sábado, 31 de julho de 2010

Feudalismo surreal

- Castela!

- Si, milord... chamaste?

- Castela, mi caro... deves saber da existência do novo feudo des nossas redondezas, imaginas eu...

- Si, milord, já o conheço.

- E de quem és este feudo?

- De Sir Bukanov, milord...

- Par Deus, Bukanov! Lembras nome de camponês pançudo. Mas non surpreendes à mi que sejas algo deste tipo. Ultimamente és o que se falan: Feudo de Bukan por acá, feudo de Bukan por alá, feudo des maldito Bukan eno mundo! Que fazes este feudo ser tan poderoso assi?

- Bom, milord, és qu...

- Serian os numerosos camponeses?

- N-non, milord...

- Par Deus, senhor, entan o que?! Castelo, riquezas, belas mulheres, pomares, cavaleiros?

- Non, non... devian ser, mas non... non e non, milord... Bem... és o... tamanho do... o senhor deves saber, mi-milord...

- Ah! ... do... Pinto?!

- NON, MILORD, NON! Do feudo!

A escolha de Sofia

Eram quase cinco horas da tarde e Gerson ainda estava se arrumando. Não que cinco da tarde fosse lá tão tarde, mas digo tarde pois havia marcado com Sofia às quatro, para uma conversa importante. Sofia odiava atrasos, mas que diferença faria, esse era o dia dele. Após um mês e meio de amassos sem compromisso, ele estava decidido: pediria Sofia em namoro. Já era tempo, Gerson não parava de dizer a todos o bem que Sofia lhe fazia e que não era tão feliz assim desde a morte do seu tio Humberto. Para quem não sabe, Humberto era um presidiário, tio de Gerson, que o espancava nas horas vagas. Mas vá, quem precisa saber, o indivíduo já descansa quase em paz.
Gerson finalmente se aprontara; não estava lá essas coisas, mas era o mais 'arrumado' que sua cabeça masculina era capaz de achar irresistível. Escovou os dentes e penteou o cabelo de frente para o espelho, enquanto ensaiava suas falas para o grande momento. Penteou tanto que sua vasta cabeleira loura se dividiu em dois tufos que lembravam dois repolhos amarelos. Quando acabou, se afastou um pouco mais para ver o resultado de tantas horas de produção; saiu de casa satisfeito para encontrá-la.
Ainda andando pela rua, ele não parava de repetir tudo que iria dizer para Sofia. A ordem das palavras, o jeito, as coçadinhas de nariz já ensaiadas toda vez em que ele ficava envergonhado... Quando chegou no portão da vila em que ela morava, tocou o interfone e esperou ansiosamente. A menina apareceu, cinco minutos depois. Não estava tão arrumada, os cabelos estavam presos num rabo de cavalo, usava shortinho e blusa. Para Gerson, era a perfeição em pessoa, afinal quando uma pessoa ama alguém, ele pode estar vestido de galinha que será sempre lindo aos olhos dessa pessoa. Se bem que Sofia era uma menina linda e provavelmente até vestida de galinha ficaria bem, mas enfim... Abriu o portão da vila e Gerson entrou. Sem trocarem olhares ou prosas, ele se dirigiu até o banquinho branco que ficava próximo à entrada. Os dois se sentaram, se olharam por uns segundos e Gerson finalmente começou:

- S-sofia... - começou ele gaguejando. - E-eu queria muito conversar... Com você e... É sobre nós dois... Eu acho q-que a gente deveria...

- É eu sei, queria conversar com você também sobre a gente. - disse ela, interrompendo-o. - Acho que não dá mais pra gente continuar junto, já passou tempo demais e a gente num tem nada sério mesmo...

De envergonhado sorridente à tristonho aturdido; foi o que aconteceu com Gerson naquele momento. Parecia não acreditar no que ouvia:

- Ah... Era isso mesmo que eu queria falar... Melhor parar por aqui mesmo, né?

De repente, quem ficou chocada foi Sofia que parecia também não acreditar muito no que ele dizia:

- Sério? Bom... Então é melhor você ir né... Já que não vamos fazer mais nada... Vem, eu te levo até o portão...

