quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A generosidade do Senado

O Brasil vive um dramático dilema: são tantos problemas pra resolver, que não se sabe ao certo por onde começar. Onde devemos investir primeiro? Na saúde e no saneamento básico, talvez ou quem sabe na educação... coisas que mudariam pra melhor (bem melhor, diga-se às pressas) a vida de milhões de brasileiros. E foram com todos esses problemas, que nossos célebres parlamentares resolveram a equação e tomaram a brilhante decisão: aumentar em quase 70% seus próprios salários! Que ideia genial!
Um brasil que falta verba em todas as partes, em todos os cantos, agora pode ficar despreocupado, pois os nossos deputados e senadores vão desfrutar de uma qualidade de vida imensurável. Não só eles, mas também os ministros, o presidente e a galera toda que, pasmem, tiveram um aumento de quase 150%.
Chocante? Até que não. Só acho um tanto quanto injusto que estes recebam 40 vezes mais que outros servidores públicos do país e mais de 400 vezes que a maioria da população. É o Brasil passando fome, necessidade, doença e outros problemas deveras injustificáveis... e o bando de loucos ganhando mais e mais às nossas custas.
Nossas suadas mãos, calejadas de tanto trabalho e empenho. A recompensa não é nada generosa; chega ser pra lá de absurdo trabalhar 22 horas por dia e encher o bolso com míseros trocados. Nossos políticos? Bem... er... estão no ar condicionado, falando bobagem, trabalhando 3 vezes por semana, 4 horas por dia. E você se pergunta: por que diabos não me candidatei a deputado como o Tiririca? Ele é burro, mas pelo menos é rico... mas eu votei nele, então eu sou burro? Na matemática infame da ordem e do progresso, o resultado é ESSE: meu Brasil!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Rapidinha da Semana #17

A Santa Casa de Misericórdia que administra o Hospital São Luiz Gonzaga está consternada: Stephanie, de apenas 12 anos, foi morta este sábado (4) por um pequeno descuido dos médicos, que injetaram em sua veia cerca de 50ml de vaselina, ao invés de soro. O problema é que os frascos eram idênticos e ambos os líquidos eram incolores. Apesar de o nome de cada produto constar na etiqueta, quem quer que tenha medicado Stephanie provavelmente não viu o que estava escrito e injetou a vaselina no sangue dela.


Os dois produtos têm funções completamente distintas: enquanto o soro é aplicado, por exemplo, na veia de pacientes que sofrem de desidratação, a vaselina é usada na pele contra queimaduras e na lubrificação de aparelhos para exames médicos. A polícia investiga.


É impressão minha ou esses 'pequenos acidentes' estão ocorrendo cada vez com mais frequência? Falta de atenção agora virou moda pra culpar mortes em hospitais e todo mundo acha que isso é algo muito inocente para um profissional da área, que teima em mostrar incompetência. Que todos tenham mais cuidado, de agora em diante, pois uma vida não é qualquer coisa.

sábado, 27 de novembro de 2010

Entrevista com o 'tio' do craque

A história pode parecer clichê, afinal, a grande maioria dos jogadores de futebol vêm de famílias pobres e tornam-se ícones de superação. Me lembro como se fosse ontem, daquele garoto magrelo de olhos desconsolados, jogando bola no campinho de barro da minha rua. Ele é filho de um grande amigo meu, hoje já falecido, Roberto; podem conhecê-lo como têta, não faz lá muita diferença. Pegou esse apelido porque adorava apertar o peito dos outros e odiava que apertassem o seu. Mas enfim, isso não é algo que interfira na história, muito menos que você precise saber. Falo do menino magro, boleiro quase desde que nasceu. Queriam Roberto Júnior, pra lembrar o pai, com quem parecia muito, mas acabou ficando Valterson, por causa da mãe, baiana por sinal. Não sei por quê essa mania que baiano tem de colocar 'son' no final de todos os nomes, mas vá.
Valterson, como já disse, cresceu jogando bola no campo de barro, na pequena comunidade do morro do... da... como era mesmo? Enfim, na comunidade aí onde eu morava, que já nem existe mais praticamente, maldita violência. E, como muitos outros garotos, seu sonho era ser jogador. Não só pela própria vontade, mas é que seu pai, o têta, adorava futebol e sempre quis que o filho fosse um goleador de seleção. Para encurtar, graças a toda dedicação de Valterson e seu pai, eis que o menino conseguiu sua vaga nas divisões de base do Flamengo, seu time de coração. Meu também, não nego, mas esqueça, estou encurtando a história. Lá no Flamengo, aprendeu de verdade como se jogava uma bola; juntou aquele talento de moleque de rua com as técnicas refinadas do bom futebol profissional e logo virou um pequeno craque, pretendido por times e mais times de todos os lugares, até de fora do Brasil.
Em menos de oito anos (entrara com doze, se não me engano), Valterson já estava entre os profissionais! E o pai, orgulhoso que só, ia a todos os jogos. Fazia questão de pagar o ingresso e a passagem, como sempre fez, apesar da situação financeira ruim. Nunca quis o dinheiro do filho, sempre lutou para manter-se com o que ganhava, lavando carros, entregando gás, catando latinhas e até mesmo pegando chapinhas de garrafa para uma coleção que tanto gostava... muito tempo depois, Valterson viria a dar uma casa pra ele, como recompensa por tudo que fizera, mas calma, vou chegar lá.
Foram cinco anos de Flamengo, com conquistas e glórias. Naturalmente, por ser um jogador diferenciado, não aguentou a pressão do exterior e foi vendido para o Internazionale, da Itália. Com o Euro em alta, enriqueceu em menos de duas temporadas, se tornando um dos jogadores mais bem pagos de toda Europa. Temos tempo? Não? Tudo bem, vou cortar a parte da Copa, do título de melhor jogador... leiam na biografia do menino, daqui a um tempo.
Confesso que o que mais me impressionou nesse moleque danado, foi que nunca esqueceu suas raízes. Sempre que tinha uma folga, pegava o avião e vinha até o Rio, ver a família e levar presentes pra todos, até pros velhos amigos da favela. Numa vez, comprou uma casa de três andares (viu, cheguei lá) perto da comunidade, para que seus pais e sua vó morassem. Sempre foi muito querido e nunca escondeu de ninguém que veio de família pobre, isso sempre foi lhe ensinado pelo já muito velho, têta.
Agora já foram onze anos de carreira e Valterson sentiu que era hora de voltar para o Brasil, ficar mais tempo com a sua gente, sentir-se em casa. Ficar com seu pai, que sentira muita falta.
Voltara em meados de julho. Voltou, claro, para o rubro-negro carioca. Viu e ajudou seu time a se classificar para a Libertadores do ano que vinha; ia passar o Natal feliz da vida. Iria, se a vida não fosse lá tão desanimadora.
Na noite de Natal, estava uma alegria só. Valterson já havia dado todos os presentes que comprara, o mais barato beirava os 500 dólares. A família, em recíproco e querendo agradar, deu presentes caros também: par de chuteiras, cordões de prata e roupas caríssimas! Todos, menos têta, que tirou uma caixa de sapato velha de dentro do armário, mas não quis entregar, talvez estivesse sem graça, eu não estava lá pra ver. Disse que entregaria no momento certo. Mas já no meio da ceia, têta sofreu uma parada cardio-respiratória. O curioso foi que no meio do desespero da família, ainda pediu que levassem a caixa de sapato velha para o hospital, mas que não a abrissem.
Já no hospital, têta foi colocado na UTI, em constante observação dos médicos e acompanhado da família. Todos estavam do lado de fora, menos Valterson, que quis ficar ao seu lado o tempo todo.
Seu pai, que havia sido sedado, acabara de acordar. Estava com os olhos marejados e quase fechados. A voz estava fraca, muito baixa, por causa do remédio, mas ele queria falar alguma coisa. Com o pouco de energia que tinha, apontou para a caixa de sapato ao seu lado. Valterson a pegou e abriu. As lágrimas não paravam de escorrer pelo seu rosto. Era a velha coleção de chapinhas que seu pai colecionara quase a vida toda. O velho ainda teve forças pra sorrir e balbucear:

- F-f-feliz na-natal, filhão...

- Valeu pai, disse o menino magrelo, com os mesmos olhos desconsolados... foi o meu melhor presente.

E com essa pequena troca de conversas e olhares, meu amigo têta fechou os olhos novamente, dessa vez pra sempre. O Valterson? Bom, encerrou a carreira no ano seguinte e abriu uma associação para crianças pobres, batizada de Roberto Júnior.

domingo, 21 de novembro de 2010

Quando o sofrimento vira marketing

Quando se vive num mundo globalizado, tecnológico, com informações circulando 24 horas por dia, é provável que, em algum momento, você já tenha recebido um e-mail. Não um e-mail qualquer, estou falando das (malditas, escrotas e insuportáveis) correntes.
É só uma questão de pontos de vista, algumas pessoas realmente gostam delas e enviam todas que recebem, talvez até pra mais pessoas do que ela pede. Mas esses dias, algo me chamou atenção nas correntes que estão sendo passadas e repassadas e infelizmente percebi que existem ser humanos sem o mínimo de compaixão que, além de veicular informações falsas, fazem do sofrimento alheio uma brincadeira de péssimo gosto.
Aparentemente, trata-se de uma informação importante com suas letras grandes dizendo 'URGENTE'. Lê-se aquele e-mail pedindo ajuda para um bebê que nasceu com um tumor cerebral e um câncer e a cada mensagem enviada, os pais ganhariam X centavos para o tratamento. E logo eu, que nunca fui de ligar pra correntes, enviei uma pela primeira vez. A segunda, a terceira... Até que um dia, recebo uma outra completamente diferente, com pais diferentes, apelos diferentes e doenças diferentes, mas com um único detalhe: a foto era a mesma. Por que fazer isso? Falta tanto amor assim, a ponto de que pessoas vejam graça na compaixão de outras?
Ainda houveram muitas outras, com animais, adultos, idosos... e todas elas por mais emocionantes que fossem, já haviam passado pelo meu computador com outras versões. E agora, com toda essa mentira, em qual devo acreditar? Qual delas realmente é um apelo de verdade?
Não somos dotados da racionalidade à tôa, portanto usem suas cabeças para algo que realmente preste e não sejam infantis pela vida toda, achando que é legal ver 500 pessoas repassando e-mails falsos, achando que estão ajudando alguém que só existe na cabeça entorpecida de vocês. Vocês aí mesmo, desocupados de plantão, fazendo marketing de problemas que não existem; se querem salvar suas vidas, enviem esse texto para 15 pessoas e apertem f7; uma coisa maravilhosa vai acontecer: eu vou ganhar 15 visitas no meu contador. Se não enviarem, vão todos morrer afogados numa demência sem fim, sendo obrigados a passar essas correntes para sua própria família, com sua própria foto, com seus próprios problemas. Não custa nada enviar, são só 2 minutos do seu tempo e mil horas de aborrecimento pro mundo à que elas estão ligadas.

domingo, 7 de novembro de 2010

vExame Nacional do Ensino Médio

Daí você se prepara um ano inteiro: são noites em claro, dias em que abandona festas e amigos para que, no final do ano, você seja capaz de realizar uma boa prova e atingir o tão sonhado objetivo, de ser aluno de uma universidade federal. A expectativa é grande, a concorrência também, mas alguém que tenha 'desperdiçado' quase 300 dias de sua vida, trancafiado no quarto estudando para uma bateria de provas vestibulares, o resultado pode ser favoravelmente fantástico. Até seria se o ENEM não voltasse a mostrar sua incompetência.

Como se já não bastasse o ano anterior (2009), em que a prova vazou e foi adiada 2 dias antes de ser aplicada (a nova prova só foi realizada em dezembro), o que prejudicou algo em torno de algumas 4 milhões de pessoas. Coisa boba. Mas essa galera é persistente; em agosto deste ano, uma nova dor de cabeça, dessa vez com a falha no sistema do Inep, que permitiu o acesso a dados pessoais como nome, RG e CPF de quem prestou os exames nos últimos 3 anos.

