quinta-feira, 27 de maio de 2010

Os agiotas

Severino era nordestino, morador de Cajueiro. Cabra macho, arretado, daqueles que gostam de matar a cobra e mostrar o pau. Quer dizer, esse não é exatamente o termo que podemos definir Severino, não se encaixa muito bem com o seu perfil de agiota. Sabe como é, matador profissional, fazia o serviço sem ninguém descobrir (não me perguntem, então, como ele era conhecido em Cajueiro, mas vá).
E por ser tão conhecido, Severina (criativo, não?) tratou de procurá-lo para um servicinho.

- Severino! - gritava ela. - Ô Severino!

- Fala, muié!

- Hômi, ocê é assassinadô, é?

- Se sô!

- Ah, bichinho, então ocê vai fazer um servicinho pra eu, uai!

- Vish, que que tu qué que eu faça?

- Ô hômi burro, tu num é matadô? Quero que ocê mate umas peste pra eu, que tão acabando cus meus pé de caju!

- Xá comigo, madâmi. Quanto ocê me oferece?

- Uai, eu devo ter um punhado de caju maduro, lá no seleiro!

- Ô Muié, ocê tá brincando cá minha pessoa? Eu quero é dinhêro vivo!

- Vish, hômi, tô pobre, pobre de marreco decí! Fica com os caju, é tudo que eu tenho, eu trabalho de lavadêra!

- Ôxi... Muié é um bicho brabo. Tudo bem, um saco de caju e nada menos!

- Negóço fechado!

E assim, os dois partiram para a pequena fazendinha de Severina, para que ele fizesse seu serviço. Ao chegarem, Severina lhe ofereceu um copo de suco de caju e falou para que sentasse no velho sofá da sala. E por ali permaneceu por mais de três horas. Cansado de esperar, Severino levantou e saiu andando pela casa, procurando por ela.
Ao entrar no quarto, não teve nem tempo para reagir; o gatilho já havia sido puxado e a única coisa que ouviu foi o BANG! da espingarda de Severina.
Com o corpo de Severino estendido ao chão, Severina caminha lentamente para fora do quarto. Na porta, ela vira-se para olhar o corpo e fala bem baixinho:

- Cabra maldito, pra tu aprendê a não saí dando tiro no cachorro dos outro!

Para Rebecca Feijó, a que deu nome aos personagens :)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Rapidinha da Semana #2

Nem "Billie Jean", nem "Beat it". A música de maior sucesso de Michael Jackson, no Reino Unido, foi "Earth Song", de 1996. A letra fala sobre o desmatamento, a poluição, da destruição da natureza em geral, pra ser mais exato. Talvez muitos de vocês que me leem, nunca tenham visto esse clipe. Apesar de ter recebido o Prêmio Le Film Fantastique de melhor clipe e concorrer ao Grammy, Earth Song nunca foi lançada como single nos Estados Unidos. O motivo? Os infelizes foram eleitos, historicamente, os maiores poluidores do planeta. Por essa razão, o clipe não foi ao ar por lá e consequentemente, não chegou por aqui como sucesso, nem nunca foi passado na televisão.
Vale a pena assistir, filmado em lugares ilustríssimos, mas que nunca foi mostrado pelos americanos.

http://www.youtube.com/watch?v=oJEqJ9yALx8

Assistam até o final; Michael Joseph Jackson, você é Rei!

Todo mundo quer ser poeta

Seria bom se essa frase-título fosse levada ao pé da letra. Ver que todo mundo quer se tornar um poeta, expressar os sentimentos em forma de versos e deixar tudo mais harmônico.
Mas não. A grande verdade é que qualquer Zé Mané que aparece com meia dúzia de frases soltas e palavras difíceis, é considerado um poeta. Qualquer um pode chegar, falar um monte de coisas sem sentido e receber a alcunha de filósofo, poeta, idealizador... Por que?
Os tempos dos grandes poetas da literatura já passaram; agora só restaram os que acham que são poetas. Aqueles que usam palavras sem nem saber o siginificado, usam só porque é palavra grande, diferente. E eu posso te provar...

No tilintar dos corações vis
Me deparo com a indiscrição da matriarcalidade
Sob qualquer pressão promíscua
De alguém que só quer... amar.