E sem dizer mais nada e completamente desconsolado, Gerson dirigiu-se ao portão. Deu um beijo demorado na bochecha dela e saiu pela rua.
Sofia ainda ficou olhando-o se afastar lentamente. Depois que ele virou a esquina, ela encostou-se no portão e com uma cara triste falou bufando:

- Porcaria... E eu achando que ele ia me pedir em namoro... Nem bancando a difícil eu consigo!

Escolheu mal Sofia. Er, er...

Rapidinha da Semana #10

DIVULGAÇÃO(!): Acabei de criar meu novo blog. Como esse aqui é direcionado para os meus contos e minhas crônicas, criei um novo em que eu escrevo somente minhas poesias bizarras. Visite se quiser, você não é obrigado. Mentira, visite sim, quanto mais visitas melhor para o meu ego. Espero que gostem dele também!

Taí o link: http://www.conversocomverso.blogspot.com/

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Rapidinha da Semana #9

O Estádio Mané Garrincha está passando reformas (praticamente demolição e reconstrução) que vão custar mais de 690 milhões aos cofres do governo. O estádio não mais chamar-se-á de Mané Garrincha, mas sim de Estádio Nacional de Brasília.

Como se a corja do congresso não estivesse de olho nessa obra hipervalorizada. Só mesmo no nosso país para aprovarem a construção do Estádio mais caro para a Copa no Distrito Federal, onde nem sequer existem times de expressão no futebol, fazendo com que depois da Copa, o Estádio fique às moscas. A cereja do bolo é novo nome: tiram a homenagem ao craque botafoguense do passado e dão lugar a um nome 'simbólico' que faz alusão a uma velha prisão da época da ditadura, que muitos devem conhecer e lembrar-se sem muito gosto. Vão à merda, políticos.

O que te move?

Todos nós temos que ter um propósito. Não importa quais sejam as situações, os problemas ou as soluções... O propósito é mais, é aquilo que nos dá dorça para seguirmos em frente. E como diria Nelson Rodríguez, se os fatos provam o contrário, que se danem os fatos; por mais que tomados os rumos de nossas vidas, ainda somos capazes de buscar os melhores caminhos.
O propósito está além do que se quer. O fato de simplesmente existir, de se fazer presente no mundo, já lhe cabe um propósito, por mais simples que seja ele. Viver por alguém ou por alguma coisa e ter sempre aquilo em mente quando a palavra 'desistir' entra no caminho.
E não existe essa história de que talvez não haja; o mundo gira, muda a cada segundo; novas opiniões são formadas, novos conceitos são vistos, e o propósito continua lá, impune.
E cada um tem o seu propósito. Claro, afinal somos todos diferentes. São tantas pessoas, tantas vidas, tantas histórias... E nunca uma é igual a outra, é como uma impressão digital. Cada vida é única e o que te move nela também; ninguém tem o mesmo objetivo, a não ser aquele de ser feliz. E por mais que seja uníssono, ainda existem pessoas infelizes. Aqueles que perdem seu propósito e passam a andar sem rumo, tentando achar outra coisa mais fácil pra fazer. Ora, somos biolhões de pessoas com trilhões de problemas e você está aí, agarrado aos seus, sem vontade de largá-los?! Gosta de sofrer e de sentir pena de si próprio, sem saber (ou talvez até saiba) que muitos outros têm problemas dezenas de vezes piores que os seus e vivem alegres.
Por mais que você seja triste, não tem o direito de fazer tristeza; faça a alegria de alguém, mude a vida de alguém. Fazer o bem é algo lindo e mais do que ter e atingir o objetivo de sua vida, é ajudar outros a alcaçarem os deles. Outro Nelson, o Mandela, disse que você não é amado por que é bom, mas é bom por que é amado. Já parou pra pensar que você também é o propósito de vida de alguém? Sempre haverá outros lutando por você, lembre-se.
Ande pelos caminhos, faça aquilo que te faz bem, mas nunca se esqueça da essência; não deixe que nada se perca na sua vida. Se perdem carinhos, gestos, amigos, parentes, viagens, coisas, até histórias se perdem. Se perde o que fomos e aquilo que queríamos ser. Mas no final, quando atingimos o nosso propósito, descobrimos que não existe perda alguma; existe um ciclo. O seu objetivo é sua vida, lute por ele; viva.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Rapidinha da Semana #8 + Especial