E agora, meus queridos, sabendo de todos esses pequenos problemas decorrentes da falta de organização, será que esse ano o exame transcorreria sem dificuldades? Não. É como se fosse um teste emocional, todo ano tem algum impasse diferente. A bola da vez do ENEM 2010, foi o erro de impressão dos cartões-resposta, algo que poderá levar (pelo segundo ano seguido) à anulação da prova na Justiça, visto que a Defesoria Pública da União vai pedir ao Minitério da Educação (consagradíssimo MEC) um novo exame para substituir o que foi aplicado ontem, para mais de 3 milhões de estudantes em todo o país. O que causa indignação não é o erro de fato, mas sim a displicência de percebê-lo APENAS no dia do exame! Passou-se quase um ano de inscrições, era mais que tempo para perceber um erro em algo tão importante, como o cartão-resposta, local onde o aluno colocaria, perdoem-me a redundância, suas respostas.

Para entender melhor, os alunos tinham 90 questões a serem respondidas, em primeiro lugar, as de C.Humanas (1 a 45), e depois as de C.da Natureza (46 a 90). Porém, no cabeçalho do cartão-resposta, a ordem estava invertida. O que teve de fiscal falando pra inverter, seguir ordem, dizer ambos e dizer pra RASURAR depois não está nem no gibi. O Inep tentou suavizar a questão e disse que o transtorno ocorreu em todo o Brasil e que os fiscais foram orientados a passar a informação aos estudantes de ignorarem o cabeçalho... só no dia da prova, pra avisar?

O segundo dia de provas está rolando agora e nem sei que surpresas virão, mas com certeza milhares de estudantes serão prejudicados, uma vez que bagunçaram seus cartões por culpa do sistema e não deles próprios. Apenas mais uma demonstração da fragilidade do ministério, que provavelmente tem como base 'culpar o número excessivo de candidatos' e que 'não é fácil lidar com milhões de pessoas'. Oras, se fosse difícil assim, não unificassem o vestibular para ficar cometendo esses erros grosseiros, desrespeitando as pessoas que se sacrificam para estar lá, garantindo seu futuro. E aí, MEC, qual vai ser?


p.s.: desculpa, não sei mexer em photoshop, mas a intenção da foto é a que vale!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Mar tímido

São poucos aqueles que se aventuram a encarar a força do mar. Olhar as ondas baterem contra a areia e sentir uma baita vontade de enfrentá-las; acordar cedo e sair, munido apenas de uma prancha, partindo em direção ao imenso azul. Mas a caminhada é longa: quem quer subir nas costas do oceano não pode simplesmente entrar lá e achar que sabe nadar. Saber nadar é o menor dos problemas, uma vez que para ser um autêntico surfista como Andy Irons, é necessário sentir-se parte do mar.
Para Andy, a praia e ele eram um só. Do caminhar descalço pela areia até sentir o gosto de sal nos lábios, era uma distância curta e proveitosa, que poucos conseguem entender. Esse sentimento pelo surfe se fez desde criança, quando ele tinha apenas 8 anos. Desde lá, Andy ia percebendo toda a magia da praia. O dorso agitado do mar era um fascínio a mais e a areia quente era uma eterna plenitude, em que ele se sentava pra sentir o vento e olhar as ondas quebrando-se nas pedras.

Tamanho era o amor de Andy Irons pelo surfstyle, que o garoto cresceu surfando e com apenas 18 anos sagrou-se campeão de sua primeira competição profissional. De lá pra cá, foram três títulos mundiais e dois vice-campeonatos, ficando atrás apenas do inigualável Kelly Slater. E foram com essas premiações que Andy tornou-se um dos maiores campeões da década, ficando famoso pelo mundo do surfe e sendo espelho de muitos pequenos surfistas.

E como todo grande homem que sai de cena abruptamente e deixa histórias pra serem contadas, eis que Andy despediu-se do mundo para tornar-se uma lenda. O surfista havaiano morreu na cidade de Dallas, por ter contraído dengue hemorrágica, abandonando o circuito mundial pela metade. Não só ao circuito como também sua esposa, Lyndie, grávida de 8 meses. E mais que deixar este mundo, Andy Irons também deixa uma ferida grande no coração dos surfistas, que só vai se cicatrizar à medida que seu nome for se tornando um dos maiores da história do surfe, pelo carisma, simpatia e jeito tranquilo na areia e pelo estilo ofensivo e ferocidade dentro do mar. As ondas agora, com certeza ficarão mais tímidas...

Parabéns Andy Irons, pela vitoriosa carreira e pela pessoa que você foi. À você, minha singela homenagem.



Andy (Messias) Irons - * 24/07/1978 + 02/11/2010.

Rapidinha da Semana #16

A candidata do PT, Dilma Rousseff, venceu a disputa pela presidência da república e tornou-se a primeira mulher presidente do Brasil. Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com 93% das urnas apuradas, Dilma já havia conquistado mais de 52 milhões de votos, o equivalente a 55% dos votos. A petista derrotou José Serra (PSDB), que conquistou apenas 45%, o que representa quase 42 milhões de votos. Aos 62 anos, a mineira assume no lugar do populista Luís Inácio Lula da Silva durante os próximos 4 anos.


Senhor! Tenha piedade de nós... De todo modo, parabéns à candidata e que ela faça merecimento a grande quantidade de votos que recebeu, senão o circo brasileiro vai pegar fogo. Bem mais fogo.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tiroteio verbal


Quem assistiu aos últimos debates à presidência do Brasil (exibidos por RedeTV! e Rede Record), pôde perceber claramente que a campanha de ambos aí da foto desandou para a baixaria. Uma eleição que transcorre num cenário de crescimento econômico, que deveria girar em torno das propostas e projetos dos candidatos, algo que foi prometido, inclusive, desde o início de suas candidaturas, há quase oito meses. O grande problema, é que ao invés de debaterem suas propostas, o que se viu foram ataques diretos de um contra o outro, acusações mentirosas, anônimas e pancadaria verbal. Mas o que acarretou toda essa baixaria? Acredito eu que tenha começado em meados de abril, quando as pesquisas indicavam uma larga vantagem do pré-candidato Serra. Lula, então, percebendo a desvantagem de sua sucessora, percebeu que era hora de um apoio consistente; nada melhor que o apoio do próprio presidente para alcançar a vitória. E fazendo propagandas na televisão e ocupando o horário eleitoral, Dilma se tornou a favorita.

E então começaram a vir os altos e baixos de cada um. Vendo que não teriam chance contra o 'Presidente Popular', os oposicionistas começaram a retalhar a imagem de Dilma, se aproveitando de questões religiosas e o 'Fator Erenice'. E de uma eleição que, para os petistas, estava ganha ainda no primeiro turno, Serra encostou novamente nas pesquisas, abrindo caminho para o segundo turno das eleições. Aí, meus caros, foi a vez do PT de atacar e retalhar a imagem de Serra, utilizando-se de boatos sobre sua suposta intenção de privatizar o petróleo do pré-sal (algo que se tornou a plataforma de campanha de Dilma, mas que na verdade nem fora devidamente explorado pela falta de coragem de investir bilhões e bilhões em sua exploração). O clima, logicamente, só poderia esquentar...

Agora apertem os cintos, cidadãos brasileiros: podem esperar ataques muito mais pesados nesta última semana e isso já se comprova no debate de hoje, exibido pela Rede Record, onde todas as perguntas feitas pelo candidato Serra não foram respondidas pela candidata Dilma e vice-versa. Só nos resta esperar pra ver se mais bolinhas de papel e bexigas d'água vão continuar sendo atos da mais pura criminalidade.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Natal Flocos com Bacon

Meus queridos! Como toda pessoa normal deve saber, já estamos em outubro e o Natal se aproxima. Época de reunir-se à família, celebrar, ganhar presentes e engordar mais uns 10 quilos de tanto comer aquelas benditas rabanadas da vovó e o pernil mais gordo do mercado.

Porém, por mais que seja divertido para nós, pra muitos outros (principalmente crianças), o Natal é tristonho, simplesmente por não ter ceia pra comer, presentes pra abrir e até mesmo uma família pra celebrar. E são justamente nessas horas que eu sinto mais pena e mais vontade de ajudar. O problema é que não vou conseguir fazer isso sozinho, portanto aqueles que estiverem dispostos a apoiar, peço que entrem em contato comigo para que possamos, juntos, fazer um Natal mais feliz para muitas crianças que ainda precisam desse espírito natalino nos corações.

Eu sei que a situação ($$$) está difícil, pra mim também está... Mas se todos ajudarem, não será necessário um gasto muito grande. Se você tem brinquedos que guardou que nem usa mais, roupas que já ficaram apertadas e um quilinho de alimento não perecível extra no armário, já é de grande ajuda. Importante mesmo é participar para que elas tenham uma noite de Natal feliz.



Desde já, agradeço a atenção de vocês!

Nota de esclarecimentos



O 'Flocos com Bacon' foi criado por mim há dois anos (uhuul!), primeiramente como válvula de escape para os meus problemas. Porém após a divulgação, hoje já são quase 2.500 visitantes e minha vontade de escrever foi além das minhas aflições, dando-me ânimo para expôr ideias sérias e coisas engraçadas para o meu pequeno público leitor. E agora escrevo mais que problemas, escrevo contos, crônicas e coisas cotidianas, que além de agradar à mim mesmo, agrada a muitos outros. Mas o que quero realmente falar nessa rapidinha, é que estou pouco me importando com o que certas pessoas, que não preciso citar os nomes, falam do que escrevo. Quero deixar claro que isso é um país livre e você não é obrigado a pensar igual à mim, o que significa que o seu ponto de vista pode ser diferente do meu. Em outras palavras, se você não gosta do que escrevo, não se sinta na obrigação de ler, não sou seu formador de opinião nem vou mudar as minhas ideias porque você é contra o meu pseudo-trabalho.

Em contra partida, quero agradecer muito à todos aqueles que leem meus textos e gostam do que leem. Alguns leitores assíduos são até contra algumas das minhas opiniões, mas todos me expõe isso com argumentos e caráter. Obrigado mais uma vez, o Flocos com Bacon só tende a crescer.

No mais, peço que comentem ao final das postagens e não pelo MSN, como a esmagadora maioria tem feito... Isso ajuda muito na divulgação que o próprio Blogger desenvolve.


Gabriel Cardoso.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O banheiro

Ele já foi considerado, por muitos, um santuário, um espaço de concentração, reflexão, talvez até palco de algumas aflições. O que seria de nós sem o precioso banheiro, um recinto de solidão e privacidade que nem mesmo seu próprio quarto pode ter. E aventureiro que sou, não podia deixar de te carregar pra dentro desse universo paralelo junto comigo, que é o banheiro, pra lhe revelar algumas verdades obscuras sobre ele. Entre e feche a porta.

Não fui do tempo em que só existia um banheiro para todos os moradores da casa (além, claro, do de empregada, mas esse ninguém queria usar, só em emergências); os banheiros eram templos, obras faraônicas, com janelas e banheiras grandes, só não se perdia lá dentro porque a porta nunca era da mesma cor dos azulejos. Hoje eles se procriaram e já são mais de três por apartamento! Não é porque a população está defecando mais que antigamente nem porque as famílias ficaram maiores, é uma mera modernidade da arquitetura: achar que as casas precisam de um banheiro pra cada morador. E eu posso provar: tente achar um apartamento de três quartos SEM suíte, pra vender. Impossível. Provavelmente você vai achar um de três quartos. Todos eles são suítes. Parece que cada um tem que ter seu próprio banheiro, pra que ninguém sinta seus cheiros, veja suas bagunças, nem use sua pasta de dente. É tanta coisa, que provavelmente na sua casa já deve ter mais privada do que gente morando. O problema é que com tantos banheiros, todos foram diminuindo de tamanho e agora se torna impossível pegar um simples sabonete no chão sem que sua cabeça bata na pia. Nem janelas têm mais! Precisam sempre de um produto que deixe cheiro de rosas, de cachoeira, de paçoca, só pra disfarçar o cheiro de fossa que não tem por onde sair, já que o basculante está emperrado; até o papel higiênico é perfumado. Nunca senti cheiro neles, mas dizem que é, então eu acredito.