Viram? Um poema cheio de palavras difíceis, que provavelmente fala de amor, pois tem 'coração' e 'amar' no meio. Sabe o que isso significa? Porra nenhuma, não passa de um bando de versos soltos que não tem sentido algum. Mas com certeza alguém que o tenha criado diria que fala de um momento de sua vida em que ele se sentia pra baixo, com certa vontade de encontrar o amor de sua vida; pura falta do que fazer.
Deem mais valor às verdadeiras poesias, Aquelas que são o berço da nossa literatura e tem, de fato, algo a nos mostrar. Ainda que algumas também não falem exatamente sobre um tema, todas tem, ao menos, concordância textual. E parem de venerar pessoas que criam poesias como estas, a poesia é a expressão de um sentimento muito mais interior e bonito do que uma mera vaidade que é "achar que sabe escrever".

Mistureba Social



Você que me lê, deve saber como é difícil lidar com aulas monótonas, seja no curso, na faculdade, no colégio... Também deve saber que toda aula monótona gera conversas divertidas e algumas vezes até mirabolantes. Mas vá, isso foi só uma introdução.
Estava eu na aula da faculdade conversando com meu amigo, João, e depois de algumas risadas altas, nos deparamos com um dilema; daonde vem as receitas da sociedade? Pode parecer esquisito, mas como a sociedade teve paciência e audácia para misturar vários ingredientes para criar uma coisa só, algo que seria importante, gostoso ou simplesmente nada em especial?
Tente imaginar comigo... daonde veio a receita de bolo? Como nossos ancestrais descobriram que leite, ovos, farinha e manteiga fariam um doce? Algo que hoje é muito simples de fazer, mas que antigamente não existia. E não só das coisas simples vivem as receitas da vida. Pegando um exemplo que João deu, daonde eles tiraram a receita de preservação dos pergaminhos? É líquido pra lá, seca de cá, mais líquido ali, tira, bota, deixa o Zambelê ficar e por aí vai... Como as pessoas tiveram, perdoe a mediocridade da minha mente, saco de criar tais coisas? Francamente, se dependesse de mim (e do João), a sociedade não teria nem roda, nem fogo, ainda. A raça humana duraria aproximadamente uma semana, comendo grama ou qualquer coisa que tivesse pela frente, pois nunca que eu ia misturar ovo com leite.
Então não saia por aí dizendo que nosso mundo está atrasado... Nosso passado é rico em receitas sociais e tem gente ainda não sabe nem fazer a porra d'um bolo!

Rapidinha da Semana #1


Policiais do grupo Caveiras de Cristo montaram a banda Tropa de Louvor, que se apresenta nas comunidades pacificadas. "Se queres a paz, prepara-te para guerra", é a frase estampada, em latim, na parte de trás da camisa. Tudo em prol da paz e em nome do Senhor.

Tá de sacanagem, né...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Será que realmente amadurecemos?

Diziam os Iluministas que, à medida que crescíamos, ganhávamos conhecimento e aprendíamos a viver, deixando de ser apenas pequenos seres imbecis. Simplificando, os Iluministas diziam que criança só se tornava gente depois que virava adulto. Mas confesso que fico batendo cabeça algumas horas quando vejo tragédias, pessoas loucas e preconceitos da sociedade e fico me perguntando se aqueles adultos imbecis que vejo, são crianças que cresceram e não aprenderam. Se são adultos, não deviam ter conhecimentos e experiências? Se não tem, com certeza ainda não são gente, são apenas criancinhas grandes... E quem é o culpado disso tudo? A criança, oras, que não cresceu e aprendeu direito! Deprimente...
O ponto onde quero chegar, que com certeza ainda está meio vago é que: criança é o ser mais puro que existe no mundo. E só mesmo um bando de pensadores infames pra achar que crianças não eram nada antes de crescer. Para ser sincero, nós é que somos os seres imbecis. Não me entenda mal, também me inclui nesse grupo e digo sem titubear que nós, iluminados, que estragamos as crianças. Estragamos sim, por deixarem que vivam nesse mundo repleto de pesadelos e coisas ruins, que só acabam com a pureza de seus nascimentos. Tanto que quem preserva a pureza já recebe alcunhas, alguns dizem até que é dom.
Crianças não têm preconceito, crianças riem quando não pode, crianças não têm problemas e obrigações, só gostam de brincar... E nós? Um odeia negros, o outro espera que virem as costas para soltar um baita sorriso amarelo e inúmeros outros têm problemas na vida e nunca mais brincam.
Será que são realmente as crianças que são os seres imbecis da sociedade? Nenhuma delas tem culpa de ter nascido e bater de frente com um mundo inteiro de coisas absurdas. E boa parte delas acaba sucumbindo e deixa a pureza bem longe, tornando-se aquele adulto miserável que nem ri mais de piadas.
Devíamos mesmo era aprender com as crianças; todas devem ter alguma história pra contar. Saia desse país das maravilhas que você acha que vive e dê mais espaço para o seu lado criança. Quem sabe assim você seja burro como elas e nossa vida se torne mais maravilhosa que um conto de caróchinha.

