quinta-feira, 28 de abril de 2011

Rapidinha da Semana #20

O Museu Imperial, em petrópolis, na Região Serrana do Rio, vai transmitir ao vivo em um telão o casamento do príncipe William e Kate Middleton, nesta sexta-feira (29). A transmissão será no auditório do museu, às 7h e terá entrada grátis ao público.


É muita falta de assunto mesmo né, puta que pariu... o MUSEU IMPERIAL transmitindo um casamento midiático que não vai mudar em nada a vida de nós, brasileiros, mas que já virou a sensação do momento em qualquer canto que passamos. Mas sabe o que é pior? Esse auditório tem espaço pra umas 200 pessoas... e vai lotar.
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William: notou como esse povo não tem o que fazer?


Kate: fala baixo e sorri, eles tão olhando!

Festa infantil

Andei pensando por esses dias e cheguei uma conclusão interessante: festas infantis são a melhor coisa que existe. Reflita comigo: existe algum lugar na face da terra que tenha mais comida gostosa e grátis, que uma festa de criança? Claro que não. Você pode achar a festa uma droga, mas com certeza volta pra casa sem precisar fazer uma boquinha:

- E aí, cara, como foi a festa?

- Uma porcaria, mas pelo menos eu comi pra cacete.

O melhor é que festas infantis nunca são chiques, as comidas são sempre as mesmas. Aquelas bandejas enormes de salgadinhos deliciosos e gordurosos, sempre com metade da bandeja para as coxinhas e a outra metade pra qualquer sabor. Não adianta, coxinha é o salgadinho mais disputado em qualquer lugar. Tanto que quando o garçom serve, as pessoas costumam pegar duas, só pra garantir que vão comer mais que as outras. Se não tiver garçom é cilada, faça uma festa só com coxinhas. E brigadeiro. Não sei de onde tiraram essa ideia de fazer cajuzinho pra botar na mesa do bolo. O maldito cajuzinho sempre sobra! Só quem come o cajuzinho é a mãe e a avó do aniversariante, pois elas ficaram horas na cozinha fazendo isso e comem pra não deixar o coitado subtraído da festa. Mas o brigadeiro não! Fazem pouco de propósito, pra ver a cara daquela criança com olhos gigantescos por cima do enfeite da mesa, perguntando: "só tem cajuzinho?" Faça-me o favor.
Festa de criança não tem só a comida como ponto forte de atração. Qualquer ser humano que gosta de ver lutas, pode ver muita pancadaria gratuita. Basta esperar a hora em que eles estouram aquele balão gigante, no meio do salão, depois do parabéns. Aquele negócio com certeza tem feitiços, pois não há UMA criança que não passe com olhares curiosos e fique bem embaixo dele, imaginando o que tem lá dentro. Eu já fui assim, a minha diversão era ficar brincando no salão, dando pequenas olhadelas para cima, só pra conferir se ele ainda estava lá. E talvez este seja meu maior trauma de infância; eu nunca consegui pegar NADA desse maldito balão. Era sempre a mesma história: esperto que sou, já ficava embaixo dele antes mesmo de acabar o parabéns. Após o parabéns, a tia gritava "vou estourar o balão!" e é nessa hora que começa o trauma. Todas as crianças se amontoavam, com as mãos para o alto, esperando as surpresinhas, e as minhas mãos sempre ficavam por baixo, porque eu sempre fui verticalmente prejudicado. Pra piorar, nunca conseguiam estourar aquela droga com um palito, então precisavam pegar o isqueiro. Como eu tinha medo de fogo, saía de perto. No fim, o balão estourava e toda aquela massa de crianças se jogava no chão pra pegar tudo que podia com as mãos. Às vezes nem sabiam o que pegavam, simplesmente pegavam e depois examinavam o que era. No fim, eu era o único a ficar sem nada, me restando apenas um punhado de confete que eu jogava pro alto e aquela porcaria de guarda-chuva de chocolate, que tinha gosto realmente de guarda-chuva. Felizmente hoje em dia eu só assisto essa tal violência gratuita. Quem vê de fora, como eu, percebe a transformação de uma simples criança n'um animal faminto, que só a super câmera lenta pode captar.
Comida, combate... esqueci algo? Ah, sim, os animadores. Festa infantil que se preze tem que ter aqueles animadores retardados. O pior é que eu fazia tudo que eles mandavam. Fico imaginando até hoje o porre que era para os adultos, quando tinha aquela brincadeira em que eles nos mandavam pegar alguma coisa tipo 'óculos' e 'batom' com alguém. E todas aquelas crianças ensandecidas pulando em cima de todos os velhos que tinham óculos pendurados e depois voltavam correndo, corpo a corpo, pra ser o primeiro. Ou quando eles faziam a Dança da Cadeira e aquela garotinha de formato paquidérmico sentava em cima de você, quando a música parava. Por falar nisso, eu nunca fui campeão de dança da cadeira... inferninho.
Ainda assim, eu me diverti muito com essas festas. Elas são a melhor coisa pra um ser humano que está com fome e entediado. Tem não, tinham né, porque hoje tem o Playstation 3 e o Hot Pocket...