Junto com toda essa modernidade, lógico, inventaram que por mais 'kitnet' que fosse o apartamento, precisaria ter um lavabo. É como se as pessoas que fossem te visitar não pudessem usar o seu banheiro, como se tivesse algo de secreto por lá. Porém se tornou tão comum, que quando não se tem um lavabo, de fato, me sinto meio envergonhado, pois o banheiro, tão particular dos moradores, é cheio de produtos de beleza, shampoos e às vezes dá vontade de se secar com a toalha grande de banho pra sentir um odor peculiar. Até as visitas precisam do seu próprio banheiro. E se o banheiro do quarto de casal já é pequeno, imagine o lavabo! Cuidado pra não se inclinar demais na pia, visitante, sua bunda pode bater na maçaneta.

Como estamos tratando de banheiros e já estou quase dando descarga pra encerrar, não podia faltar a parte principal desse local frequentadíssimo por todos: o vaso sanitário. Tão imponente, tão necessário, tão versátil, podendo ser usado até como uma poltrona bem fofa de leitura, o vaso é uma peça fundamental em qualquer sala de banho (só pra ficar chique). Tão importante que estar nele, no banheiro em si, é algo que deve ser tratado com muito respeito:



- Cadê o Paulo?



- Tá no banheiro.



Pronto. Foi o suficiente para que ninguém mais perguntasse, batesse à porta ou atrapalhasse o momento íntimo do Paulo ou de quem quer que seja. Pode ser que rolem algumas risadas se a pessoa demorar muito, mas ainda assim ela merece muito respeito. Estar no banheiro é como estar num congresso em Brasília.

Portanto, devemos sempre olhar para nossos banheiros, que apesar de drásticas alterações ao longo dos anos, continuam sendo o espaço de maior concentração mental de nossas casas. Pequenos ou grandes, lavabos ou não, todos têm aquela mesma função... O que precisa mudar é a maneira como você o compra, nunca vi ninguém sentar num vaso antes de comprá-lo. Depois ainda ficam reclamando que o banheiro é ruim... Hunf, loucos, vão cagar no mato, então!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Rapidinha da Semana #15


A petista Dilma Roussef, candidata à presidência do Brasil, divulgou hoje em nota oficial que deseja contar com Marina Silva, candidata derrotada do PV, com cerca de 19% dos votos válidos. Em sua nota, Dilma atacou seu adversário Serra, falando a respeito das inverdades veiculadas sobre ela durante a campanha (contra a vida, a favor do aborto) e disse também que quer esquecer o passado de brigas com Marina nos tempos de ministras e que agora prevalecem mais semelhanças do que diferenças entre elas; 'contar com Marina seria maravilhoso, é uma mulher de presença e muita força, que eu respeito e seu apoio teria muito valor', disse Dilma.


Marina, minha gracinha! Esquece que eu te chamei de doméstica, semialfabetizada e incapacitada de governar um país! Vamos ser sócias? Amigas não, isso é para os fracos.

domingo, 3 de outubro de 2010

Eleições

Política é um assunto chato. Você já deve ter ouvido centenas de pessoas repetirem esse bordão. É chato, comentado em pouquíssimas rodas de conversa e quase sempre quando se fala um pouco à respeito, alguém já pede pra parar e mudar de assunto. Essa é, infelizmente, uma dura realidade com a qual temos que conviver no nosso país. Ter que ver de quatro em quatro anos, milhões de pessoas jogando fora a única e perfeita oportunidade que têm de tentar mudar o lugar em que vivem para melhor. Um dia eu os culpei por isso, sem perceber que tem muito mais verdades escondidas por trás dessa 'chatice' que é a política. Os culpei porque pareciam estar cegos diante dos problemas que os cercavam e porque deixavam se influenciar por meias palavras. Nunca foi culpa do povo.
Não é culpa da população não se interessar nos assuntos ligados à política brasileira, simplesmente porque é muito mais fácil controlar as pessoas quando elas estão completamente alienadas a tudo que acontece ao redor. Quando elas deixam de ser uma nação e passam a ser uma massa de manobra, facilmente controlada por aqueles mesquinhos que só pensam no próprio benefício. Mas o que é esse controle? Nada mais é que o meio utilizado pelos políticos para conseguirem se eleger. As pessoas precisam ser ignorantes, burras como animais porque é do interesse desses malditos elitistas que elas sejam assim, pois se as pessoas estiverem sob controle, não haverão revoltas, passeatas e manifestações; tudo pode ser feito livremente, ninguém entende, ninguém vê.
A ideia de controle vem de muito tempo atrás, não é um conceito atual, mas sim uma sucessão de mazelas e problemas que hoje já são quase impossíveis de mudar. Irreversíveis, eu diria, os políticos não vão mudar porque não há interesse que o povo fique mais inteligente, isso geraria contestações. Enquanto não se sabe de nada, enquanto se aproveitam da pobreza e da miséria de milhões de pessoas, é mais fácil conseguirem votos. Me deixa completamente revoltado saber que o salário deles cresce a cada dia, ao passo que falta verba para crianças crescerem saudáveis e com nível de escolaridade decente. Mais revoltado ainda ver que oferecem qualquer coisa em troca de votos, principalmente para aqueles fortemente influenciáveis: os pobres. Uma pessoa que não tem nada, com certeza dará seu voto ao primeiro que lhe oferecer um lençol e um prato de comida. Pior; ainda vai bater palmas e chamá-lo de herói. Duro, porém verdade.
Me dá mais pena do que raiva, ver que as pessoas se contentam com pouco; dizem que o país cresceu, que muitas pessoas estão empregadas... Grandes merdas. O país cresceu pouquíssimo, só acompanhou a inércia de muitos outros anos e pessoas estão empregadas construindo estádios de futebol, uma coisa que só serve para deixar a população feliz. Não se tem dinheiro para investir em educação, em saúde, em saneamento e qualidade de vida, mas tem dinheiro de sobra para construir estádios. Como se não bastasse ainda fazem a bendita 'caridade' de dar cem, cento e cinquenta reais por mês para uma família de cinco pessoas e acharem que são os donos da felicidade. Vergonhoso, ver todos se contentarem com pouco porque nunca tiveram nada. E agora, graças aos bolsas-qualquer-coisa, o comodismo tomou conta da sociedade e ninguém mais quer tirar a bunda do sofá porque sabe que no final do mês vai ganhar uma graninha sem fazer absolutamente nada, quando esse dinheiro que é distribuído como esmola podia estar sendo investido em algo muito maior, que é o conhecimento e o desenvolvimento. E ai de quem acabar com o programa para investir em educação, não ganhará mil votos, sequer.

Sou completamente apartidário e como hoje é dia de eleição, escolhi aqueles candidatos que acho que podem fazer bem, não só a mim, mas a todos os brasileiros. Procurei me informar sobre todos eles e tentei tirar da cabeça aquela ideia de 'escolher o menos pior'. Fiz a minha parte... mas e o restante? Bem... o restante elegeu pessoas que a pouquíssimo tempo atrás eram considerados ladrões e que com meia dúzia de palavras carismáticas conseguiram novamente ser eleitos. Cabral, que hoje em dia é vaiado toda vez que entra num Corpo de Bombeiros, foi eleito no Rio de Janeiro como governador. Foi eleito por que? Criou as upp's, que pacificaram os morros. Mentira. O tráfico continua rolando solto nos morros 'pacificados' e só para quando a polícia vai verificar. Dessa forma, é fácil dizer que não há mais tráfico na área. Não inventei nada, um morador de comunidade pacificada me contou. Criou as upa's 24 horas, que atendem milhares de famílias carentes com eficiência. Mentira. Elas realmente funcionaram, mas somente quando os bombeiros tomavam conta do sistema. Os bombeiros, que diga-se de passagem ainda são a única corporação que eu respeito, tratavam das pessoas e mantinham as upa's em ordem. Foi só Cabral colocar política no meio e tirar os bombeiros que as upa's se tornaram uma desgraça, com filas e atendimentos precários. Conseguiu trazer as Olímpiadas para o Rio de Janeiro. Enquanto isso as escolas seguem destruídas, o ensino ridicularizado com um idep de 2.8 pontos em 10.0 e uma qualidade de vida questionavelmente limitada.
Não só me limito à Cabral, muitos políticos tiverem a coragem (cara de pau) de se eleger e o pior de tudo é que muitos foram eleitos! Garotinho foi eleito em primeiro lugar para deputado federal do RJ, Collor por pouco não foi eleito em alagoas como governador, ficou em terceiro com 350 mil votos a seu favor! Paulo Maluff ganhou 300 mil votos em São Paulo e pode ser eleito deputado, basta só a justiça eleitoral retirar as acusações que fizeram e que deixaram sua ficha suja. Tadinho do Maluff...
Tiririca foi eleito em primeiro lugar com mais de um milhão de votos e foi o candidato mais votado em todo o Brasil! Um comediante semianalfabeto foi eleito, provavelmente porque 90% dos seus eleitores o acham divertido! Assim, nunca iremos crescer e eu vou precisar criar muito mais textos assim por muitos e muitos anos, quando o que eu mais queria era criar um mundo melhor que pelo menos meus filhos e os seus pudessem aproveitar, mas enquanto a população for burra e controlada por essa corja, nosso país nunca vai mudar. E a única coisa que precisava ser feita era investir em educação, para que todos se tornassem mais inteligentes e o país todo ganhasse com isso. Educação... tão simples e tão inalcançável... continuemos então nosso caminho árduo para o inferno brasileiro. Vão à merda, malditos políticos mercenários!

Trama bem feita para o poderoso chefão.

Lá estava eu, de pé, em pleno dia de domingo, naquele maldito ônibus calorento. Como se não bastasse o suor escorrendo por baixo da minha camisa novinha de algodão fino, ainda tinha que dividir aquela experiência infame com a minha filha e com mais um bando de desocupados que lotam o ônibus num dia que deviam estar em casa. Bufei tão alto dessa vez que Carol resmungou:

- Que que foi agora, pai?

- Nada, Carolina, nada. Só não consigo mais engolir aquela premissa da física que diz que dois corpos não ocupam o mesmo lugar.

- Você reclama demais, parece que tem dois séculos de vida! Ninguém mandou achar que sabia mais de conserto de carro que o Paulo...

- Ele é um idiota, não sabe de nada!

- Ele é mecânico há trinta e cinco anos, pai!

- Por isso mesmo, os tempos mudaram e os carros estão diferentes... Mecânico maluco, o carro estava funcionando direitinho.

- Eu percebi, aqueles três estouros no motor são sinais de bom funcionamento...

- Isso foi azar. Pior agora é ter que ficar nesse coletivo fedorento, cheio de gente e com... - sussurrei. - esse boiolinha aí sentado na minha frente.

- Pai! - respondeu Carol, agora sussurrando também. - que horror...

- Horror? Mais uma curva dessas e ele vai achar que quero pedir o número do telefone dele! Saco, não sei por quê estou aqui!

- Porque você prometeu que ia conhecer meu namorado hoje.

- Ah é... que gracinha, eu e minhas promessas.

- Moço, dá licença? - pediu uma velha gorda pra mim.

- Vovó, se quiser mais espaço que isso, vou ter que sentar no colo do amiguinho de roupas apertadas aí, pra você passar.

Carol fez uma cara horrível e baixou a cabeça, enquanto o rapaz me deu um risinho meia boca, disfarçado com uma tosse forçada. Já estava me sentindo desconfortável, mais ainda quando a velha, que ficou rabugenta depois da minha resposta, tentou passar. Felizmente meu tormento acabou três pontos depois; enfim descemos daquele inferno sobre quatro rodas.

- Na volta vamos de táxi, adoro ser segregacionista - bradei, enquanto olhava minha filha ajeitando a roupa. - e vê se cobre essas pernas, vai pegar uma doença se continuar usando esses cintos que você teima em chamar de 'saia'.