Estava eu nas minhas navegações pela internet, até que me deparei com algo fantástico. Se você é amante da leitura tanto quanto eu e não teve oportunidade de ler muitas coisas por não poder comprar ou até mesmo nunca encontrar, achei uma puta d'uma solução!
O RapidShare está com uma pasta com 1.400 livros. Isso mesmo, mil e quatrocentos livros, em arquivos .rar, disponibilizados em 66 blocos de 10Mb ou até mesmo separados por autor. Se derem uma olhada com bastante calma, vão encontrar histórias consagradas como Sherlock Holmes e Drácula, e até aquelas que viraram filmes recentemente como Senhor dos Anés, Crônicas de Nárnia, Crônicas de Spiderwick e a Bússola de Ouro... Vale muito a pena conferir!

Ó o link aí: http://rapidshare.com/users/DW5HS9

E claro, minha comemoração pessoal por completar 100 postagens no Blog! Obrigado a todos aqueles que me leem e tem paciência com tudo que eu escrevo!
beijos

A voz do 'polvo' é a voz de Deus




Quando você pensa que não podem mais existir coisas idiotas, quando você sustenta a ideia de que, pelo menos na Copa do Mundo, você não veria imbecilidades dos meios de comunicação... Aparece o Polvo Paul.

Os jornais de todo mundo, as câmeras, os comentários e a idolatria... todos voltados para um polvo, um POLVO que dizem ser vidente. E fico pensando com meus botões sobre toda mítica escondida por trás da ideia de 'por que a sociedade não evolui?'

É claro que não poderia evoluir; quando as pessoas deveriam estar um pouco mais preocupadas com seus narizes, ficam admirando um polvo que 'palpita' sobre os resultados da Copa. E como se não bastasse a aparição do polvo, surgiram pelo mundo os piriquitos, os ratos, os coelhos... Todos videntes, todos palpitavam sobre o resultado da Copa. E o que me entristece nisso tudo é que as pessoas acham isso impressionante e tornam aquilo uma filosofia de vida. Existem comunidades nas redes sociais para esse maldito polvo!

E o toque final, a cereja do bolo: os espanhóis ofereceram 30 mil euros para assumir o polvo como mascote, depois das visões sobre o futuro da Fúria no mundial. Fala sério.

Chocado ficarei eu, quando as pessoas começarem a gostar e prestar atenção no que realmente deve ser notado. Enquanto dermos audiência para coisas como essa, indiretamente ficaremos mais ignorantes. Pra mim, esse polvo devia mesmo era ser colocado numa panela, junto com todas as coisas imbecis que me fazem não gostar de ver televisão.


E vale lembrar: o melhor ainda está por vir, quando a Rede Globo de Televisão resolver criar suas coisas divertidas para a próxima Copa do Mundo que será sediada aqui. E com certeza, vai ser mais "fantástico" que o Polvo Paul. Deus tenha piedade e ao menos leve o Galvão Bueno para perto dele antes da Copa.

Matou a jogada, goleirão.



Uma orgia e uma camisinha furada. Os ingredientes percursores da tragédia que já é mais comentada que a própria Copa do Mundo. E o que poderíamos esperar aparentemente destes ingrdientes? Talvez nada de absurdo, um filho que eventualmente nasceria, mas nada que fosse um problema, de fato. Engano. Não seria um grande problema se Bruno, goleiro consagrado do Flamengo, não tivesse cabeça fraca e tratasse do assunto de maneira correta.