A esposa, a sogra e o Flamengo

Hoje em dia, as pessoas mais velhas só sabem dizer que os bons costumes estão sumindo, que já não se passa mais tanto tempo assim com a família... Tudo bem, eu até entendo, também sinto falta desses programas familiares.
Agora, em pleno século XXI, sua mulher querer que você vá todo maldito final de semana pra casa da mãe dela passar a tarde, é castigo. Quer dizer, não que eu não goste, a mãe dela é até legal quando não está acordada, mas tem certas coisas na vida de um homem que são impossíveis de excluir. Exemplo: os jogos do meu Mengão nas tardes de domingo! As mesmas tardes em que eu estou sentado num sofá desbotado e duro, enquanto ouço minha mulher e sua mãe tagarela, falando sobre muita, mas muita coisa desnecessária! E é por uma penca de fatores que eu não posso fazer o que gosto. Primeiro porque essa casa só tem UMA televisão e ela fica justamente na sala em que elas conversam. Não, elas reclamam do volume alto e não, elas não podem trocar de cômodo; as fofocas funcionam como uma espécie de ritual e precisam acontecer na sala. Qualquer mudança de ambiente pode ser perigosa. E nem me venha com essa de assistir o jogo sem som, a emoção jamais será a mesma, pois eu gosto é da barulheira, dos gritos, dos xingamentos e, é claro, da torcida.
O segundo grande problema nisso tudo é minha mulher. E só. Ela engloba todos os outros motivos. Da última vez que reclamei de uma coisa, fiquei sem... aulas de piano (!), por quase três semanas. Imagina quanto tempo eu ficaria sem minhas 'aulas', se dissesse que quero trocar a mãe dela pelo Flamengo?
Mas o tempo foi passando e eu fui morrendo aos poucos... definhando... vendo só a reprise dos gols no Fantástico. Minha vida foi se tornando um inferno: quase perdi meu emprego, gastei meio salário em bebida e me arrependi, pois poderia ter gasto num celular com TV. Até que eu resolvi encarar o problema de frente: era hora de ter uma séria conversa com Dona Juliana. Ah é, esqueci de contar, Juliana é o nome da minha esposa.
Como todo bom amante latino, conversas sérias pedem medidas drásticas. "Amorzinho" pra começar o diálogo foi importantíssimo, mostrou que eu queria ser agradável. O fato é que quando não se sabe muito bem como dizer que você quer 'futebol' ao invés de 'sogra', é preciso respirar fundo e soltar tudo de uma vez. E logo depois de falar, já esperava um comportamento agressivo e palavras de baixo calão, tanto que encolhi os ombros e fechei os olhos, mas a resposta foi bem mais sutil do que eu imaginava:
"Nós podemos ir quando quiser, eu sempre tive curiosidade, mas tinha medo de te contar e você me dizer que era coisa de homem"!
Aquilo soou como um coro de Anjos, tocando harpa; foi FÁCIL! E eu, desesperado, achando que ela não gostaria da ideia! Na mesma hora, abracei Juliana, corri em direção ao quarto, peguei minha carteira e saí pra comprar os ingressos... mal podia esperar!
"Compra três, mamãe também vai!"