- Tá, pai, tá...

O apartamento ficava nas Laranjeiras, em uma das transversais da Rua Pinheiro Machado. Era um prédio antigo, de poucos andares, me parecia muito familiar. Até demais. Estava com a fachada muito sucateada e o jardim quase sem plantas. Mas fazer o quê, ao menos o bairro é decente.
Subimos as escadas; prédio velho não tem elevador. Toquei a campainha que mais parecia uma marcha fúnebre e esperamos a porta abrir. Continuava muito familiar...

- Oi, boa tarde! Entrem, fiquem à vontade! - disse uma garota com as vestes sujas e manchadas de água sanitária.

Parecia ser a empregada. Nos sentamos à sala e esperamos alguns minutos até que, pra minha tristeza, um garoto magricela, de cabelos bagunçados e óculos remendados apareceu pelo corredor.

- Tavares?!

- Chefe?

Não podia ficar pior; o namorado da minha filha era o Tavares, meu pior funcionário. Não que seu serviço fosse de todo ruim, mas era muito lento e demorava pra entender minhas ordens, o que me deixava extremamente estressado. Senti minha cara torcendo como se tivesse chupado um limão e ele percebeu que não gostei. Tinha que ser simpático com aquele que sentia vontade de estrangular todos os dias.

- Então, você é o namorado dela...?

- Pois é... mundo pequeno né?

- Jesus amado, que que você viu nesse bambu com pernas, Carolina?

- Pa-pai...

- Tudo bem, tudo bem, amor - respondeu ele, com aquele jeito tranquilo que me irrita. - Seu pai e eu temos essa relação engraçada no trabalho também, não é, sogrão? - continuou dizendo, dando-me cotoveladinhas na altura dos peitos.

- Senhor Gonçalves ainda, Tavares...

E enquanto discutíamos aquela desgraça sem fim, começo a ouvir uma voz muito familiar, aproximando-se pelo corredor.

- Léozinho, meu amor, pega aquela caixa de grampos no armário pra sua mãe, CACETE! REGINALDO?

- CÉLIA?

Eu havia me enganado. AGORA sim, não podia ficar pior. Era Célia Regina, minha ex-amante.

- Eu vou te matar, cachorro! - gritou ela, tentando pular nas minhas costas.

- Sossega o faxo, mulher! - gritei, impondo meu respeito de sempre.

- Sossega, sossega, até hoje você só sabe me dizer isso? Seu safado, você some, me deixando com criança pequena pra criar so-zi-nha e ainda tem a cara-de-pau de aparecer aqui assim, desse jeito! Mas então... quer dizer que essa é a sua filha com aquela vagabunda?

- Vagabunda?! - dissemos eu e Carol, juntos.

- Papai, que que está acontecendo aqui? - perguntou-me Carol, completamente fora de sintonia.

- Minha filha... essa mulher... eu tive um caso com ela quando comecei a namorar com a sua mãe, espera, espera, deixa eu acabar! - disse eu, segurando-a, quando tentou me interromper. - Quando comecei a me apaixonar pela sua mãe, eu deixei ela, a Célia, pra ficar só com a sua mãe, entendeu? Mesmo sabendo que eu a havia deixado gráv... Droga.

- Droga o quê? - perguntou Carol.

- Célia, quer dizer qu...

- É, ele é seu filho também.

Desisti de achar que meu dia não podia ficar pior, pois um dia da minha vida nunca havia sido tão devastador quanto esse de hoje. Meu empregado feio e idiota agora era meu filho, empregado feio e idiota!

- Opa, calma aí, calma aí... - interrompeu Carol. - então o meu namorado, o garoto que eu gosto, agora é meu meio-irmão?! Cacete, pai, até isso você estraga...

- Desculpa ué, o que eu posso fazer?

A sala toda se mergulhou em silêncio. Todos se encaravam sem dizer uma só palavra, já não aguentava mais aquela situação... pensei em ir embora ou pedir um copo com água e uns três quilos de açúcar para acalmar os nervos, mas achei melhor ficar quieto. Acabei levantando alguns segundos depois, sou muito impaciente.

- Aonde você vai? - perguntou-me Célia.

- Ao banheiro, posso? - respondi, secamente.

Andei pelo corredor e antes que chegasse ao banheiro, me deparei com o quarto de Tavares. Entrei por impulso, não sou fofoqueiro. Olhei ao redor, parecia tudo muito arrumado, ao menos isso ele havia puxado... o pai, droga. Havia um armário branco grande num canto, com a cama de molas bem em frente. No outro canto, tinha uma escrivaninha com computador e um monte de papéis pequenos presos num quadro da parede. Ele tinha a mesma mania que eu, pendurar papéis com as tarefas escritas para não esquecê-las. Li uma por uma, vendo as coisas que ele costumava fazer. "Ir ao banco", bem comum, essa eu não escreveria... "Comprar toalhas", importante, nunca lembro de comprar essas coisas, mas não entendi o motivo das toalhas... "Carregar peça", peça? Mas o que é isso? "Terminar poderoso chefão". Essa preocupa... terminar poderoso chefão... o que ele quis dizer com isso? Será que o termo 'poderoso chefão' era pra mim e o tempo de convivência o fez criar uma súbita vontade de me matar? Não, não pode ser isso... aliás, agora que estou vendo, tudo se encaixa! 'Carregar peça' é um código! Ele está falando da munição de sua arma cacete, ele quer me matar, sim! E 'terminar' pode estar ligado a EXterminar... que garoto malandro, nunca imaginei Tavares ser capaz de bolar isso e a maldita da Célia ainda deve ser cúmplice... mas e as toalhas? Audacioso... é um código também! Quer contratar alguém para fazer o serviço sujo de sumir comigo, me cobrir sem que ninguém descubra! Ah, não vai ficar assim! Ele pensa que me engana, mas eu sou Reginaldo Gonçalves e ninguém me passa a perna! Tenho que fazer alguma coisa, mas com dignidade, ele me chamou de poderoso chefão...
Corri até a sala novamente e peguei minha maleta. Enquanto os três e a empregada me olhavam, sorria forçadamente. Voltei pelo corredor, dessa vez indo até o banheiro. Lá, abri a maleta e tirei minha mini-pistola do fundo falso. Voltei até a sala e sem dizer uma palavra dei três tiros: matei a Célia, a empregada e o Tavares. Me senti heróicamente revigorado.

- PAI, você ficou maluco? - gritava Carol, olhando para os três estendidos no chão.

- Ele queria ME matar, Carolina! Não podia deixar isso assim, eu li o que ele planejava fazer no mural do quarto dele!

- Você o quê? Impossível...

Vendo que ela estava meio aturdida, levei-a até o quarto para lhe mostrar o que estava dizendo.

- Olha só! - disse eu, largando a arma na cama e pegando o quadro com as mãos. - Leia!

Carol foi lendo e sua expressão ficava cada vez mais horrorizada:

- Ai, pai... 'carregar peça' significa carregar celular, enquanto que 'terminar poderoso chefão', é o Livro que ele estava lendo e faltavam poucas páginas pra acabar! - disse ela, abrindo o armário e pegando o exemplar 'O poderoso chefão', para me mostrar.

Fiquei completamente sem ação. Encarei durante minutos o quadro e os papéis que ele havia escrito. Sem ter muito o que dizer, virei para dar um abraço na Carol, mas não consegui. Quando virei, ela me deu dois tiros. Já caído no chão sem forças, só consegui ver o Tavares aparecendo pelo corredor sem camisa, com apenas um colete à prova de balas, abraçando-a por trás. Ouvi um pouco da conversa:

- Conseguiu, né? - perguntou ele, com uma cara muito diferente daquela que era seu normal.

- Consegui... - disse ela, com a voz trêmula. - Já arrumou suas coisas? Nós temos duas horas e meia até nosso voo pra Paris sair.

- Sim, sim, está tudo arrumado, pensei que fosse demorar mais, mas até que deu tudo certo. Desgraçado, matou a empregada também, agora quem tem que limpar tudo sou eu. Liga pro Paulo da oficina pra vir nos buscar, enquanto eu pego as toalhas pra limpar isso aqui...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Algumas coisas que você precisa saber antes de votar

Lá estava eu, deitado na minha cama, assistindo ao Jornal Hoje, da Rede Globo. Logo depois ia começar a propaganda política e eu pensei "por que não?". Comecei a assistir e agora estou aqui, puto da vida, pensando em algumas coisas que quero dividir com vocês para que pensem melhor quando forem às urnas.

1- Dilma já é Presidente? Não. Então não sei porque durante todo seu programa na tv, seu nome aparece sempre junto com o do atual Presidente Lula, em todas as façanhas do governo. Lula e Dilma fizeram isso, Lula e Dilma fizeram aquilo... que fique claro que a Dilma ainda não é porra nenhuma e seu nome não está veiculado a nada que o governo atual tenha feito, portanto ela não participou de nada, a não ser dos comícios. Se o Lula que é presidente não fez muita coisa, imagina Dilma que não é nada.

2- O Pré-sal não foi descoberto no governo Lula, isso é balela total da imprensa; ele já havia sido descoberto há mais de dez anos, só aguardavam um momento ascendente da Petrobrás para lançá-lo sem prejudicar rendimento e produção da empresa.

3- Apesar de Serra pregar na campanha eleitoral seu papel como Ministro da Saúde responsável pelos medicamentos genéricos do país, a iniciativa ocorreu na gestão de Jamil Haddad, em 1993. O governo FHC apenas editou uma lei que tinha propósitos semelhantes ao decreto que já estava em vigor. Do mesmo modo, não foi Serra quem criou o programa nacional de combate à Aids, mas isso pelo menos ele admitiu.

4- Dilma integrava o Colina (Comando de Libertação Nacional) quando a organização de esquerda se uniu ao grupo de Carlos Lamarca para criar a VAR-Palmares, em 1969. A organização durou cerca de 4 meses e era favorável a ações armadas contra a ditadura. Dilma foi uma terrorista na juventude, pra ser mais claro. Ela tentou matar o presidente dos Estados Unidos da época, além de ter sido acusada de estar num carro que atentou contra um quartel, matando um soldado com uma bomba de alto poder destrutivo.

5- A mídia manda em tudo que é veiculado para os eleitores, isso é inegável. Sendo assim, após o Presidente Lula esculhambar a imprensa por denegrir a sua imagem e de sua candidata, a imprensa lançou manchetes e Dilma já caiu 8% nas pesquisas. Será mesmo que ela está na frente? As pesquisas podem ser compradas. Por muito caro. Mesmo.

6- Canditato 'ficha-limpa' é MAIS do que OBRIGATÓRIO. Agora virou modinha carimbar a faixa de candidatura com "Eu sou ficha-limpa". É mais do que obrigação de uma pessoa que vai representar nosso país durante quatro anos tenha um passado livre de corrupção e estão querendo fazer disso um arsenal de campanha. Pra piorar... Eurico Miranda é ficha-limpa!

7- Cuidado com as promessas dos deputados, a maioria delas não fazem sentido algum. Um deputado não pode prometer acabar com o vestibular, muito menos oferecer DOIS MIL reais de salário mínimo, isso é ridículo. Nem o candidato a presidência promete isso, Serra fala em 600 reais... 2.000 requer uma mudança drástica na constituição e na distribuição do dinheiro e isso não se muda da noite para o dia. Lula, por exemplo, levou 8 anos para chegar aos R$510,00... Candidato bom é aquele que pode prometer uma coisa que pode MESMO ser feita.

8- Marina do PV tem esse jeitinho meio frágil porque até hoje sofre com as sequelas dos tratamentos que fez contra três hepatites, leishmaniose e cinco malárias (!), quando morava no seringal do bagaço, no Acre. É a candidata com o passado mais pobre e foi alfabetizada apenas aos 17 anos, tendo trabalhado até como doméstica. Hoje anda entre os ricos e seu candidato a vice-presidência é Guilherme Leal, um dos fundadores da Natura e que tem um patrimônio declarado de R$1,19 milhão.