P.S.: Foto do filme "O menino de pijama listrado". Recomendo, é foda! Além de você entender melhor o que eu quis dizer com esse post :)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Mistério de Avrantiun

Com certeza já deve ter notado que todo adolescente, com um pouquinho a mais de poder nas mãos, fica incrivelmente arrogante. E Hédilo, o Príncipe, estava muito mais arrogante, principalmente agora, depois de saber que seria coroado Rei de Waka-waka (nome ridículo, eu sei, mas a ideia não foi minha).
Não que Hédilo fosse mau, quem é mau é cruel, e Hédilo não era nenhum dos dois; era uma pessoa boa, que só queria tudo aos seus pés, com facilidade. E o seu servo (leia-se burro de carga, Bobo da Côrte, empregadinho, garçom e por aí vai), chamado Carlos, estava sujeito a todo tipo de exigência do jovem príncipe, o que o deixava extremamente irritado.
Mas pois bem... Como em todo lugar do planeta quadrado da época, corriam boatos e mais boatos pelo reino de Waka-waka, e logo chegou ao conhecimento de Hédilo, através de Carlos, que ele só tornar-se-ia Rei se conseguisse o Elmo de Avrantiun.
"Que coisa ridícula é essa?!", berrava o Príncipe. Seu pai nunca lhe contara sobre esse tal elmo e ele não fazia ideia de onde encontrá-lo. Precisava dele, sem o elmo não seria Rei. Então, tratou de tomar medidas; preguiçoso que era e sem um pingo de simpatia, Hédilo ordenou que Carlos fosse em seu lugar, em busca do elmo.
"Não posso ir em busca do que não me cabe, alteza...", dizia Carlos, tentando não perder a postura, mas o príncipe relutava. E debaixo de espadadas e gritos de "cortar-lhe-ei a cabeça!", Carlos foi obrigado a sair do castelo e partir em busca do maldito elmo.
Passaram-se dias, semanas, meses, até que finalmente Carlos retornou ao castelo. Logo que chegou, tratou de procurar o Rei Bartolomeu, pai de Hédilo, para uma conversa.
Após longos minutos, o Rei sai do saguão e vai em direção à sacada. A multidão começou a se reunir logo abaixo dele e, pedindo silêncio com as mãos, esbravejou:

- Povo de Waka-waka! Após longo período, eis que encontro o meu sucessor! Quero que todos o recebam com grande festejo! Palmas para Rei Hédilo!

E todos gritavam e atiravam chapéus para o alto, enquanto Hédilo recebia a coroa e acenava à todos. Fim... Que é? Esperava que Carlos fosse o rei? Primeiro: trouxa foi ele de ter passado perigos no lugar de outro que ele sabia que assumiria o trono. Segundo: Não importa a época, servo será sempre servo.

Para Gabrielle Melo, a que deu nome aos personagens :)

domingo, 9 de maio de 2010

Já deu seu abraço na mamãe hoje? E o seu obrigado?


Paremos e pensemos: há tempos que os jovens se padronizaram quando o assunto é ingratidão. Não uma ingratidão qualquer; estamos falando de uma falta de amadurecimento mental que bloqueia nosso afeto àquelas que são as rainhas da nossa existência. Sim, estou falando das mães, as principais responsáveis pelo nosso crescimento.
E excluindo-se casos adversos, tipo o Jason que não teve uma mamãe presente e ele se tornou um matador profissional, devemos, pelo menos, num dia ou dois, parar para refletir sobre tudo aquilo que devemos à elas.
Mas por que a tal da ingratidão? Pense em todas as noites que elas deixaram de dormir só pra nos dar carinho, nos choros constantes só por nos verem doentes. Naqueles momentos que, mesmo querendo a própria diversão, colocaram a nossa em primeiro plano. Pense nos dias em que a única coisa que queriam era descanso, mas se esforçavam de forma insuperável para nos dar sorrisos e conversar. Ouvir vozes infantis irritantes, mesmo quando desejavam só o silêncio.
E em meio a isso tudo, crescemos. Passamos a questionar tudo e ter uma relação de esporros, brigas... Impossível, claro, ter uma relação mãe-filho sem todas essas peças e engrenagens. Mas cada grito, cada faísca tem como propósito a nossa felicidade. E mesmo que não importamo-nos com elas, somos a única coisa com que elas realmente se importam na vida.

