sábado, 23 de janeiro de 2010

Êta saudade...

Todos os nossos sentimentos receberam um nome para que pudéssemos expressar de forma clara o que estamos sentindo em exato momento. O Amor, a Dor, o Ódio, a Felicidade. Nenhum deles têm significado específico, mas certamente nós, que os vivemos, sabemos como cada um funciona.
Mas se tem um que me intriga por demais é aquela tal de Saudade. Essa palavrinha aparece sempre na poesia e na literatura de forma diferente e ao que me parece, ela mescla todos os sentimentos numa sensação esquisita que só nós sabemos sentir. A saudade dá amor, tristeza, arrependimento e, acredite se quiser, alegria... tudo ao mesmo tempo.
Shakespeare já dizia que a gente "Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa." Essa sensação de vazio, de querer de volta é a saudade. Chamemos então de saudade a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar, a distância entre o que já foi e o que já não é, a prova de que o passado valeu mesmo a pena... saudade é simplesmente tentar viver de novo o que já passou e não conseguir.
Seja um dia inesquecível ou uma pessoa insubstituível, ela sempre baterá quando lembrarmos do que um dia fez da nossa vida agradável. E eu sinto muita falta, mas se tudo passa, por que ela não pode passar? Deixar de existir eu sei que ela não deixa, mas pelo menos ela sossega e eu vivo só com uma prazerosa lembrança.
Talvez a saudade seja pior do que o esquecimento, Chico, mas certamente é melhor tê-la do que caminhar sozinho. Que alguns detalhes se percam, mas que ela permaneça.

Vendo Ser Humano

Em bom estado, tudo no lugar. Fala como se tivesse duas bocas; ouve como se tivesse uma orelha e tem uma certa dificuldade para enxergar o que, às vezes, está bem na sua frente.
Não lhe falta nada, tem pernas e braços. Às vezes troca os pés pelas mãos, mas nada que não seja solucionável se tratado de imediato. Faz tudo que um ser humano comum faz: cumprimenta, anda, respira, pensa e agradece, come e dorme, dorme e come.
Não atrapalha em nada, desde que não contrariem suas decisões.
Seu único problema é o coração; quebra fácil, tem sérios problemas com saudade e precisa de doses diárias de alegria para não estragar. A tristeza aparece sem motivo, tome cuidado porque é contagiosa quando se evidencia (é só dar amor que dentro de poucos minutos os sintomas passam).

Recomendações: Não dê poder demais; dá defeito com facilidade.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Carpe Diem

Essa é a verdadeira sensação de liberdade e alegria que eu queria sentir.
O nascer-do-sol, o baque cristalino das ondas, o som do companheiro de seis cordas e a certeza de que nada, nem ninguém poderia estragar tal prazer.
A felicidade é criação minha, nossa, humana; não veio da natureza. Quem a gera somos simplesmente nós e a vida hoje é bela pra mim porque vivo o Carpe Diem.
Certamente o Paraíso é aqui e provavelmente só aqui, onde encontro a tranquilidade de uma vida em uma semana e meia.
Meu paraíso existe, caro amigo. O melhor dele, da vida em si, é experimentar as mais maravilhosas sensações e logo em seguida se sentir extremamente leve por não ter acordado de um sonho; isso tudo é real.

Cabô-se o que era doce

Não preciso disso pra viver. A vida é muito para ser compassada pelos passos dos outros. Eu passeio na minha vida sozinho, vou deixar tudo correr como um rio, nunca o mesmo de águas, mas sempre igual de rio, fluindo calmamente.
Agora, depois da calmaria, não espero tempestade. Não espero nada, apenas deixar que venham pedir meu compasso.
Depois de sair do paraíso, tudo me parece solene, e vejo tudo que pode ser pior com a tranquilidade do monge.
" - Que se fodam, sou mais eu e não perco mais minha identidade e minha postura por ninguém."

Jaconé (Paraíso) Cabanas Parque

Nada no meio de lugar nenhum.
Lugar nenhum no meio do nada.
Não há movimento, pessoas estranhas, civilização.
Não há trânsito, cotidiano, sequer informação.
Só há o verde, o azul, o amarelo, o vento e a simplicidade do que se entende por viver;
Aqui só pode ser o paraíso.

Se conseguir ler, manda um sinal

Se você é capaz de me ouvir, saiba que a saudade não para de bater
Sinto falta de tudo aquilo que, um dia, fez da minha vida a coisa mais linda
Não angustie-se, a vida segue tortuosa, mas você deixou tudo pronto, com dicas sobre o que é viver
Simplesmente amo você
Até algum dia com certeza
Beijos, pai.
As pessoas sempre vão embora
Não importa quem seja, quando seja, aonde seja...
Elas simplesmente vão.