9- Garotinho é candidato. Não preciso dizer mais nada.

10- Se você não colocaria pessoas como Maguila, Ronaldo Esper, Mulher Pêra e Tiririca para cuidar de interesses pessoais e importantes seus e de sua família... Por que então colocá-los para tratar de assuntos tão sérios, que envolvem a SUA vida e a de mais de 190 milhões de pessoas? E pior(!): por que os partidos não têm vergonha alguma de recrutar candidatos como estes, que dizem coisas como "o povo não é palhaço, mas eu sou"?

11- Cristóvão Buarque criou uma lei que diz que todos os políticos, junto com suas famílias, deveriam utilizar o serviço hospitalar público, bem como seus filhos deveriam estudar na rede pública de ensino. NENHUM deles votou a favor e NENHUM candidato atual fala a respeito disso.

12- Oito anos de Lulacracia se resumem em:
* Apoio aos montros Chavez e Morales;
* Terror no campo aumenta aumentam as invasões em propriedades produtivas);
* Baixa qualidade de ensino público e escolas destruídas e sucateadas;
* Falta de vagas nas escolas públicas;
* Legiões de drogados por todas as cidades do país e drogas percorrem livremente ruas, praças e escolas;
* Hospitais lotados, sem médicos suficientes e capacitados, sem condições decentes para receber e tratar doentes e sem materiais adequados e remédios para todos(grande parte dos atendimentos são nos corredores);
* A violência e a criminalidade tomaram conta de todo o país, já são muitas mortes e pouca segurança e continuam aumentando assustadoramente;
* Comerciantes estão desesperados, pois os assaltos estão fora de controle e a população está aterrorizada, pois os traficantes andam livremente nas ruas, exibindo suas armas e assaltando até em semáforos, com frequência... já fazem o que querem e quando querem;
* As filas de desempregados continuam gigantescas;
* Rodovias federais abandonadas;
* Crianças abandonadas, longe das escolas, se drogando e assaltando por todo o Brasil;
* Furtos à veículos descontrolados;
* Muita destruição, pouco assentamento;
* Vidas são tiradas impunemente em assaltos, sem pena alguma, mesmo depois de já terem conseguido o que queriam;
* Prostituição infantil só cresce;
* Agressões nas escolas, sequestros relâmpagos, recorde de drogados;
* Recorde em arrecadação de impostos;
* Presidente não quer mais manifestações religiosas;
* Aprovação de aborto sem qualquer restrição.

Não mostram nada disso na propaganda, engraçado né?

13- QUEM PAGA A CONTA É SEMPRE O POVO.

Portanto pensem bem antes de colocar seus votos na urna, pois as pessoas que vocês tanto criticam estão lá graças aos seus próprios votos. Tá na hora de mostrar que nós, brasileiros, ainda não dormimos para tudo que querem fazer com o nosso país.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Simplicidade literária

Quando leio um texto cheio de palavras difíceis, começo a ficar meio aturdido. Primeiro porque não tenho o hábito de ler meus livros acompanhado de dicionário e segundo porque quase sempre fico sem entender o real sentido das palavras complicadas, que só depois de muito tempo acompanhando o contexto é que dá pra se ter uma certa noção. Por que diabos as pessoas adoram dificultar e encher os textos com palavras como "desprecatar-se" ou "ressaibo"?
Simplicando, 'desprecatar-se' significa 'desprevinir' e 'ressaibo' quer dizer 'sabor ruim'... não seria mais normal (leia-se prático) usar os seus siginificados mais cotidianos?

Eu até entendo o glamour que um texto ganha quando se tem palavras menos utilizadas no vocabulário informal, talvez por vaidade do autor de mostrar que tem um vasto conhecimento da língua, mas isso não quer dizer que seus leitores, se não forem conhecedores assíduos da gramática e amantes da leitura, vão entender na primeira tentativa.

E isso me leva a duas vertentes: livros repletos de palavras difíceis acabam desestimulando iniciantes. É claro que se faz necessário pesquisas antes de se começar boas leituras. Quem nunca leu um livro na vida não pode começar com José de Alencar, é praticamente um tiro no pé. Ao passo que, para leitores mais experientes, ler José de Alencar é um prato cheio para enriquecer o vocabulário, quiçá uma leitura mais proveitosa, por entender as expressões usadas pelo autor, que eu particularmente não entendi metade. Mas já fazem três anos que li 'Lucíola' e confesso que ainda falta coragem para ler de novo. Muita coragem.

A outra vertente, é que muitos autores gostam de complicar e em grande parte das vezes acabam complicando a si próprios, por colocar palavras que não tem a ver com o contexto, muito menos significam o que ele pensa que significam; muitos confundem 'recíproco' com 'retórico', por exemplo.

Eu, como bom leitor e escritor que sou, apoio os dois lados. Devem haver leituras com palavras dificílimas, bem como leituras com palavras fáceis. Meus textos são todos com palavras fáceis, até porque odeio complicações e não vou querer a sua. Mas acho que podíamos pensar em algo mais prático: assim como nos filmes, que possuem classificação etária, para facilitar quem assiste, os livros deveriam vir marcados com uma risca de cores diferentes para identificar quais são fáceis, para iniciantes, e quais são os mais ousados, cheios de metáforas, com notas de rodapé apontando significados e avisos como "este livro precisa do acompanhamento contínuo do Tio Aurélio", para aqueles que adoram uma aventura.

Portanto pare de planger; enquanto não exporem as facilidades nos livros, descritas por mim, com minúcia, prosseguiremos vivendo nessa côngrua, escrita e repassada religiosamente do mesmo modo que sempre foi. Resta-nos ter conhecimento de quando as coisas virão facilíssimas, em balaio, para nosso intelecto subdesenvolvido. Qualquer incerteza sobre a realidade desses fatos dispostos acima, busquem com diligência tudo que foi passado, usando a minienciclopédia de verbetes e locuções.

E lá se foram vinte anos...

Eu completei duas décadas de vida na última sexta-feira. E mesmo depois de passados três dias, alguns pensamentos ainda ficam vagando pela minha cabeça; o primeiro é de me sentir mais velho: vinte anos é uma idade muito interessante, faz as pessoas se sentirem mais adultas. O segundo é que talvez muitos já não sintam, mas eu e, acredito, alguns também sentem, é o poder de reflexão que essa data simbólica do aniversário é capaz de proporcionar. Vou tentar explicar de um jeito mais simples, eu odeio coisas complicadas.
A partir dos meus catorze, quinze anos, comecei a pensar mais profundamente nessa história de aniversário. Imaginava que era sempre uma data pra dizer que completamos 365 dias a mais de vida; em apenas um único dia nos tornávamos um ano inteiro mais velhos que o dia anterior. Mas, juro, comecei a raciocinar mais depois de perceber que alguns anos eram bissextos e eu completava mais um ano no mundo antes da data prevista. Foi aí que comecei a notar a importância de se ter um dia pra comemorar, que está além dos presentes, das ligações de familiares e amigos e das festas. Particularmente, essa data serve para pensar a respeito do que eu fui nos últimos 364 dias que se passaram, por isso que disse que nos dava um certo poder de reflexão.
Pensei nas coisas que fiz e que deixei de fazer, nas amizades que conquistei e nas pessoas que nem quero olhar... nas comemorações que perdi e nas oportunidades de uma vida inteira que ganhei. Pensei na minha mãe e em toda a família, nos meus antigos e presentes amigos, nos meus estudos e naquelas festas que bebi e curti como todo bom adolescente. Tudo isso aconteceu... em apenas 1 minuto de retrospectiva reflexiva. E foram apenas vinte anos, ainda virão mais trinta, quarenta, oitenta, nem sei... o que importa é que toda vez que comemoro um aniversário, eu penso em tudo que fiz, deixei de fazer e que ainda tenho tempo para fazer. Ter essa data especial, é ter um momento de enxergar em si mesmo o quanto se cresceu e o quanto ainda pode crescer, com tudo que ainda vai viver. Fazer aniversário é, sim, um dia marcante.
Muitos não tem essa visão, geralmente nem gostam de comemorar ou até mesmo de fazer aniversário; aquelas senhoras quarentonas odeiam aniversário, mas deixemos isso pra outra história. Alguns veem a data como um dia qualquer; de fato, nada muda concretamente, só percebemos essas mudanças depois de muito tempo, principalmente quando completamos dezoito anos e ganhamos aquele anexo mental de 'agora posso ser preso' e mesmo assim muitos não ligam. Tem gente que nem lembra que fez aniversário! E quando lembram, querem logo ganhar presentes, vai entender...
E após inúmeras divagações em cima de um tema, melhor concluir. Foram-se vinte anos e muitas histórias pra contar, muitos casos pra resolver e muita bola pra rolar. Nada melhor do que ter um dia a cada ano que passa para refletir e ver o quanto aproveitamos nosso passado. Mas claro que se formos parar pra pensar no nosso capitalismo mundano, é melhor ter só esse dia mesmo para termos essa reegenharia mental, pois quanto mais aniversários fizéssemos, mais presentes ganharíamos... até seria bom, mas pensa só na quantidade de presentes que teríamos que dar? Tenso.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Rapidinha da semana #14

Com apenas um ano e sete meses de vida, os médicos detectaram que Fábio de Souza (foto) sofria de leucemia. Logo depois, descobriram um tipo de câncer no sistema linfático. O menino suportou as seções de quimioterapia e com apenas dez anos passou pelo segundo transplante de medula óssea. Mesmo assim, o câncer evoluiu e dentre as reações, Fábio desenvolveu uma doença pulmonar. Aos catorze anos, o menino já não aguentava as crises de tosse e falta de ar e os pais procuraram ajuda médica. Os médicos disseram que Fábio precisava de aparelhos e receber oxigênio em casa. Um salário mínimo por mês era quanto custava a manutenção do aparelho que ajudaria-o a respirar. Como a família não tinha condições de pagar esse valor, a Justiça determinou que este fosse pago pelo sistema público, que por sua vez prometeu o serviço em 48 horas. Depois de um baita jogo de empurra-empurra entre as autoridades durante TRÊS MESES, o menino não resistiu e acabou morrendo.

Só mais um triste retrato do descaso com a saúde do país. E eu te pergunto: até quando? Isso é uma puta d'uma vergonha...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

ENEH, uma revolução humano-mental.