Por isso e pelo resto. Pelas histórias, estrelinhas, parágrafos e beijinhos no machucado. Por tudo e pela vida, sou grato e digo hoje, Dona Roza, que meu amor por você é inigualável. E não espere nada mais profundo, pois o que sinto vem bem lá do fundo do meu ser e não existem sequer palavras para demonstrar toda minha gratidão, pois se estou aqui e sou o que sou é graças à você.

"À você, mulher, que tem em sua essência a graça divina de gerar vidas, o nosso respeito, a nossa admiração e toda a nossa gratidão." Pe. Teófilo.

Parabéns pelo seu dia!

sábado, 8 de maio de 2010

"Tudo que eles fazem é pra nos prejudicar"

Você já deve ter ouvido ou pronunciado essa frase-título pelo menos uma vez na vida. Claro que ela é abrangente, e pode ser usada pra qualquer um, desde o governo ao caixa do fast food. Mas a minha postagem se direciona diretamente e sem amarras à Caixa Econômica Federal e a sua falta de respeito com as pessoas. Mas o que poderia fazer a "Marca do Xiszão" para prejudicar os outros? Simples: marcarem uma prova de concurso para pleno dia das mães.
Caro leitor, se você ficou chocado com o que leu, imagine como eu e mais um bando de milhares ficamos ao entrar no site do CESPE e ver que íamos ter que desmarcar aquele almoço com a mamãe porque íamos fazer uma prova de concurso? Desculpe-me, Caixa, mas além de termos deveres, temos direitos e isso inclui o direito de pelo menos descansarmos num domingo que provavelmente todos deveriam ficar em casa, curtindo a própria família. Ao invés de facilitar nossas vidas, por que não, dificultá-las, não é? "Opa, hoje eu acordei com uma baita vontade de fazer alguém se ferrar. Já sei, vou colocar a prova do Bancário Novo às 15h do segundo domingo de maio!"
E não venham dizer que era o único dia para ser agendado; se vocês executivos da empresa, tivessem que presenciar a seleção, provavelmente a prova seria dia 16... Ou 15, sabe como é, Empresário e Deus não trabalham aos domingos.
Podem se defender como quiserem, mas isso não mudará a conjunta ideia de que isso foi uma falta de consideração conosco, cidadãos cariocas, talvez mais que isso; uma forma ridícula de arrecadar R$27,00 de inscrições de mão beijada. Muitos candidatos desistirão de ir por causa da hora e do dia marcados e pagaram as incrições à toa (sem direito a devolução, claro). Eu provavelmente serei um que desistirei, principalmente porque meu local de prova, Campo Grande, fica a uma hora e quarenta e cinco minutos da minha casa, além de não querer ficar longe da minha mãe... Mais um dia.
Então trate de desmarcar seus compromissos, fale com a mamãe que a comemoração fica pra hora da janta e que ela vai ter que ficar sozinha das 13h às 20h, porque você tem provinha da Caixa Econômica pra fazer e não pode faltar. Você precisa desse emprego para ajudar nas despesas de casa, botar comida na mesa e não pode ser dar ao luxo de não comparecer por causa de uma comemoraçãozinha como o Dia das Mães.
Parabéns Caixa, Econômica até na hora de facilitar a vida de quem luta.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Ah! Quando a gente descobre...



Que as nuvens não são de algodão,

Que os animais não falam, mas nos entendem,

Que quando se é criança, tudo é divertido,

E que temos vontade de rir quando precisamos ficar quietos.



Quando a gente descobre que passar cola na mão e esfregar é algo fantástico,

Que pasta de dente Tandy não se come,

Que imitar o Cebolinha, o Power Ranger vermelho e o Scooby-Doo é extremamente difícil.



Quando a gente descobre o que é contra-mão e mão dupla,

Porque que a tevê de perto é cheia de coisinhas vermelhas, azuis e verdes,

Que adoramos usar as coisas dos pais pra se sentir mais adultos.



Quando a gente descobre que acordar cedo e fazer as coisas por obrigação é a desgraça mundial,

Que os pais são chatos sempre pelo nosso bem,

E você começa a achar que seu 'bem' é horrível.



Quando a gente descobre que os pais não são tão chatos assim e que eles são as pessoas que mais amamos na vida...



Quando a gente descobre que a prova de português, no colégio era hoje,

Que história é um porre, mas só até conhecermos física e química no ensino médio,

Que não importa o tamanho da nota, sempre pediremos ponto ao professor.



Quando a gente descobre que tem um dom,

Que gosta de fazer alguma coisa que ninguém gosta

E que por algum motivo, fará uma grande diferença no futuro.



Quando a gente descobre que tem prazeres, quereres, deveres,

Que sente saudades, tristezas, alegrias e ódios repentinos,

Que grita com a televisão, com o rádio e com a revista quando não concordamos com algo.



