quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Tédio e manuseio mental

E me recostando na cadeira, sem mais nada pra fazer, remeto-me ao tédio que persiste. Nada de novo, a mesma criatividade já desgostosa, assistir sem prestar atenção no que se passa na televisão e tentar, sem muito ânimo e sucesso, criar. O que animava já foi se animar, e eu de escanteio fiquei, apenas teclando à procura de remédios anti-monotonia.
E não muito afim de continuar sobre o tédio, eis que penso naquilo que me agrada. Fato que estou me precipitando deveras, mas gostar é assim: anormalmente cruel com quem não lhe é agradável, humanamente sensível com quem te deixa feliz. E ainda em dúvida sobre qual doce escolher, ainda me sinto no meio do caminho, receoso em escolher o doce errado e sentir um baita gosto amargo. E agora? Não sei, ainda estou a pensar, mas de uma coisa eu sei, nenhum deles é perfeito, nada é, e com eles não será diferente. A diferença está em cada dobra de perfeição que existe e se encaixa com as minhas e isso até agora, foi-se até a metade. E ao passo que me jogo de amores para um, me retraio para outro. O outro se apaixona demasiadamente e o um monopoliza. Por que acontece assim? Vida estranha, não acontece como deveria, não segue o roteiro e me vejo entre duas ondas prontas para se quebrarem em mim e ficar no meio da areia sem nada. Ainda preciso escolher e tudo ainda é muito incerto, mas uma hora hei de ser, e enquanto amargo o tamanho tédio, espero insistente, solene e minucioso cada passo que o destino me retrata.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Adoçou.

Entre quais devo escolher... O doce branco, de curvas deliciosas, tamanha sutileza da sua beleza. O doce moreno, cheio de falas, de preocupações, de alguém que realmente quer o bem. O branco se mistura no preto e a escolha se torna difícil por ser cada um belo ao seu jeito. Gosto meigo do doce branco, gosto vivaz do moreno, ter a calmaria de um momento só teu, ter a quizomba de um momento de todos.
Difícil vertente, caminho ainda impossível de se arriscar. Abandonar o um para ter o dois, tanto faz. Não. Tanto faz, não. Faz muito tanto e ainda num sei se quero tanto o branco ou se quero tanto o moreno ou se quero tanto um quanto o outro. Cada um cativou de uma maneira e certamente após os festejos eis que surgirá um doce prêmio. Queria eu poder ter os dois, lado à lado, meio à meio, o preto no branco e assim misturar a felicidade, o vivaz e o meigo em um, que é ter os dois. Acabei e não decidi, merda. Persiste a dúvida: um dia hei de escolher, mas qual doce me deixará farto primeiro? O que sobrar, satisfará? Doce escolha...

Passando, passo, passei.

Sempre um passo atrás do outro. Jeito melhor nenhum de se começar a escrever sobre a vida. O que fazer quando pensar em desistir? Um passo. Quando pensar em mudar? Dois. Quando acreditar que arriscar lhe trará a felicidade? Três, e por aí vai. Quando achar que todos os passos descompassados num passaram de meras pegadas que fácil, fácil sumirão com o tempo... tropece. Não há nada melhor que lembrar do passado com gosto do que olhar para as próprias pegadas deixadas, e o esquecimento destas não é a solução para dar mais um passo ou três. Olhe para as pegadas. O que você vê? Eu vejo tamanha reflexão, consulta, remorso e frio na espinha. Tropecei. Devia ter olhado mais antes de dar o próximo passo. Mas a vida é assim, passo a passo descompasso acelerado. Quando não mas achei que pudesse encontrar a felicidade dos passos, eis que encontrei o caminho dos passos largos, gingados. Andei quilômetros até encontrar o passo certo e lembrei de todos os tropeços ajoelhados que deixei pra trás, sem em um momento esquecer da leveza de cada um. Diferente de você, que tornou dos seus passos algo já apagado pelo mar-tempo. Seus passos são novos, seus caminhos, sim, são. E os descompassados passados que se danem, caminhe e sorria, você não está sendo filmada. Desfile com seus passos e um dia, quando tudo não passar de pegadas inglórias do seu passado, não mais serão seus passos, serão meros tropeços.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Assim caminha a humanidade... (Minha redação do ENEM 2009)

Ultimamente se tornaram comuns, quase que diárias, as notícias e mais notícias sobre os "erros de percurso" do nosso governo. Desde escândalos incabáveis à políticos ingênuos que não sabem de nada, o Brasil caminha a largos passos para o buraco. Mas... será que a população liga para tudo isso?
Se para o buraco temos passos largos de políticos despreocupados em ganhar muito em cima de nossas costas, proporcionalmente temos passos curtos e sem vontade de um povo mais despreocupado ainda, que parece não sentir o peso do fardo que carrega. Grande parte desta população carece de força de vontade para lutar pelos seus direitos, e apesar de ver um absurdo atrás do outro permanece ali, sentado no sofá de seu lar assistindo a um programa global.
Talvez por isso sejamos conhecidos pelo velho "jeitinho brasileiro"; o jeito já ultrapassado de não se preocupar com nada e achar que, num passe de mágica, tudo se resolve. Não é bem por aí. Nós, cidadãos, temos direitos que só não exercemos por desleixo, por simplesmente jogarmos tudo para debaixo do tapete. Somos um país de riquezas e oportunidades inexploradas que não são valorizadas pelo povo que não tem coragem de lutar por aquilo que querem (e podem) ter.
Os problemas estão se aglomerando, quando o que devia estar bagunçado era a consciência de todos. Devemos ter em mente que isso não é ético, quanto mais brincadeira. Precisamos ser mais nacionalistas e acabar com esses quadros-negros presentes, não só nas salas-de-aula como deveriam, mas em todos os cantos do país.