Vocês que me leem devem concordar comigo quando digo que todos nós já vivemos muitas coisas na vida. Algumas delas até inimagináveis. Já gostamos, odiamos, vimos, tocamos, sentimos... e toda essa miscigenação mental hoje faz parte do que chamamos de memória. E quando se trata de lembrar das coisas, nada melhor do que pensar na nossa primeira vez. Não necessariamente do primeiro beijo ou da primeira transa, mas a primeira vez de qualquer coisa que tenha sido uma aventura sem igual, que vai te marcar pelo resto da vida. E se tem alguma coisa que vai ficar marcada à ferro em brasa no meu peito, é o Encontro Nacional dos Estudantes de História, pela maioria conhecido como ENEH.
Posso dizer, não só por mim, mas por todos aqueles que foram pela primeira vez ao encontro, que essa foi uma das experiências mais exorbitantes de nossas vidas. E foi mais até do que imaginei, não estou aqui pra mentir; pra mim era só uma viagem de faculdade em que eu iria beber até cair, curtir festas e, principalmente, voltar com a bagagem cheia de calcinhas de mulheres de outros estados. De fato, isso tudo aconteceu, menos a parte das calcinhas, eu sou um menino puro. Mentira. Mas de todo modo, o ponto forte do que vos escrevo, é que o ENEH foi mais que uma festa com cerveja, mulheres, sexo, drogas e rock'n roll e muita diversão. Lógico, isso foi o que eu e todos os outros pensaram logo que chegaram: "que maravilha, chutarei baldes!", mas os dias foram passando e aos poucos a minha concepção foi mudando e junto com ela, fui percebendo o que realmente me rodeava. Quando dei por mim, estava dentro de uma faculdade com mais de duas mil pessoas de todo o Brasil! Mas o impressionante mesmo, não era a curtição com toda essa gente, mas sim o brasil que existia dentro de cada um deles.
Ficamos tão abstratos, pensando só no nosso próprio mundo, no nosso querido Rio de Janeiro, que não nos damos conta de que tem um Brasil inteiro completamente diferente do que nós somos. E o ENEH foi essa oportunidade de ouro que eu tive para conhecer esse brasil inusitado, cheio de ideias diferentes. Conheci culturas, costumes, ideais e sotaques engraçados. Conheci pessoas inteligentíssimas, divertidíssimas e muito mais 'íssimas' em tantos outros fatores. Conheci gente de Minas, do Ceará, do Rio Grande do Sul, do Mato Grosso, do Piauí (AH! o Piauí!), do Acre... Sabe, o Acre, aquele estado que muitos imaginam como uma Atlântida. Pois é, ele existe e eu estive com pessoas de lá. São até parecidos conosco, têm olhos, ouvidos, boca, nariz... E gostam de tomar cerveja com sal e limão, sabe como é essa história de culturas diferentes.
E como se não bastasse conhecer o Brasil todo num único lugar, tive a oportunidade de conhecer minha própria gente também; a galera da UNIRIO. Pessoas como eu, que dormiram e acordaram juntas durante duas semanas e criaram comigo um elo tão forte que nos tornamos íntimos sem perceber. Sabemos se roncam à noite, se comem rápido ou devagar, se cantam enquanto tomam banho, enfim... tornamo-nos irmãos universitários. E o mais fascinante disso, é que saímos do Rio sem nem nos conhecermos direito; aconteceu tudo com muita intensidade e posso dizer que o ENEH foi bom até pra conhecer meu próprio estado. Conheci o brasil dentro de cada companheiro que estuda comigo e aprendi a ser um pouco mais humano com cada um deles. Até porque, por mais loucos que fossem, cada um tinha sua história pra contar.
Agora junte tudo: o Rio e todos os outros estados, todas as pessoas, forme um todo. Tire tudo que for diferente... o que sobra? Nós mesmos. Sobram os brasileiros historiadores que fizeram parte dessa viagem maluca que me fez amadurecer muito, que me tornou um pouco mais gente e que me fez perceber que o Brasil é muito mais do que minha própria casa, meu próprio Rio. Se você já foi para o ENEH, sabe do que eu estou falando. Se não foi... bom, se não foi, espere a sua vez. Marinheiros de primeira viagem nunca esquecem uma grande navegação. Segue sua Nau!

domingo, 29 de agosto de 2010

Terapia musical



Eu tenho uma banda. Achei que devia contar isso à vocês. Mas o que quero realmente lhes contar, é sobre o fascínio que tenho pela música. Não, isso não é presunção, nem dizer que as músicas que tocamos são boas. É somente o que está escrito mesmo, a música me fascina e o fato de ter uma banda, é porque gosto da musicalidade bem perto de mim sempre que posso.

Para muitos, a música pode ser vista como nos dicionários, uma explicação curta, de pouco conteúdo, onde diz que é uma junção de sons que formam uma melodia. Para mim é, de longe, muito mais que isso.

Eu vejo a música como uma coisa que não está aqui somente para ser ouvida; ela é tão boa quanto um tratamento terapêutico ou medicinal. Tudo bem que muitas não fazem sentido algum, mas muitas delas são feitas para serem degustadas, escutadas diversas vezes para entender o que de fato ela te conta. Não estou classificando nenhuma como ruim ou boa, até porque seu estilo musical pode ser diferente do meu; não há como saber quem gosta do que eu não gosto e vice-versa, mas cada música tem seu momento, seu núcleo de som. É isso que faz da música uma coisa fascinante na minha vida. É escutá-la para me agitar ou simplesmente relaxar. Isso torna a musicalidade algo especial, que se faz importante para todos. Tente imaginar o mundo sem música? Seria um tanto quanto desanimador e faltariam amantes do ritmo, aqueles seguidores fervorosos de pessoas que fazem da musicalidade uma filosofia de vida, um ponto de nirvana existencial. Ora, grandes líderes tinham milhares de seguidores, admiradores e reuniam multidões por onde passavam. E o que mais passa perto daqueles que são líderes, são aqueles que são músicos. A música não precisa ser boa e você nem precisa ser um ótimo cantor, basta que ela fique gravada na mente das pessoas, que faça com que elas se emocionem. Tem que tocar o coração, tal fazia Shakespeare; acredite, eu posso comparar Adolf Hitler com John Lennon, não por serem parecidos, mas porque reuniam multidões que, de certo modo, os admiravam.

A música faz parte de mim, é uma forma de expressão cativante que te convida a lugares fantásticos dentro dos seus próprios ouvidos. É, poéticamente falando, ter o mundo em suas mãos com uma sequência de acordes.



"Eu também gosto de música, mas não do que virou música. Essa presença compulsiva e compulsória de qualquer forma de som, o tempo todo, de todas as fontes em todos os volumes. É por gostar de música, que eu busco o silêncio." Laerte, cartunista.

Rapidinha da Semana #13

A rede de restaurantes McDonald´s organizou pela 22ª vez consecutiva o McDia Feliz, que promove o evento em prol do Grupo de Assistência ao Câncer Infantil (Gpaci). Todo dinheiro arrecadado com a venda do Big Mac, o sanduíche n°1 do restaurante, é direcionado para a instituição.

O que provavelmente boa parte das pessoas não sabem sobre o McDia Feliz, é que o dinheiro arrecadado com as vendas só é direcionado para as instituições quando o Big Mac é vendido separadamente. Ou seja, quando você comprar a oferta (sanduíche + refrigerante + batatas fritas), não estará ajudando a ninguém. Para que a doação seja efetuada, é necessário comprar SOMENTE o sanduíche e infelizmente, isso eles não dizem na propaganda. E eu te pergunto: de tudo que foi vendido nesse dia, em que as vendas aumentam cerca de 25 a 30%... Quantos compram SÓ o sanduíche? Querem se aproveitar da sua nobreza e você nem se dá conta... Ficadica#.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Rapidinha da Semana #12



O Ministério Público Federal divulgou nesta terça que o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, além de mais 9 investigados, foram condenados pela Justiça. De acordo com o MPF, Garotinho foi condenado a dois anos e meio de prisão por formação de quadrilha, convertidos a serviços à comunidade e suspensão de direitos! Todos ainda podem apelar da decisão em liberdade.

Garotinho, por sua vez, não se conforma e diz estar sendo injustiçado, pois, como divulgou em nota do seu blog oficial, está sendo perseguido covardemente e que não é mera coincidência essa acusação ter surgido a poucos dias das eleições. Com uma rápida investigação podem perceber, ainda segundo ele, que seu passado é de lutas e que seus bens foram conquistados unicamente com seu esforço e sem auxílio de ninguém. Ele recorrerá utilizando todos os instrumentos jurídicos que a lei disponibiliza e não permitirá que acusações sem fundamento continuem sendo feitas contra sua pessoa.


AH! Coitadinho do Garotinho! Pobre coitado, sendo injustiçado dessa maneira... Todos sabem que ele foi um homem santo durante seus mandatos! Deus não dorme, Garotinho mimado.

sábado, 21 de agosto de 2010

Ocorreu um erro no envio da postagem abaixo. Portanto peço que aqueles que forem comentar, comentem nessa nota aqui. Valeu!

Urnas pra que te quero!

É por isso que eu digo que o Brasil não vai pra frente. Não importa o que dizem ou o que pensam, pois quando ninguém faz nada em prol do seu próprio desenvolvimento, é certo que não há meios viáveis para o crescimento do lugar onde se vive. Mas aonde poderíamos nós, seres humanos comuns, mudar para que nosso país atingisse aquele patamar tão sonhado, que é o de ser um país desenvolvido, como os arrogantes europeus?
Analisando nossas condições, vemos que as pessoas têm o poder da mudança todo em suas mãos. A democracia existente por tanto tempo nos proporcionou esse direito; o de votar naqueles que devem ser os nossos porta-vozes na luta por uma vida melhor. Esse é o poder de um ser humano comum: ser capaz de eleger alguém como seu representante. E mesmo sabendo que essa é uma das poucas oportunidades que temos para melhorar nossas vidas, pelo menos metade da população a desperdiça, simplesmente por ignorância. Ou por cegueira, por não conseguir ver que certas pessoas não serão capazes de transformar o Brasil. Política não é uma brincadeira de criança qualquer, que se pode ficar escolhendo alguém como Burrinho da Oficina para ser nosso representante, só porque ele é seu vizinho e é simpático e engraçado. Se política é algo engraçado, então nós somos os palhaços que contam essas piadas sem graça, pois somos nós quem elegemos todos esses hipócritas risonhos que estão no poder, que tanto reclamamos de serem ladrões e corruptos. De algum modo eles chegaram até lá. E excluindo-se casos extremos como pistolões, nepotismo e afins, sobra-se o voto, o meio que nós mesmos tivemos a incapacidade de não usar do modo certo.
Não se vota em alguém por ser engraçado, atraente, famoso, rico ou que quer que seja, mas sim porque aquele candidato é honesto, tem um passado livre de confusões e fichas policiais e possui um leque de propostas que podem fazer bem a todos nós. Não fazer isso, o modo correto posso assim chamar, irremediavelmente torna-se motivo de gozação pelo mundo todo, e nosso país, que podia estar a pequenos passos do 1° mundo, está agora a milhas de distância. Pense como devem ficar os poderosos europeus sabendo que as mulheres-frutas foram eleitas para traçar um novo rumo para nosso futuro! Será que vai ser bonitinho? Com muito funk e bebida liberada no parlamento? Não dá.
Ainda dá tempo de sobra para tentar mudar. Temos esse direito, esse poder que não fazemos nem ideia que possuímos. O voto é nosso e ninguém tasca, portanto pensem bem antes de votar e não votem em pessoas que só querem ser eleitas para ficar igual aos nossos políticos atuais, sem fazer absolutamente nada, ganhando dinheiro às nossas custas. A prova está aí, com a candidatura de Tiririca para deputado. "Pior não pode ficar", mas poderia ficar bem melhor se todos nós tomássemos a devida iniciativa de querer mudar tudo aquilo que não aguentamos mais passar. Sejamos mais patriotas, dando mais valor e amor ao nosso Brasil e à nós mesmos. Vão às urnas e votem como verdadeiros brasileiros que são e façam com que essa corja vá para o inferno; urnas pra que te quero!

