todo esse amor, escrever nunca me levou a lugar nenhum. Sou tremendamente frustrado por isso.
E enquanto você ainda se pergunta porque sou um especialista em porra nenhuma, já trago-lhe a resposta: Eu toco violão, guitarra e bateria, escrevo crônica e poesia, sou dublador, desenhista e professor. Leio de José de Alencar à Bula de Genéricos Medley. Sou ótimo filho, neto, amigo e conselheiro, sei cozinhar, lavar, passar, adoro animais, o cachorro no gato, o gato no rato, o rato na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar. E por mais que saiba isso tudo, não sou bom em absolutamente nada dos citados acima, não sou perfeito. Preciso de palavras que confortem e dos mais variados assuntos para me sentir útil e organizar a desordem. Sou sincero ao extremo e isso sempre me causou dores de cabeça, sou cético, cheio de dúvidas e manias, ansioso, analítico e detalhista. Tenho o maldito defeito de não conseguir ser eu mesmo em todas as minhas relações. Aliás isso ninguém consegue, não posso me sentir mal. Ninguém é todo em todas as relações. Todos nós somos apenas partes de nós nos meios sociais. Eu, por exemplo, sou um com a minha mãe, outro com os amigos, outro com os meus superiores. Queria ser eu inteiro sempre, mas é praticamente impossível. Por mais que eu não queira agradar ninguém, eu não agrado o mundo. Sinto que por melhor que eu seja, sempre serei odiado por alguém, mas essa porcaria nunca fez mal para o meu ego. Portanto, serei sempre o que você vê... mas SÓ pra você, o mundo não está preparado para um Eu completo.
Meu jeito e minha vida são uma novela: sensacionalista, cheia de reviravoltas e com doses diárias de problemas e humor. Isso se reflete em tudo que eu falo, podem notar. A cada verso, parágrafo ou travessão, sempre vai ter um pouco de sotaque de Eu no meio, chega ser detestável. Umas e outras vezes eu me odeio por certos comentários e atitudes, mas isso se chama autocorreção. Só não pense que pode sair por aí me corrigindo, achando que vou adorar. Eu odeio ser corrigido. Odeio isso mais que qualquer coisa, talvez mais até que negligência, desperdício e dependência. Não imagine que minha gentileza seja motivo para ser imbecil, se tentar montar em mim, logo vai perceber que meu orgulho e meu senso de obrigação vão te pisotear, até você se sentir tremendamente culpado, mesmo que a culpa não seja sua. Cuidado comigo, Diabo.
Eu sou assim, sou o que sou e quer você goste ou não, continuarei sendo e não preciso de ninguém me dizendo o que devo me tornar. Acredito em mim mesmo, e naquilo que posso ser capaz de alcançar. Eu tenho talento, não tanto quanto gostaria, queria ser mais inteligente, mas eu sinto que posso chegar mais longe com o pouco de astúcia que Deus e as lições de moral dos filmes da Disney me deram.
Hoje sou quase um adulto, que vira-e-mexe volta ao mundo das crianças pra esquecer dessa vida de muito trabalho, pouca diversão; quando não estou ocupado, estou cantando no chuveiro, contando azulejos, fingindo ser um astro de futebol ou um detetive ou um super-herói. Eu conto meus passos, eu piso na areia e olho pra trás pra ver a pegada, eu faço desenhos engraçados no vidro embaçado do carro em dias de chuva, sinto mais prazer em lamber a colher do que comer o bolo pronto. Gosto de debater sobre política e economia tanto quanto gosto de comentar sobre tentar sambar sentado.
Hoje sou quase uma criança, que vira-e-mexe volta ao mundo dos adultos pra esquecer essa vida de muitos monstros no armário, poucos peixinhos dourados no aquário.
Sou isso. Interrogação, exclamação e reticências. Sou toda essa linguística e tudo aquilo mais que ainda pode existir na minha vida. Não me mudem, não me mudo.

domingo, 19 de junho de 2011

Rápida reflexão sobre o Dom

- Você acredita em dom?, perguntaram pra mim.

Não. Aqueles que dizem que 'a pessoa nasceu com dom' para tal coisa, é desclassificar todo o trabalho que essa pessoa teve pra chegar onde está. "Não tenho coordenação alguma pra tocar violão... você toca porque tem dom!" Isso é ridículo, é desmerecer o violonista pelo tempo que passou praticando acordes no seu quarto. Não tem coordenação, mas provavelmente nunca tentou praticar muito para chegar lá, dizer que não sabe pegando um violão uma vez só na vida é mole, é claro que não vai saber, nem mesmo os melhores têm essa capacidade.
(...)Eu não acredito em dom, acredito no talento. Talento esse, que a pessoa tem pra se dedicar a alcançar tudo que quer, sem pestanejar. Empenhar-se ao máximo e alcançar objetivos. Talvez o único dom que certas pessoas tenham e outras não, seja a força de vontade. Alguns não possuem força de vontade alguma, enquanto outros crescem cheios dela. Acredito que todos nasçam com essa força, mas em grande parte de nós, ela se faz adormecida. A vontade é, mais do que um dom, uma virtude; é ter o poder de não desistir, nas próprias mãos... é acreditar no seu próprio talento.
Não existe dom pra aprender coisas, não existe dom pra tornar-se capaz... existe a vontade e o talento, dentro de todos nós. Desperte essa vontade e vai perceber que 'dom' nunca devia ter feito parte do seu vocabulário e que tudo vai se tornar mais fácil, enquanto tiver confiança em si mesmo.