Eliza Samudio, atriz de filme pornô, com poucos parafusos na cabeça e uma vontade incontrolável de ganhar dinheiro fácil, marretou a conciência de Bruno com seus depoimentos polêmicos e pedidos de pensão. Mas o que poderia fazer Bruno para se ver livre disso? Uma pessoa que ganha 350 mil reais mensais, certamente não sentiria lá tanta falta de apenas 10. Talvez menos, uns 5, se fosse à justiça e mantivesse tudo de acordo com as leis. E infelizmente Bruno preferiu renegar a criança, que diga-se de passagem não tem nada a ver com o assunto e crescerá sem a presença dos pais, sem nem saber do seu passado. Mandou 'amigos' sujarem as mãos e assassinar cruelmente a tal da Eliza. Mais que não ter piedade de uma vida, é tirá-la e dar o corpo aos cães. Chocante. Eliza não era nenhuma santa, muito menos agora, mas é certo de que o caso não deveria ter tomado rumos tão extremos e irremediáveis. E você acha mesmo que a culpa foi dos ingredientes? Pra mim, na verdade, foi de uma tal de irresponsabilidade. É, companheiro, responsabilidade mata. E se esse trocadilho foi realmente tão ridículo como todos os outros que estão circulando por aí, é mais ridículo ainda ter que imaginar que essa piada realmente aconteceu.

Parem as máquinas!

Perdi a criatividade... Simplesmente sofri de bloqueio, aqueles tempos em que não se sabe sobre o que escrever, nem pensar, sabe? É como sair do mundo e nada que você tente contar ou explicar faz um sentido decente. E não são poucas as vezes em que eu tenho esses bloqueios mentais-criativos, mas geralmente quando eles batem eu simplesmente não escrevo e não falo nada. Mas hoje é diferente; é um dia que, ainda assim, quero falar, pôr qualquer coisa pra fora. Pode parecer estranho, mas quando a gente sente que tem algo engasgado, escrever sobre qualquer coisa ajuda, de certo modo. Sim, eu sei, sou maluco, tenho Q.I. de uma samambaia de plástico, sou desprovido de noção alguma... Mas é minha pura vontade e pronto, me deixa. Todos já tiveram suas vontades loucas e não queriam saber se os outros achariam esquisito. E a minha vontade agora é escrever sobre nada, simplesmente escrever. Foi um dia conturbado, cheio de pensamentos, cheio de ideias, mas não consegui organizá-las a ponto que pudesse fazer uma crônica... e isso é tediante. Mas enfim, fica só na vontade mesmo.

Ah, agora sim! A criatividade voltou! Mas infelizmente a vontade de escrever já passou...

domingo, 4 de julho de 2010

Amor mexicano

Eu poderia começar esse conto de mil formas, mas optei por fazer uma pequena reflexão antes: Não importa quem seja, as pessoas acham que dançarinos de boate e/ou prostitutas não possuem vida amorosa. Não sentem atração por ninguém, só fazem aquilo por trabalho. Mas chamo sua atenção com essa história, só pra mostrar que qualquer um pode sentir amor, quando menos se espera ou até mesmo sente falta de sentí-lo. Pois bem, vamos ao que interessa.