sábado, 14 de agosto de 2010

Hipocrisia social: Não me conformo

Estou simplesmente de mãos atadas: parece que a cada dia que passa, tudo fica mais banal. Posso parecer idoso, velho e desocupado, mas certo estou eu de reclamar que o mundo em que vivemos está ficando uma merda. E digo isso pois ninguém se incomoda mais com nada que acontece até mesmo em frente a sua casa, simplesmente por que tudo já virou tão normal, que nem mesmo acidentes envolvendo ônibus escolares e casos de estupro têm lá tanta importância. A sociedade se tornou hipócrita e fala mal de tudo que pode, sem perceber que é ela mesma que apoia tudo que diz detestar. São cada vez mais crimes acontecendo, pessoas morrendo, pornografia generalizada para conseguir sucesso... E tudo é um tanto quanto animador e fonte de audiência para todos aqueles que querem tirar uma casquinha da fama.
O cúmulo da baixaria, foi a notícia que saiu há poucos dias, sobre a famosa Twitcam, que virou uma bagunça. Antes o que era só para ser uma forma de se comunicar em massa, tornou-se chave de ignição para problemas muito piores, que já nem são mais possíveis de controlar, pois o buraco ficou tão fundo que nenhum ser humano dotado de inteligência quer colocar o pé. Crianças estão perdendo completamente a noção e tirando suas roupas na internet em troca de pessoas assistindo. Só isso, mostram seus corpos para um bando de marmanjos com o tesão à flor da pele; meras meninas iludidas atrás de sucesso passageiro. Não posso dizer que a culpa é dos pais, pode até ser, em parte, por conta do desleixo e da falta de educação que devia ser a base da evolução das pessoas, como sempre foi desde a Roma Antiga. Mas a culpa mesmo é desse sistema medíocre que controla tudo que é veiculado de tal forma que as pessoas se veem controladas também, sem perceber. As pessoas são a notícia, vocês fazem parte dessa notícia. As barbaridades que aparecem pela internet, pelo mundo em si, são geradas pelos próprios meios de integração, que parecem fazer de propósito certas coisas, para gerar polêmica e dinheiro. E fazem sucesso no mundo inteiro, já que todo mundo que questiona, assiste e gosta.
Falta educação, saneamento, ética, faltam valores. E tudo que se vê são peitos e bundas o dia inteiro. Não que eu não goste, é um tanto quanto perfeito, mas não sou só eu quem assiste e essa barbárie que é transmitida o dia inteiro para milhares de crianças que estão perdendo a beleza da infância, por que querem se tornar adultos muito cedo, falando de polêmicas, pessoas famosas e pornografia. O que se espera do futuro são adultos cheios de problemas incapazes de resolver, pois nunca tiveram a oportunidade de aprender as coisas no tempo certo. Tudo caminha para uma calamidade, que me faz pensar até em ter medo de ter filhos; colocar uma criança nesse mundo cheio de coisas doentias, é pedir pra sofrer. Ter que imaginar uma filha de apenas doze anos recebendo cantadas de homens de trinta ou um filho de dez que te pede dinheiro para comprar um cigarro e uma garrafa de cachaça... E o grande problema é que até dentro de casa eles correm riscos, por causa de uma coisa tão fácil de ser acessada. Meu filho vai viver numa bolha, sem internet. Se bem que do jeito que está, a babaquice vai tomar conta até dessa bolha e ele vai ser só mais um adulto sem cérebro.
Pra finalizar com chave de ouro: tudo acontece, vira notícia e fica sendo comentado por dias pelas pessoas. Ainda assim, coisas piores continuam acontecendo e ninguém toma providências. Sabe qual é a solução para tudo isso? Explodir a porra toda e começar de novo. Triste... mas real.

Fiz esse texto vendo tv na casa da minha vó e nem ia postar, mas é madrugada e bateu uma certa vontade. Está meio sem nexo e sem uma organização definida de fatos, mas valeu a revolta. Se gostar, comenta.

Rapidinha da Semana #11



O Twitcam é a forma mais fácil de partilhar a sua webcam com seus colegas (e com outros milhões de desconhecidos). Funciona como uma espécie de chat e já está sendo usada por muitos 'twiteiros' de plantão. E hoje em dia, está sendo usada por menores como fonte de material erótico, onde a menina ou o menino aguardam X visualizações para tirar a roupa ou se tocar. O twitter, além de não se responsabilizar, não se pronunciou e fez pior: criou o LingerieDay, onde as meninas devem trocar suas fotos de exibição por fotos em que estão apenas de calcinha e sutiã.




Esse é a evolução digital que a internet tem a oferecer para os jovens? Promover a pornografia e a banalização dos meios de se adquirir seguidores, fãs e babacas desocupados? Não há muito o que dizer, a não ser um 'PUTA QUE PARIU', bem mandado. Já nem sei mais em que mundo eu vivo...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O paciente do quarto 313

O Seu Jair era um pobre coitado, não tinha onde cair morto e mal conseguia pagar as contas que tinha, com o dinheiro que ganhava da venda de doces na rua. Talvez seja essa a sutil razão para que sua mulher, Dona Nádia, tenha o deixado para morar com um endinheirado dono de um restaurante da comunidade do Morro do Pombo Gordo. Como se não bastasse todo esse martírio, ainda foi encontrado por uma daquelas balas perdidas, enquanto descia do ônibus em frente à praia, onde costumava ficar trabalhando. É impressionante como perdem essas coisinhas por aí, mas enfim...
O Doutor Lauro era um médico conceituadíssimo e trabalhava num hospital particular de Botafogo e por coincidência do destino, encontrara o Seu Jair, estendido na rua, cercado de curiosos. Seu Jair não estava tão mal. Tudo bem, ele havia sido baleado, mas o tiro pegara no braço e apesar da dor, ele ainda podia conversar, só não queria se levantar. Por sorte dele, Dr. Lauro tinha bom coração e quis ajudá-lo. Mesmo sendo contra as normas dos hospitais particulares, ele pediu a carteira de identidade do Seu Jair e o levou para o Hospital Samaritano, onde trabalhava, para tratá-lo devidamente. Logo que chegou, seus superiores disseram que nada podiam fazer, pois quem não tem plano de saúde conveniado com o hospital não pode usar dos serviços, senão todos iriam querer usar e blá blá blá, mas por ser o melhor médico do hospital e provavelmente de todo o bairro de Botafogo, acabaram abrindo uma exceção, mas só quando ele ameaçou demitir-se.
Levaram o Seu Jair para sala de cirurgia, onde conseguiram retirar a bala. Após isso, o colocaram no quarto 313, um dos mais econômicos do hospital, para aqueles planos de saúde mais baratos.
Quando ele acordou, depois de umas 11 horas, não podia acreditar: estava de banho tomado, numa cama fofinha, com uma televisão em cima de uma mesa em frente à sua cama. Quis levantar, mas o braço ainda doía e preferiu ficar sentado.

- Bom dia, Seu Jair! Vim ver se já estava acordado. E aí, está se sentindo melhor?

Era uma enfermeira, que acabara de entrar no quarto. Era magra, bonita e usava um jaleco bem sensual, o suficiente para o Seu Jair ficar doido por ela.

- Onde eu estou? - perguntou ele, sem piscar os olhos para a moça.

- Está no hospital, oras! - respondeu ela. - O senhor levou um tiro na rua e o Dr. Lauro o trouxe para cá, não se lembra? Retiramos a bala e agora vamos cuidar de você até o ferimento sarar. Quando estiver melhor, liberamos o senhor para ir embora, fique tranquilo. Falando nisso, o Dr. Lauro quer falar com o senhor.

- Ah... sim, sim, tudo bem, pode chamar ele pra mim!

- Pode deixar, vou lá chamá-lo... - disse a enfermeira, como quem quisesse consertar o erro de português.

O Dr. Lauro entrou alguns minutos depois, junto com a enfermeira que trazia uma bandeja com um prato de torradas, geleia, biscoitos e um copo de suco. Com um sorriso, ela colocou a bandeja sobre Seu Jair, dizendo "aqui está, senhor, coma tudo!".

- E então, rapaz, como está se sentindo? - perguntou o Dr. Lauro, com a voz calma.

- Hum, está... tudo... bem... quer dizer... ainda dói... um pouquinho... sabe? - ia dizendo Seu Jair, com a boca cheia de torrada. Não conseguia parar de comer, estava morto de fome, provavelmente sem comer direito há dias.

- O senhor teve bastante sorte... - continuou o doutor. - Se fosse mais velho, talvez nem sobrevivesse, pessoas idosas são mais frágeis, mas o corpo de trinta ajudou muito na recuperação e...

- Sim, sim, eu sei, tem como ligar a TV? E eu ainda estou com fome, pode trazer mais torrada?

- Ah... sim, eu... - disse o doutor, transtornado. - Ana Luísa, poderia pegar mais torradas pra ele? Eu ligo a TV, Seu Jair.

Com um largo sorriso e pensando "me dei bem", Seu Jair continuou deitado, comendo torradas e vendo televisão.
Os dias foram passando, viraram semanas e finalmente um mês se passou e ele continuava lá no hospital, fazendo 3 refeições ao dia, tomando banho com ajuda da enfermeira Ana Luísa e vendo televisão. Nunca ficara tão bem assim. Em casa comeria só um pacote de biscoito salgado por dia. Nem banho tomaria, nem televisão veria, a água e a luz haviam sido cortadas por falta de pagamento. Estava vivendo como um sheik árabe e toda vez que lhe perguntavam se sentia-se melhor, fazia caras e bocas, dizendo que ainda sentia dores agudas e que ainda teria que ficar por mais uma ou duas semanas. Quem já não aguentava mais, era a coitada da enfermeira, que tinha que cuidar dele todos os dias. Numa dessas tardes de folga, em que Seu Jair estava cochilando, ela foi ter uma prosa com o doutor:

- Doutor Lauro, preciso falar com o senhor. - disse ela, com uma cara bem enfezada.

- Diga, Ana, diga...

- Eu não aguento mais esse Jair! Ele não faz nada, só fica lá deitado, ainda me chama de gostosa toda vez que tenho que dar banho nele! Ele já está bem e o senhor sabe disso, se o braço dele dói tanto ele não poderia ficar botando a mão na minha cintura sempre que eu vou lá!

- Eu sei, Ana, eu sei, mas não posso simplesmente expulsá-lo daqui. Ele já está sarado há dias, mas não tenho coragem de chegar e dizer que ele precisa ir embora... A não ser que...

- O que? - perguntou a enfermeira, dando um passo para trás. - Nem pense nisso, eu não vou fazer nada com ele!

- Não é nada disso, sua pamonha, relaxe...

Às quatro da tarde, o doutor foi até o quarto para fazer um check-up de rotina. Bateu à porta e entrou:

- Boa tarde, Seu Jair! Como está?

- Ah, dotô, sabe como é, ainda dói um pouco aqui, um pouco ali. Parece que o tiro pegou em vários lugares, sabe?

- Sei, isso parece ser perigoso... Onde o senhor sente dores, exatamente?

- Bom... é... aqui e aqui e... aqui também, ai como dói aqui!

- Nossa... acho que temos um problema com a sua repimboca óssea. Está com tonturas e dores nas plantas dos pés?

- Nossa, muitas! Minhas plantas nunca doeram tanto! ...O que é uma repimboca?

- Isso é mau... quantos dedos o senhor vê aqui? - disse o doutor, fazendo um 'três' com a mão esquerda.

- CINCO!

- Como suspeitava, o senhor está com escabiose trombossal.

- Ah, é? E, e, e, isso é ruim, dotô?

- Ruim? O senhor corre risco de vida, Seu Jair, precisamos fazer um exame proctológico detalhado, para sabermos mais sobre o seu quadro.

- Exame pócrito-o-quê!?

- Proctológico, Seu Jair... é quando a gente...

O Doutor Lauro chegou bem perto de seu ouvido e fez diversos gestos com os dedos. A cara de espanto do Seu Jair aumentava cada vez mais.

- É o que, hômi!? Não, não, de jeito nenhum! - disse o Seu Jair, cobrindo a bunda com as mãos. - Tá doido, dotô!? Negativo, isso aqui é particular, amado e intacto até minha morte!

- Se quiser sobreviver é bom que aceite. Não vai doer, o senhor vai estar dormindo na hora.

- Dormindo!? Ainda vão querer me pegar desprevinido? Olha só, o senhor vê se para com essa coisa de passar o dedo nos outros, tá ouvindo?

- Mas, Seu Jair, é importante qu...

E sem falar mais nada, Seu Jair se levantou da cama e saiu correndo pelos corredores do hospital. Um dos enfermeiros que passava pelo corredor tentou segurá-lo, mas ele se desvencilhou e continou correndo. O jovem enfermeiro entrou no quarto 313 bufando e falou:

- Doutor Lauro, o paciente tá fugindo!

