terça-feira, 28 de setembro de 2010

Algumas coisas que você precisa saber antes de votar

Lá estava eu, deitado na minha cama, assistindo ao Jornal Hoje, da Rede Globo. Logo depois ia começar a propaganda política e eu pensei "por que não?". Comecei a assistir e agora estou aqui, puto da vida, pensando em algumas coisas que quero dividir com vocês para que pensem melhor quando forem às urnas.

1- Dilma já é Presidente? Não. Então não sei porque durante todo seu programa na tv, seu nome aparece sempre junto com o do atual Presidente Lula, em todas as façanhas do governo. Lula e Dilma fizeram isso, Lula e Dilma fizeram aquilo... que fique claro que a Dilma ainda não é porra nenhuma e seu nome não está veiculado a nada que o governo atual tenha feito, portanto ela não participou de nada, a não ser dos comícios. Se o Lula que é presidente não fez muita coisa, imagina Dilma que não é nada.

2- O Pré-sal não foi descoberto no governo Lula, isso é balela total da imprensa; ele já havia sido descoberto há mais de dez anos, só aguardavam um momento ascendente da Petrobrás para lançá-lo sem prejudicar rendimento e produção da empresa.

3- Apesar de Serra pregar na campanha eleitoral seu papel como Ministro da Saúde responsável pelos medicamentos genéricos do país, a iniciativa ocorreu na gestão de Jamil Haddad, em 1993. O governo FHC apenas editou uma lei que tinha propósitos semelhantes ao decreto que já estava em vigor. Do mesmo modo, não foi Serra quem criou o programa nacional de combate à Aids, mas isso pelo menos ele admitiu.

4- Dilma integrava o Colina (Comando de Libertação Nacional) quando a organização de esquerda se uniu ao grupo de Carlos Lamarca para criar a VAR-Palmares, em 1969. A organização durou cerca de 4 meses e era favorável a ações armadas contra a ditadura. Dilma foi uma terrorista na juventude, pra ser mais claro. Ela tentou matar o presidente dos Estados Unidos da época, além de ter sido acusada de estar num carro que atentou contra um quartel, matando um soldado com uma bomba de alto poder destrutivo.

5- A mídia manda em tudo que é veiculado para os eleitores, isso é inegável. Sendo assim, após o Presidente Lula esculhambar a imprensa por denegrir a sua imagem e de sua candidata, a imprensa lançou manchetes e Dilma já caiu 8% nas pesquisas. Será mesmo que ela está na frente? As pesquisas podem ser compradas. Por muito caro. Mesmo.

6- Canditato 'ficha-limpa' é MAIS do que OBRIGATÓRIO. Agora virou modinha carimbar a faixa de candidatura com "Eu sou ficha-limpa". É mais do que obrigação de uma pessoa que vai representar nosso país durante quatro anos tenha um passado livre de corrupção e estão querendo fazer disso um arsenal de campanha. Pra piorar... Eurico Miranda é ficha-limpa!

7- Cuidado com as promessas dos deputados, a maioria delas não fazem sentido algum. Um deputado não pode prometer acabar com o vestibular, muito menos oferecer DOIS MIL reais de salário mínimo, isso é ridículo. Nem o candidato a presidência promete isso, Serra fala em 600 reais... 2.000 requer uma mudança drástica na constituição e na distribuição do dinheiro e isso não se muda da noite para o dia. Lula, por exemplo, levou 8 anos para chegar aos R$510,00... Candidato bom é aquele que pode prometer uma coisa que pode MESMO ser feita.

8- Marina do PV tem esse jeitinho meio frágil porque até hoje sofre com as sequelas dos tratamentos que fez contra três hepatites, leishmaniose e cinco malárias (!), quando morava no seringal do bagaço, no Acre. É a candidata com o passado mais pobre e foi alfabetizada apenas aos 17 anos, tendo trabalhado até como doméstica. Hoje anda entre os ricos e seu candidato a vice-presidência é Guilherme Leal, um dos fundadores da Natura e que tem um patrimônio declarado de R$1,19 milhão.

9- Garotinho é candidato. Não preciso dizer mais nada.

10- Se você não colocaria pessoas como Maguila, Ronaldo Esper, Mulher Pêra e Tiririca para cuidar de interesses pessoais e importantes seus e de sua família... Por que então colocá-los para tratar de assuntos tão sérios, que envolvem a SUA vida e a de mais de 190 milhões de pessoas? E pior(!): por que os partidos não têm vergonha alguma de recrutar candidatos como estes, que dizem coisas como "o povo não é palhaço, mas eu sou"?