Alejandro, como já devem imaginar pela introdução, é um dançarino. Não é por vontade própria, ele só não teve muita opção. Era mexicano e teve uma infância difícil. A família pobre, que mal podia se sustentar, foi, aos poucos, sendo desmantelada. Primeiro pelo pai, que morreu de câncer quando ele tinha apenas onze anos, e mais uns dois anos depois, pelo irmão mais velho, que tornou-se jogador de futebol e esqueceu completamente da família. Mas Alejandro, diferente do seu irmão, era muito ligado à família. Queria muito o bem de sua mãe e de sua irmã mais nova e mesmo com pouca instrução, sempre queria ajudá-las, pois o emprego como lavadeira de sua mãe era pouco para que eles vivessem; trabalhou até os dezoito anos numa fazenda. Teve de parar, pois o fazendeiro trocou as pessoas por máquinas, para acelerar a produção. E foi assim que Alejandro teve de virar dançarino. Por ser um jovem muito bonito, foi convidado para dançar numa casa noturna do Rio de Janeiro. Vendo que ganharia mais do que nunca ganhara e pensando apenas na mãe e na irmã, Alejandro aceitou o convite.
E por lá ficou. Aos 23 anos já era o dançarino mais caro da casa. Cobiçado por todas as mulheres, graças aos traços mexicanos exóticos, Alejandro lucrava muito e finalmente sua família podia viver decentemente, embora ainda não pudessem abandonar o México, mas o suficiente para que pudessem se mudar da pobre Iztapalapa para a bela Polanco. E por mais que tudo estivesse bem, ele se sentia triste. Era doloroso pra ele começar uma relação e ter de terminar uma ou duas semanas depois, simplesmente porque as mulheres não aceitavam que ele fosse dançarino. Mania de posse absoluta, sabe como é. No ambiente de trabalho podia à vontade, as mulheres achavam divino, mas fora dele... Ninguém aceitava. Alejandro se sentia só e com um baita dilema; queria muito encontrar alguém, se sentir apaixonado de verdade, mas não podia abandonar o emprego, por causa da mãe e da irmã. Foram anos de beijos, abraços e penetrações, mas isso já não o satisfazia mais. Queria uma pessoa pra ficar junto nas horas difíceis, pra sorrir, dar carinhos... Sim, Alejandro buscava o amor de sua vida. Mas como poderia conseguir alguém, sendo um dançarino de boate? Nunca gostou de esconder as coisas e sempre contava onde trabalhava para as moças com quem saía; automaticamente desistiam, pareciam não querer concorrência indireta. E isso o deixava cada vez mais triste. Por mais que gostassem dele, não queriam uma relação com alguém que tinha uma profissão 'diferente do convencional'. Mas o que poderia fazer? Será que nunca encontraria alguém? Já havia se apaixonado muitas vezes, mas sempre se desapontava. O amor é assim, formidável quando se sente, quando se tem aquela sensação de que está com a pessoa certa. Mas não sentí-lo é viver longe da realidade, correr sem direção. Não ter alguém pra amar dá angústia e Alejandro queria que sentissem amor por ele, mesmo depois de saber da sua situação.
Aos 25 anos já não tinha mais vontade de aparecer no trabalho. O salário foi diminuindo e ele nem gostava mais do ambiente selvagem das boates. Barulhentas, com falta de espaço e sem muita diversão; queria outros ares, mais tranquilidade, menos agitação. Mas como tudo na vida acontece da forma mais absurda possível, o mundo de Alejandro virou, numa noite de quinta. Casa ligeiramente cheia, com uma despedida de solteira marcada para as 19h, Alejandro foi obrigado pelo chefe a aparecer, após duas faltas seguidas. E foi lá, exatamente lá, que aconteceu. O amor é fantástico, ele acontece em qualquer lugar, seja num banco de praça ou na boate barulhenta. Alejandro olhou aquela mulher branquinha, de cabelos castanhos e com jeito de menina. Os olhos esverdeados, que ele podia ver brilhar mesmo nos flashs luminosos; era ela. Ele tinha certeza, podia sentir. Parou de rebolar e ficou olhando, hipnotizado, para a moça. A mesma, sem graça, não queria nem olhar para o palco, mas as rápidas vezes que olhava, seus olhos encontravam os olhos fascinados de Alejandro. E ele tratou logo de descer e foi em sua direção, mas não adiantou. Imediatamente foi cercado por mulheres ensandecidas, doidas para apertá-lo em todas as partes. Todas queriam tirar uma casquinha, menos a mulher que ele queria, que parecia não gostar muito do que via. Quando conseguiu se safar, foi somente quando chegou ao vestiário. Precisava trocar de roupa para falar com ela, ficar mais apresentável. Colocou rapidamente suas roupas e saiu novamente. As mulheres o queriam, mas ele recusava, não estava mais à trabalho.
A moça estava sentada. Com um vestido preto, sandália cinza e o cabelo solto; estava linda. Alejandro chegou perto e sorriu. Vendo que ela retribuíra o sorriso, mas de um jeito antipático, ele sentou-se ao seu lado para uma conversa:

- Ôla, qualês su nombre? - perguntou ele.