Para Kadu Abreu.

domingo, 12 de junho de 2011

Bulinando geral

- Seu gordo!


Pronto. Virou bullying. Não adianta, qualquer coisa que falarem agora, tornou-se um gigantesco e chato bullying. É a palavra da moda e todo mundo quer ter a oportunidade de usá-la mesmo quando não há necessidade alguma para tal.


Eu já fui gordo, baixinho e chorão. Tudo bem, hoje eu não sou mais chorão. Diabo. Mas eu me lembro que ser gordo e baixinho era motivo pra todos tirarem um sarro da minha cara, até porque tudo que saía um pouco do padrão era gozação na certa. Tinha sempre o magrelo, o gigante, o narigudo e por aí vai. Mas porque essa porra nunca foi um motivo pra pessoas se comportarem de maneira doentia? Porra mesmo, não achei palavra melhor, não quero que fiquem recriminando meus palavrões, todo mundo fala, por que eu não posso falar? É porra mesmo.


Ser chamado de gordinho e baixinho nunca foi uma razão pra eu querer matar todos os amiguinhos de classe ou me sentir a pessoa mais odiada do mundo. Tem que haver um limite, sim, mas essa dependência indireta que a sociedade cria torna a pessoa covarde. Meu pai sempre me dizia que eu tinha que resolver meus problemas na rua, chegar chorando em casa era coisa de marica. Quando eu sentia que as coisas 'iam longe demais' eu resolvia. "Eu não discuto, eu chuto, eu não debato, eu bato", dizia O Pensador, e era mais ou menos assim. Quando não ultrapassava essa barreira, tudo não passava de uma grande brincadeira de mau gosto, a tradicional sacanagem.


E por que tornar tudo uma sacanagem? Cadê o limite? Tem uma diferença muito grande entre aquele que brinca e aquele que humilha. Eu concordo plenamente que devem haver punições pra'queles covardes que batem, maltratam e que futuramente podem causar um dano mental grave. Mas pelo amor de Deus, querem comparar um cara que chama de gordinho e um cara que afunda a cabeça de outro na privada, e isso não tem o menor cabimento! Precisamos punir, mas precisamos também evitar a super proteção: estamos tornando todos os jovens grandes vítimas de qualquer coisa. Crianças mimadas, protegidas pelos pais que não tomam frente em nada, só sabem se esconder atrás da saia da mãe. Pode parecer ridículo, vão dizer muito que eu quero promover a violência e deixar a criança se virar. Não é bem por aí... elas precisam desde cedo aprender a se defender pra que, no futuro, possam se impor como seres humanos que são. Já imaginou? O sistema já controla todo mundo, imagina uma sociedade hiperdependente que não sabe se defender? Vamos todos regredir...


Outro dia passou na tv um político, que não me lembro nome, nem cargo, falando que estava sofrendo bullying da imprensa. PORRA! E a população que sofre bullying desse maldito parlamento a vida toda? Aí dizem que a culpa é nossa, por eles estarem lá, afinal nós quem elegemos. Então isso se chama o quê?, 'autobullying'? Se for assim, tudo no mundo é um grande bullying ambulante. Quem é da minha geração pôde ver essa sacanagem toda exposta na tv, com os famosos desenhos da Looney Toones. O Pernalonga certamente foi o maior praticamente de bullying da face da terra nos últimos anos. Então o coitado do Coiote era um bulinado sofredor?
Passe isso pra vida real e temos uma banalização do que é 'ser ofendido' e essa banalização está ultrapassando todos os limites aceitáveis, talvez até prejudicando o comportamento de boa parte da sociedade. Na minha faculdade, uma mãe acusou uma merendeira de bullying, porque a mesma 'acusou' a filha de não ter pago o lanche. E aí? Por que essa porra é bullying?


Como eu disse, tá na moda, tudo é bullying. O próprio bullying é bullying. O bullying bulina nossa cultura, pois é uma palavra americana incorporada no nosso dia a dia.


Portanto, meu Brasil, tome cuidado! Tudo isso só mostra o quanto esse fuzuê nos prejudica. Lembrem-se sempre de que têm pessoas cruéis nesse mundo, e toda essa banalização pode ser usada contra nós mesmos, por esse sistema controlador que vai tomar conta mais ainda de nossas vidas, porque não teremos bagagem pra recursar a sacanagem. Desculpa, brasileirizei... resusar o bullying.