11- Cristóvão Buarque criou uma lei que diz que todos os políticos, junto com suas famílias, deveriam utilizar o serviço hospitalar público, bem como seus filhos deveriam estudar na rede pública de ensino. NENHUM deles votou a favor e NENHUM candidato atual fala a respeito disso.

12- Oito anos de Lulacracia se resumem em:
* Apoio aos montros Chavez e Morales;
* Terror no campo aumenta aumentam as invasões em propriedades produtivas);
* Baixa qualidade de ensino público e escolas destruídas e sucateadas;
* Falta de vagas nas escolas públicas;
* Legiões de drogados por todas as cidades do país e drogas percorrem livremente ruas, praças e escolas;
* Hospitais lotados, sem médicos suficientes e capacitados, sem condições decentes para receber e tratar doentes e sem materiais adequados e remédios para todos(grande parte dos atendimentos são nos corredores);
* A violência e a criminalidade tomaram conta de todo o país, já são muitas mortes e pouca segurança e continuam aumentando assustadoramente;
* Comerciantes estão desesperados, pois os assaltos estão fora de controle e a população está aterrorizada, pois os traficantes andam livremente nas ruas, exibindo suas armas e assaltando até em semáforos, com frequência... já fazem o que querem e quando querem;
* As filas de desempregados continuam gigantescas;
* Rodovias federais abandonadas;
* Crianças abandonadas, longe das escolas, se drogando e assaltando por todo o Brasil;
* Furtos à veículos descontrolados;
* Muita destruição, pouco assentamento;
* Vidas são tiradas impunemente em assaltos, sem pena alguma, mesmo depois de já terem conseguido o que queriam;
* Prostituição infantil só cresce;
* Agressões nas escolas, sequestros relâmpagos, recorde de drogados;
* Recorde em arrecadação de impostos;
* Presidente não quer mais manifestações religiosas;
* Aprovação de aborto sem qualquer restrição.

Não mostram nada disso na propaganda, engraçado né?

13- QUEM PAGA A CONTA É SEMPRE O POVO.

Portanto pensem bem antes de colocar seus votos na urna, pois as pessoas que vocês tanto criticam estão lá graças aos seus próprios votos. Tá na hora de mostrar que nós, brasileiros, ainda não dormimos para tudo que querem fazer com o nosso país.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Simplicidade literária

Quando leio um texto cheio de palavras difíceis, começo a ficar meio aturdido. Primeiro porque não tenho o hábito de ler meus livros acompanhado de dicionário e segundo porque quase sempre fico sem entender o real sentido das palavras complicadas, que só depois de muito tempo acompanhando o contexto é que dá pra se ter uma certa noção. Por que diabos as pessoas adoram dificultar e encher os textos com palavras como "desprecatar-se" ou "ressaibo"?
Simplicando, 'desprecatar-se' significa 'desprevinir' e 'ressaibo' quer dizer 'sabor ruim'... não seria mais normal (leia-se prático) usar os seus siginificados mais cotidianos?

Eu até entendo o glamour que um texto ganha quando se tem palavras menos utilizadas no vocabulário informal, talvez por vaidade do autor de mostrar que tem um vasto conhecimento da língua, mas isso não quer dizer que seus leitores, se não forem conhecedores assíduos da gramática e amantes da leitura, vão entender na primeira tentativa.

E isso me leva a duas vertentes: livros repletos de palavras difíceis acabam desestimulando iniciantes. É claro que se faz necessário pesquisas antes de se começar boas leituras. Quem nunca leu um livro na vida não pode começar com José de Alencar, é praticamente um tiro no pé. Ao passo que, para leitores mais experientes, ler José de Alencar é um prato cheio para enriquecer o vocabulário, quiçá uma leitura mais proveitosa, por entender as expressões usadas pelo autor, que eu particularmente não entendi metade. Mas já fazem três anos que li 'Lucíola' e confesso que ainda falta coragem para ler de novo. Muita coragem.

A outra vertente, é que muitos autores gostam de complicar e em grande parte das vezes acabam complicando a si próprios, por colocar palavras que não tem a ver com o contexto, muito menos significam o que ele pensa que significam; muitos confundem 'recíproco' com 'retórico', por exemplo.

Eu, como bom leitor e escritor que sou, apoio os dois lados. Devem haver leituras com palavras dificílimas, bem como leituras com palavras fáceis. Meus textos são todos com palavras fáceis, até porque odeio complicações e não vou querer a sua. Mas acho que podíamos pensar em algo mais prático: assim como nos filmes, que possuem classificação etária, para facilitar quem assiste, os livros deveriam vir marcados com uma risca de cores diferentes para identificar quais são fáceis, para iniciantes, e quais são os mais ousados, cheios de metáforas, com notas de rodapé apontando significados e avisos como "este livro precisa do acompanhamento contínuo do Tio Aurélio", para aqueles que adoram uma aventura.