- Oi, me chamo Stefani. - respondeu ela, secamente, virando a cabeça para o outro lado.

- Você quieres dançar?

- Depende...

- Depiende de que?

- Depende de como você quer dançar.

- Como eo quiero dançar? Quiero solamente dançar cón você...

- Sei... Olha, deixa pra lá, eu preciso ir embora, estou odiando isso aqui. - disse Stefani, fazendo Alejandro engolir uma pedra de gelo.

- Mas pórque? Chegou agora pôco, non gostaste da cassa?

- Pra falar a verdade não, não gosto de ambientes assim. Vim porque minhas amigas me obrigaram, uma delas se casa sábado.

- Mas eo también non gosto. Trabarro aqui por non ter ôtras opiciones.

- Diz isso pra todas que você quer, não é?

- Non, és que...

E sem poder se explicar, Alejandro só pôde olhar Stefani levantar, pegar a bolsa e sair. Seu coração batia rápido, mas doía, não batia como de costume; estava completamente triste. Ficou com raiva do seu emprego, da boate, de si próprio por ter deixado a mulher que mais lhe encantou, por causa do que escolhera no passado. Cansou-se. E uma semana depois do acontecido, Alejandro preparou tudo que podia, arrumou um curso de graduação, abandonou o emprego na boate e acertou sua volta para o México. Sentia saudades da família, da comida apimentada de sua mãe; queria recomeçar.
Aprontou suas coisas e estava pronto pra sair da casa alugada em que morava. Checou os armários para não esquecer nada e quando abriu a gaveta da escrivaninha, viu papéis e um lápis. Por um momento riu e pensou em escrever alguma coisa, mas depois sentiu extrema necessidade de fazer aquilo. Pegou o papel e o lápis da gaveta, jogou as malas no chão, sentou-se na cama e começou a soltar os rabiscos:

"Nada que o sucesso podia me dar que tivesse mais valor do que eu perdi. A fama de dançarino, a cobiça de muitas e o dinheiro. Mas nada comparado ao amor exorbitante que senti quando vi aquela moça branca e a dor que senti logo em seguida, quando vi que a perdi pelo que fazia, e não pelo que era. Ainda lembro exatamente de como ela era e sei que não vou esquecer. É isso, burro fui eu. Mas o pior, foi eu ver que ela gostou de mim e não me quis pelo mesmo motivo de todas. Vida de mierda. Agora largo tudo e volto pra começar de novo em Polanco, se Diós quiser."

Assim que acabou, dobrou e guardou no bolso o pequeno parágrafo e saiu, já atrasado, para o vôo. Vendo que se fosse de ônibus não conseguiria chegar à tempo por conta do trânsito, optou por pegar um táxi no outro quarteirão para chegar rápido. E quando destino e amor se juntam, não tem como escapar. Em meio à correria, Alejandro dá de cara com Stefani, dessa vez menos elegante, de shortinho e camiseta, mas linda como da outra vez. A moça olhou-o sem graça e antes que pudesse começar a falar, ele a interrompeu, completamente nervoso:

- N-non quiero atrapalharte, já estoy de p-partida. D-desculpa pelo que aconteceu na cassa. E... Ah, toma esto!

E sem pensar no que estava fazendo, Alejandro jogou o papel no chão e saiu correndo pra pegar o táxi. Stefani ficou lá de pé olhando sem entender até que finalmente pegou o papel no chão. Quando leu, fez exatamente a cara de choque que vocês imaginaram e foi andando. Entrou na sua casa, que ficava no final da rua, foi para o quarto e parou. Olhou a casa, olhou tudo e respirou fundo...

Algumas horas depois, estava ela no aeroporto, dirigindo-se a seção de atendimento:

- Boa noite, quanto custa uma passagem para o México? Pra Polanco, hein...


Para Marianna Maroja, a que deu nome aos personagens (com muitas adptações do que ela realmente pediu rs :) .