Quando a gente descobre o amor e não sabe nem expressá-lo,

Só sabe que alguém ali no meio lhe chamou a atenção,

E que não queremos nunca ficar sozinhos, depois que ficamos juntos.



Quando a gente descobre que se arrepende e sai correndo só pra dizer "eu te amo" pra alguém...



Quando a gente descobre que passamos anos para confiar e talvez segundos para odiar,

Que um tapinha no ombro às vezes vale mais que mil palavras,

E que um abraço cura qualquer coisa.



Quando a gente descobre que tem pessoas indispensáveis em nossas vidas

E não queremos deixá-las irem embora nunca, com medo que elas não voltem,

E que quando vão, viram passado, história e depois saudade.



Quando a gente descobre que perdemos quem amamos rapidamente,

Que a morte é um passeio demorado e sem volta,

Que erguemos a cabeça sempre depois de sofrer, porque temos a certeza que passaremos por muitas outras coisas à seguir.



Quando a gente descobre que nunca está satisfeito,

Mas que queremos sempre ser felizes

E viver como se nunca tivéssemos um fim.



Quando a gente descobre que simplesmente tudo acaba e não somos nada comparado ao complexo que é viver. Quando a gente descobre que somos desse tamaninho "."



Ah! Quando a gente descobre...

Vídeo de Ninfetas Japonesas transando com Anões Nigerianos

Inegável o fato de você ter começado a ler esse texto só por causa do título que lhe chamou grande atenção. Não por você ser viciado em pornografia (ou anões, que seja), mas sim porque tudo aquilo que nos soa bizarro certamente é mais interessante. E posso ir mais longe ainda com o mesmo argumento. "Vídeo do debate sobre saneamento básico na TV Senado" e "Vídeo da porradaria na Câmara do Senado". Francamente, em qual deles você clicaria?

Por muitas e muitas vezes ja citei por aqui como a nossa sociedade caminha a passos largos para o buraco (que pra mim, já é quase um Grand Canyon). Tudo porque as pessoas teimam em não utilizar o cérebro que Deus deu do modo certo. Somos detentores do raciocínio, do tico e teco mais desenvolvido e temos uma puta d'uma preguiça de pensar! E pensar abrange-se a ler, escrever, calcular e por aí vai. Pensar é algo tão simples e ainda assim só nos interessamos pelo que já está explícito, explicado e ilustrado; tudo que precise queimar um pouquinho mais de calorias cerebrais é motivo pra resmungo. E é nesse pragmatismo relaxado que deixamos de lado o que devia ser ao menos básico no nosso conhecimento.

O que escrevo aqui pode ser, pra muitos, pensamento de um idoso zangado que só sabe falar mal da vida, mas isso se dá pelo simples fato de que a mídia já conspirou contra quem está certo. Sim, o velho gagá está certo. Tudo bem que alguns falam demais, mas é corretíssimo dizer que falta um pouco de inteligência em tudo que é veiculado.
Deixemos de lado as programações chatas em troca de coisas que nos façam aprender sobre como argumentar, raciocinar, persuadir e ponderar. Refletir e expor ideias. "Ah, mas isso é chato!". Faustão também é e você assiste. Se trocarmos seis por meia dúzia, que seja algo ao menos instrutivo (e, cá entre nós, tudo pode ser melhor que Faustão). O grande problema é lutar contra o que já está inserido no nosso sistema. É quase impossível desmontar o circo que já está armado, ainda mais porque o circo é o principal centro de audiência. Choro e tragédia dão audiência. Vídeos imbecis dão audiência. Programas infundados dão audiência. Cultura em geral, política e afins não dão audiência. Não precisava ser assim. Bastava um pouquinho de vontade para que as pessoas se interessassem por coisas mais inteligentes, pelo menos que me fizessem mudar o título do texto. Somos abençoados por Deus e bonitos por natureza, mas isso não deve se limitar apenas a geografia e ao clima. Com certeza, se a sociedade fosse menos voltada para o desnecessário, eu não precisaria entitular meu texto de Ninfetas Japonesas com Anões para chamar sua atenção pra ler o que escrevo.
Cultivemos coisas melhores para que, no futuro, tudo possa ser um pouco menos ridículo. Sei que é quase impossível para vocês, meros seres humanos, se esforçarem para disponibilizar de coisas que só lhe farão bem, mas sabe como é, o importante mesmo é ter fé. E só com uma baita fé pra que, um dia, tudo possa mudar pra melhor. E acredito eu que essa mudança virá só na próxima era glacial e eu não vou estar aqui para presenciar. Ou será que vou?