Menina

Doce deletéria menina, por que partiste?
Boas passagens, aventuras, e a saudade insiste
Abandonas o que ja ficou pra trás
Caminha comigo, que por ti gosto assaz

Descompassei, certeza que sim
Não quero perdeste cheirosa rosa,
Que me domina como arlequim
De forma sutil, sem muita prosa

Espero-te de largo branco sorriso
Para que não mais descompasse em terreno quiçá mais liso

Não... agora já consigo perceber
Fica aí, no teu canto, vida agora é a que segue intransponível
Já te disse, meu bem, o que era surreal, tornou-se quase impossível
E a doce menina, certamente não mais quero ter.

Felicidade

Ah, a felicidade! Sentimento puro, repentino como o amor, vertente de uma alegria.
Para alguns vêm de coisas simples, para outros do dinheiro (insanos deveras, estes) e tantos outros caminhos que levam ao sentimento mais doce que alguém pode ter.
À mim não falta. Não, nem, um pouco; a minha felicidade vem de um paraíso quase particular, das palavras que tocam, da dita felicidade estampada em terceiros amigos, do prazer que é viver desavergonhado.
Achei que faltava, um dia, mas a gente percebe que ela se esconde, e, quando a achamos, a sensação é boa, deliberadamente agradável pode-se assim adjetivar.
A felicidade, sem dúvida, é o melhor remédio para quem já se machucou de amor e já foi doente de ódio. Felicidade tamanha que me invade, continua aqui e faça da minha vida o belo azul do céu, onde eu possa passarinhar; você não é dispensável no meu pulsar.

Adeus não, Até breve

Já é chegada a hora de partir
Não de abandonar, apenas sair
Deixar pra trás o que me deixa nervoso
Pra recriar uma mente que, de tão cansada, pensa desgostoso

Entenda, não é raiva, só impaciência
Quando tudo voltar ao normal e o paradigma ganhar sentido
Volto pra cá e sigo minha existência
Como se nunca tivesse ido.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Aos Eternos Amigos

No meu recanto, lembro de uma memória só minha e penso em todos aqueles que já foram, que estão, e que virão.
Os que já foram, que dão saudades e lágrimas de mar, me trouxeram um dia a felicidade de 1.000 anos em corpo de 15 e ainda me fazem crer que tudo tem propósito, um começo, muitos meios e um fim. Os que deixaram memórias, vontades e pedidos, e deixaram também, de página marcada, lembretes e dicas, um futuro. Um futuro pra nós que continuamos aqui, tentando recuperar o chão que quase perdemos. Aos que já foram, que deixaram em mim a doce saudade e a certeza de que não estou só, obrigado.
Os que estão, que me enchem de razões para estar também, que protegem e querem ser protegidos, que pulsam voluntariamente por mim, que ainda me fazem aprender sobre tudo que não sei e achava que sabia. Os que me mostram que a vida não para quando termina para alguém, e que me fazem sorrir quando tudo mais parece pender pro lado do choro. Aos que estão, que fazem da minha vida uma realidade ainda mais bonita, obrigado.
Essas pessoas, chamo de amigas. As que me fazem passar por todos os momentos bons da minha vida, que me matam de rir quando devia estar me matando de verdade e me fazem ver que muito ainda está por vir e não existem motivos pra parar na metade do caminho por tão pouco. Por vocês não desisto e por todos que ja foram, faço tudo para que tenham orgulho da minha persistência. Como diria Chaplin, a vida é muito para não ser vivida, e, complemento meu, vivo para todos que vivem por mim, e para os amigos, meu eterno agradecimento, vocês fazem da minha vida a coisa mais bela que se pode existir.
E aos que virão... ora, bem vindos!

domingo, 10 de janeiro de 2010

Coração, Papel e Tesoura.

Entenda como quiser, o coração é involuntário e pulsa sozinho; a vontade dele também. Pulsa, pulsa, que chega a ser engraçado quando vejo, agora sempre, pulsar de cabeça pra baixo. Nada mais natural do que senti-lo bater rápido por alguém que te olha como se não sentisse bater. Paradigma do amor é encher de carinhos, afetos alguém que fica de saco cheio de recebê-los. E não se cansa, persiste em pulsar, e ela parece nem perceber que o involuntário pulsa voluntariamente por ela. Pare pra pensar, usemos o paradigma à favor. Se o melhor não adianta, pise. O alguém vem até você e, surpreenda-se, vai começar a pulsar por você. Afinal você a faz feliz do jeito que é: rude e insenssível. Pode parecer estranho, mas, meu caro, é assim que funciona, o valor nem sempre é reconhecível e o mocinho sempre quer virar vilão no final; o vilão ganha.
Vejo os corações de ponta-cabeça e me pergunto: por que sou diferente? Ja dei sinais de infarto muitas vezes por alguém e foram desprezados. Ja dei meu coração de caixinha para alguém e foi devolvido. Ja o abri e quis colocar alguém dentro, espaço não faltava, mas o interesse de alguém sim.
Agora, de coração fechado, busco um caminho novo, onde possa aproveitar o deletério que é ver os corações de cabeça pra cima infartarem na minha frente, e como pedra, nem pulsar a emoção de vê-los.
Se é assim o paradigma, que siga. Afinal, graça é nem sentir pulsar, ingrato é pulsar por nada.