Portanto pare de planger; enquanto não exporem as facilidades nos livros, descritas por mim, com minúcia, prosseguiremos vivendo nessa côngrua, escrita e repassada religiosamente do mesmo modo que sempre foi. Resta-nos ter conhecimento de quando as coisas virão facilíssimas, em balaio, para nosso intelecto subdesenvolvido. Qualquer incerteza sobre a realidade desses fatos dispostos acima, busquem com diligência tudo que foi passado, usando a minienciclopédia de verbetes e locuções.

E lá se foram vinte anos...

Eu completei duas décadas de vida na última sexta-feira. E mesmo depois de passados três dias, alguns pensamentos ainda ficam vagando pela minha cabeça; o primeiro é de me sentir mais velho: vinte anos é uma idade muito interessante, faz as pessoas se sentirem mais adultas. O segundo é que talvez muitos já não sintam, mas eu e, acredito, alguns também sentem, é o poder de reflexão que essa data simbólica do aniversário é capaz de proporcionar. Vou tentar explicar de um jeito mais simples, eu odeio coisas complicadas.
A partir dos meus catorze, quinze anos, comecei a pensar mais profundamente nessa história de aniversário. Imaginava que era sempre uma data pra dizer que completamos 365 dias a mais de vida; em apenas um único dia nos tornávamos um ano inteiro mais velhos que o dia anterior. Mas, juro, comecei a raciocinar mais depois de perceber que alguns anos eram bissextos e eu completava mais um ano no mundo antes da data prevista. Foi aí que comecei a notar a importância de se ter um dia pra comemorar, que está além dos presentes, das ligações de familiares e amigos e das festas. Particularmente, essa data serve para pensar a respeito do que eu fui nos últimos 364 dias que se passaram, por isso que disse que nos dava um certo poder de reflexão.
Pensei nas coisas que fiz e que deixei de fazer, nas amizades que conquistei e nas pessoas que nem quero olhar... nas comemorações que perdi e nas oportunidades de uma vida inteira que ganhei. Pensei na minha mãe e em toda a família, nos meus antigos e presentes amigos, nos meus estudos e naquelas festas que bebi e curti como todo bom adolescente. Tudo isso aconteceu... em apenas 1 minuto de retrospectiva reflexiva. E foram apenas vinte anos, ainda virão mais trinta, quarenta, oitenta, nem sei... o que importa é que toda vez que comemoro um aniversário, eu penso em tudo que fiz, deixei de fazer e que ainda tenho tempo para fazer. Ter essa data especial, é ter um momento de enxergar em si mesmo o quanto se cresceu e o quanto ainda pode crescer, com tudo que ainda vai viver. Fazer aniversário é, sim, um dia marcante.
Muitos não tem essa visão, geralmente nem gostam de comemorar ou até mesmo de fazer aniversário; aquelas senhoras quarentonas odeiam aniversário, mas deixemos isso pra outra história. Alguns veem a data como um dia qualquer; de fato, nada muda concretamente, só percebemos essas mudanças depois de muito tempo, principalmente quando completamos dezoito anos e ganhamos aquele anexo mental de 'agora posso ser preso' e mesmo assim muitos não ligam. Tem gente que nem lembra que fez aniversário! E quando lembram, querem logo ganhar presentes, vai entender...
E após inúmeras divagações em cima de um tema, melhor concluir. Foram-se vinte anos e muitas histórias pra contar, muitos casos pra resolver e muita bola pra rolar. Nada melhor do que ter um dia a cada ano que passa para refletir e ver o quanto aproveitamos nosso passado. Mas claro que se formos parar pra pensar no nosso capitalismo mundano, é melhor ter só esse dia mesmo para termos essa reegenharia mental, pois quanto mais aniversários fizéssemos, mais presentes ganharíamos... até seria bom, mas pensa só na quantidade de presentes que teríamos que dar? Tenso.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Rapidinha da semana #14

Com apenas um ano e sete meses de vida, os médicos detectaram que Fábio de Souza (foto) sofria de leucemia. Logo depois, descobriram um tipo de câncer no sistema linfático. O menino suportou as seções de quimioterapia e com apenas dez anos passou pelo segundo transplante de medula óssea. Mesmo assim, o câncer evoluiu e dentre as reações, Fábio desenvolveu uma doença pulmonar. Aos catorze anos, o menino já não aguentava as crises de tosse e falta de ar e os pais procuraram ajuda médica. Os médicos disseram que Fábio precisava de aparelhos e receber oxigênio em casa. Um salário mínimo por mês era quanto custava a manutenção do aparelho que ajudaria-o a respirar. Como a família não tinha condições de pagar esse valor, a Justiça determinou que este fosse pago pelo sistema público, que por sua vez prometeu o serviço em 48 horas. Depois de um baita jogo de empurra-empurra entre as autoridades durante TRÊS MESES, o menino não resistiu e acabou morrendo.