- Deixa ele, meu amigo. - disse o doutor, tranquilamente com uma risada. - Essa é boa, sempre funciona lá na Baixada!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Dia maluco dos pais

Dia dos pais é sempre o mesmo. Na verdade é tão igual quanto ao dia das mães ou qualquer outra comemoração parecida. A família vai almoçar fora ou na casa da avó, aquelas risadas de sempre, a mesa cheia de comida, mas mesmo assim você sempre come pouco ou porque não gosta de quase nada ou porque todo mundo se serviu na sua frente. E o tio é sempre o primeiro a ficar bêbado. Mas uma coisa completamente diferente desse habitual aconteceu nesse dia dos pais fatídico. Primeiro porque os pais, Alex e Bete, meus padrinhos, são separados faz mais de cinco anos e segundo porque essa família não é nada convencional. Brenda, filha do casal e minha prima e que, diga-se de passagem, não tem nada a ver com isso, é a nossa protagonista. Me lembro como se fosse ontem e o engraçado é que foi hoje...
Como todo dia dos pais, lá fomos nós almoçar na casa dos avós. Fomos recepcionados por Brenda que já estava visivelmente irritada, pois iria almoçar com seu pai e ele ainda não havia chegado. E olha que já chegamos relativamente tarde, mas vá... Como em qualquer lugar, o almoço não estava pronto. As mulheres ficaram de papo na cozinha e na sala, enquanto eu e meu avô, Seu Almir, ficamos no terraço. O vovô é um ser humano um tanto quanto 'exótico'. Adora uma bagunça, gosta de desejar feliz natal durante o ano inteiro, come pimenta como se fosse biscoito e ri de qualquer coisa. E dessa vez ele fez questão de me mostrar sua plantação de rabanetes. Eu disse, ele é um sujeito muito louco, mas é uma pessoa boníssima. Também me mostrou uma peça de cristal que estava restaurando. Ele é vidreiro, é o trabalho dele. Explico-lhes o que é vidreiro, por favor não confundam com vidraceiro. Vidraceiro é aquele sujeito que faz vidros para sua janela. Vidreiro é a pessoa que restaura peças de cristal. Só existem somente uns cinco pelo Brasil inteiro e confesso que ele é o único que conheço e se não fosse meu avô, provavelmente nem o conheceria.
Dito tudo isso, descemos para o almoço e fiquei um pouco chateado pela minha prima; ela ainda estava lá.

- Cadê teu pai?

- Ai, nem me fala nisso! - começou ela; como fala, Jesus. - Acontece que meu celular está descarregado!

- Mas o que que tem isso?

- Esse é o problema, não consigo falar com ele!

- Tem seis pessoas aqui dentro e você não pediu o celular de ninguém?

- Não, eu pedi o da minha mãe, mandei mensagem pra ele ontem pedindo que me avisasse quando estivesse saindo de casa, mas ele não me ligou, nem nada, simplesmente apareceu aqui mais cedo! Só que, além d'eu estar dormindo, o telefone daqui foi cortado e o interfone da rua está escangalhado! Ele não conseguiu falar comigo de jeito nenhum...

- Ué, mas e o celular da sua mãe?

- Ele não liga pra ela, os dois são orgulhosos.

Pensei que 'teimosos' fosse a melhor palavra, mas preferi não dizer nada, apenas continuei ouvindo.

- Agora não consigo falar com ele de jeito nenhum, vou acabar indo de táxi e encontrar com ele na Tijuca!

Resolvi então ligar para o meu padrinho e saber onde ele estava. Magicamente ele me atendeu após dois "tu-tu" do telefone:

- Fala, meu padrinho! Onde 'cê' tá?

- E aí, meu afilhado? Estou aqui pela Tijuca, falei até com sua mãe hoje cedo pra vocês virem almoçar comigo, mas ela me disse que já ia almoçar aí com o Seu Almir, né?

- Pois é, fica pra próxima... Vem cá, a Brenda tá aqui do meu lado querendo saber se você vem buscá-la e...

- Ah, ela não atende a porcaria do celular, estive aí mais cedo e nada! O telefone parece que está com defeito e o interfone eu toquei umas 8 vezes e nada também!

- Bom, o interfone tá quebrado mesmo... Mas por que você não ligou pra minha madrinha então?

- Ah é que, bom, não vamos entrar em detalhes sobre essas coisas inúteis, não é? Avisa pra sua prima pra ela me ligar, já estou quase saindo de casa com a vó dela.

E após nos despedirmos, desliguei e fui explicar toda a conversa para a Brenda. "Meu pai é um cabeça-dura" foi a resposta que ela deu e que eu esperava ouvir. Aconselhei que ligasse para ele antes de sair para que combinassem melhor, mas ela não me ouviu; estava com a tromba arrastando no chão, minha prima é muito estressada. Despediu-se brevemente de todos e saiu.
Enquanto esperávamos notícias dela, ficamos almoçando e ouvindo meu avô falar sobre seus rabanetes, o molho que havia feito com cebola e vinho e que como queria que eu fosse vascaíno.

- Tá bom, tá bom, Almir... - disse minha vó, Wanda, sorrindo irônicamente. - Quando você vai tirar aquelas bandeiras do brasil da nossa porta?

- Wandéca, isso é uma fronta! Aquilo é uma marca de nosso país, representa nosso pavilhão e você está mandando eu tirar?

- Mas a Copa já passou, Almir, tira logo aquilo, cansei de abaixar a cabeça quando quero entrar em casa!

- Você está reclamando sem motivos, elas nem ficam tão baixas assim. Além disso, não preciso ser patriota só na época da Copa.

- Você é preguiçoso, isso sim... Mas seria bem melhor se fosse uma bandeira do Flamengo!

E depois de longas risadas vendo a discussão dos dois, o telefone de minha madrinha tocou; era Brenda.

- Oi, filha! ... Que foi, tá chorando por quê? ... Ah, é? Me passa o arroz, papAi, filh... Então vai lá onde vocês iam almoçar, ele deve ter ido pr... Ah, então vem pra casa... Tá bom, beijo... Tchau. Brenda choraando que Deus me livre. Disse que o pai não tá em casa e que tá voltando pra cá.

Mais uma vez minha cabeça pensando coisas que não quer dizer. "Falei pra ligar pra ele, não ligou..." fiquei pensando com meus botões, mas apenas continuei comendo minhas batatas, sem dizer nada.

Logo que chegou, Brenda não disse nada, apenas subiu para o quarto batendo os pés. Minha madrinha, como boa mãe que é, chamou-lhe para descer. Desceu do mesmo jeito que subiu, os pés batendo nos degraus como se fossem dois sacos de cimento. Ao fim da escada, ela abraçou a mãe e com um sonoro "ele é ri-dí-cu-lo!", começou a chorar. Não fiz nada, apenas esperei que minha madrinha saísse. Quando elas se soltaram e minha prima subiu novamente, fui conversar com ela. Tivemos uma prosa rápida e eu desci logo depois.
Passado algum tempo, mais precisamente após o término do jogo do Flamengo, comecei com o charme de uma criança de 8 anos para irmos embora. Mamãe conseguiu enrolar por mais uma hora, alegando que precisava terminar o café e tirei a conclusão que uma xícara de café pode ser uma espécie de tendência ao tédio. Mas enfim nos despedimos e estávamos prontos pra sair. E quando íamos saindo, meu padrinho apareceu. Seu semblante era indecifrável, pois estava sorridente e educado, falando comigo e minha mãe, mas ao mesmo tempo via-se uma certa fúria em seus olhos.
E então, falamos rapidamente com ele e saímos. Pegamos o carro e viemos para casa, eu e minha mãe. O resto da história? Bem o resto, fica a critério de vocês imaginar, se eles brigaram absurdamente ou se simplesmente abraçaram-se e conversaram como seres civilizados. Eu saí antes de acabar, então não sei. Podem ficar com raiva e com vontade de me agredir, mas garanto que a história prendeu vocês até o final e que agora estão pensando o que aconteceu de verdade. Boa sorte.

domingo, 8 de agosto de 2010

Obrigado, pai.



Eu não vim aqui para forçar as pessoas a terem pena de mim, muito menos para imaginar que estou me sentindo mal. O único motivo pelo qual estou aqui é que quero prestar por meio de palavras minha homenagem, não só ao meu, mas a todos os pais.

Eu tentei começar esse texto de diversas formas, mas nenhum deles foi de meu agrado. Alguns eram até bons, mas simplismente rabisquei, pois nenhum deles mostrava de verdade a gratidão e o amor que eu sinto.

Não faço a mínima ideia ainda do que é ser pai. Juro, nem imagino como seja. Pra mim, essa sensação de "sou pai" só começa mesmo quando sua mulher diz que está grávida e o homem, antes apenas um ser comum, exala no ar aquele cheiro doce de prazer. Nunca presenciei essa cena também, mas nos filmes isso sempre acontece e dá pra se ter uma noção.

A princípio, trata-se de uma missão quase impossível; ser pai é algo complicado, mais ainda pelo fato dos homens não serem lá tão carinhosos como as mulheres que se tornam mães. O homem tem aquele carinho bruto, posso assim dizer, e sabe amar de um jeito peculiar. Junte-se isso ao desespero que é pensar que tem que educar e alimentar alguém, ser responsável por outra vida... Mas ainda assim o homem não desiste, foca seus pensamentos apenas no fato de ser pai. Tenta dar de todos os jeitos o mundo para o filho toda vez que ele chora. Vive tentando protegê-lo dizendo que fazia isso no passado e sempre chega com surpresas em casa, só pra agradar.

O carinho, como já disse, é incomum. Um amor baseado nas conversas, nos conselhos; de vez em quando até em umas lutas de sofá. Apesar de não conseguir demonstrar muito bem, o pai está sempre ali, tentando dar apoio e fazendo de tudo para que o filho não se envolva em problemas. Mais do que isso, ele dá o braço a torcer, mesmo que sua cria esteja fazendo o que não deve. É chamado na escola por causa de brigas, notas baixas e mesmo assim ele afirma que seu filho nunca faria isso, pois a educação que recebe é exemplar.

Pai, pra mim, é isso. Não conheci mais nenhum tão bem quanto conheci o meu e minha ideia de pai é somente essa que vos escrevo. Um pai, pra mim, é aquele que gosta de levar o filho ao futebol, que quer sempre conversar pra entender melhor o que se passa na cabeça dele. Não pára de falar sobre seu passado e a melhor maneira que tem de explicar a vida é usando exemplos de sua juventude vivida. Também gosta de receber conselhos, de se sentir amado pelo filho e por mais durão que seja, acaba amolecendo e retribuindo tudo com sorrisos e monólogos, geralmente terminados com a frase "sinto muito orgulho de você". Quando as coisas vão mal, seja por aquele relacionamento que não deu certo ou por aquele jogo de futebol que seu time perdeu, não importa: tudo acaba com um sorvete ou um lanche na lanchonete da outra rua.

Lamento, mas vou ter que parar por aqui. Sei que pai é muito mais que isso, mas não sei dizer. A vida criminosa tirou o meu de mim muito cedo e nem pude saber a sensação de me formar, de entrar na faculdade, de casar e ter meu próprio filho, tendo meu velho ao meu lado. Pode parecer triste, e é na verdade, mas me sinto bem. O pouco tempo que tive foi mais que o suficiente para entender que pai é algo insubstituível e que a pessoa que mais me orgulho na vida é ele. Podem aparecer inúmeras pessoas, inúmeros problemas e divergências de opinião, mas sempre vai prevalecer aquilo tudo que meu pai um dia me disse. "Ser feliz é o que importa. Não importa a vida que se leve, os problemas que se têm, pois quando se sorri para tudo, nada nos destrói. Mendigo também sorri e não tem nada, por que você não pode sorrir?" Isso é ser pai.

Queria ter o prazer de te abraçar mais uma vez e te dizer com todo amor do mundo que eu te amo e que mesmo distante, até hoje você me faz crescer e sou o que sou graças ao que você ensinou. Não é a toa que até o jeito de me barbear, de sentar, dormir, falar, gesticular, andar, dirigir, tacar o pano na pia, enfim... Sou todo igual a você e sinto um orgulho indescritível de sentir e saber disso. Quero sorrir toda vez que me dizem que sou a sua cara, quero lembrar de você todos os dias e pensar no que você falaria a respeito de tudo. Quero sempre carregar essa doce lembrança do que você foi e principalmente: Quero ser igual a você no futuro e ser um pai tão bom quanto você foi.

Se isso não resume e não fala exatamente do que é ser um pai, então não sei mais o que dizer. Só posso dar parabéns e obrigado. Homenagem feita, me despeço.