Só mais um triste retrato do descaso com a saúde do país. E eu te pergunto: até quando? Isso é uma puta d'uma vergonha...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

ENEH, uma revolução humano-mental.

Vocês que me leem devem concordar comigo quando digo que todos nós já vivemos muitas coisas na vida. Algumas delas até inimagináveis. Já gostamos, odiamos, vimos, tocamos, sentimos... e toda essa miscigenação mental hoje faz parte do que chamamos de memória. E quando se trata de lembrar das coisas, nada melhor do que pensar na nossa primeira vez. Não necessariamente do primeiro beijo ou da primeira transa, mas a primeira vez de qualquer coisa que tenha sido uma aventura sem igual, que vai te marcar pelo resto da vida. E se tem alguma coisa que vai ficar marcada à ferro em brasa no meu peito, é o Encontro Nacional dos Estudantes de História, pela maioria conhecido como ENEH.
Posso dizer, não só por mim, mas por todos aqueles que foram pela primeira vez ao encontro, que essa foi uma das experiências mais exorbitantes de nossas vidas. E foi mais até do que imaginei, não estou aqui pra mentir; pra mim era só uma viagem de faculdade em que eu iria beber até cair, curtir festas e, principalmente, voltar com a bagagem cheia de calcinhas de mulheres de outros estados. De fato, isso tudo aconteceu, menos a parte das calcinhas, eu sou um menino puro. Mentira. Mas de todo modo, o ponto forte do que vos escrevo, é que o ENEH foi mais que uma festa com cerveja, mulheres, sexo, drogas e rock'n roll e muita diversão. Lógico, isso foi o que eu e todos os outros pensaram logo que chegaram: "que maravilha, chutarei baldes!", mas os dias foram passando e aos poucos a minha concepção foi mudando e junto com ela, fui percebendo o que realmente me rodeava. Quando dei por mim, estava dentro de uma faculdade com mais de duas mil pessoas de todo o Brasil! Mas o impressionante mesmo, não era a curtição com toda essa gente, mas sim o brasil que existia dentro de cada um deles.
Ficamos tão abstratos, pensando só no nosso próprio mundo, no nosso querido Rio de Janeiro, que não nos damos conta de que tem um Brasil inteiro completamente diferente do que nós somos. E o ENEH foi essa oportunidade de ouro que eu tive para conhecer esse brasil inusitado, cheio de ideias diferentes. Conheci culturas, costumes, ideais e sotaques engraçados. Conheci pessoas inteligentíssimas, divertidíssimas e muito mais 'íssimas' em tantos outros fatores. Conheci gente de Minas, do Ceará, do Rio Grande do Sul, do Mato Grosso, do Piauí (AH! o Piauí!), do Acre... Sabe, o Acre, aquele estado que muitos imaginam como uma Atlântida. Pois é, ele existe e eu estive com pessoas de lá. São até parecidos conosco, têm olhos, ouvidos, boca, nariz... E gostam de tomar cerveja com sal e limão, sabe como é essa história de culturas diferentes.
E como se não bastasse conhecer o Brasil todo num único lugar, tive a oportunidade de conhecer minha própria gente também; a galera da UNIRIO. Pessoas como eu, que dormiram e acordaram juntas durante duas semanas e criaram comigo um elo tão forte que nos tornamos íntimos sem perceber. Sabemos se roncam à noite, se comem rápido ou devagar, se cantam enquanto tomam banho, enfim... tornamo-nos irmãos universitários. E o mais fascinante disso, é que saímos do Rio sem nem nos conhecermos direito; aconteceu tudo com muita intensidade e posso dizer que o ENEH foi bom até pra conhecer meu próprio estado. Conheci o brasil dentro de cada companheiro que estuda comigo e aprendi a ser um pouco mais humano com cada um deles. Até porque, por mais loucos que fossem, cada um tinha sua história pra contar.
Agora junte tudo: o Rio e todos os outros estados, todas as pessoas, forme um todo. Tire tudo que for diferente... o que sobra? Nós mesmos. Sobram os brasileiros historiadores que fizeram parte dessa viagem maluca que me fez amadurecer muito, que me tornou um pouco mais gente e que me fez perceber que o Brasil é muito mais do que minha própria casa, meu próprio Rio. Se você já foi para o ENEH, sabe do que eu estou falando. Se não foi... bom, se não foi, espere a sua vez. Marinheiros de primeira viagem nunca esquecem uma grande navegação. Segue sua Nau!